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Insetos comestíveis em Portugal: proteína sustentável enfrenta desafio do preço

Mulher prova larvas de tenébrio num mercado ao ar livre em Lisboa, Portugal.
Neste artigo
  1. Proteína de inseto na alimentação e inovação empresarial
  2. Valor nutricional e produção dos insetos comestíveis
  3. Preço condiciona produção em massa

Os insetos comestíveis deixaram de chegar apenas ao prato na sua forma original: transformados em farinha, entram num «pão que sabe a pão» e representam uma «alternativa sustentável às proteínas tradicionais». A atividade está a dar os primeiros passos em Portugal, explicou esta sexta-feira o B2ECoLAB.

«Há 10 anos, os insetos eram vistos como algo exótico. Atualmente estamos a incorporar esta fonte concentrada de proteína em produtos familiares, como pão, massas, bolachas, barritas, de maneira a que o sabor não seja comprometido», disse à Lusa Ana Rita Ribeiro, gestora de projetos do B2ECoLAB, Laboratório Colaborativo de Bioeconomia Azul sediado em Matosinhos, no distrito do Porto.

Segundo a responsável, quando o inseto é «incorporado num pão ou numa barrita, vai ser saboroso e ter características sensoriais a que o consumidor está habitado». Por isso, «um pão sabe a pão e uma barrita sabe a uma barrita», garantiu, no Dia Mundial do Inseto Comestível.

Proteína de inseto na alimentação e inovação empresarial

Para marcar a data e combater preconceitos, o B2E organiza um almoço no restaurante pedagógico da Escola de Hotelaria e Turismo do Porto, com pratos preparados a partir de produtos que contêm proteína de inseto.

A iniciativa faz parte da Agenda InsectERA, uma agenda mobilizadora de inovação empresarial financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O consórcio reúne cerca de 38 parceiros, entre empresas e centros de investigação.

Com um investimento aproximado de 43 milhões de euros, dos quais 28,7 milhões provenientes do PRR, a agenda desenvolve «novas soluções alimentares a partir de proteína de inseto, numa lógica de economia circular».

«O objetivo é desenvolver novas soluções alimentares e industriais baseadas em insetos, sempre numa lógica de inovação, sustentabilidade e economia circular», explica Ana Rita Ribeiro.

A responsável salienta que já existe «muito conhecimento científico, muitas tecnologias de produção, alta regulamentação europeia e empresas a desenvolverem ingredientes e produtos».

«É aqui que entra o projeto: estamos a transformar uma alternativa alimentar promissora numa realidade industrial e a criar condições para que possa chegar ao quotidiano dos consumidores. Estamos a abrir caminho para democratizar o consumo», descreve.

Valor nutricional e produção dos insetos comestíveis

A gestora de projetos refere que «há vários insetos que se podem comer ou que são permitidos para consumo humano na Europa» e que «um deles é a tenebrio».

«É uma fonte concentrada de proteína. Tem cerca de 55 gramas por 100 gramas de farinha, ou seja, 55% de proteína em 100 gramas de farinha. E tem ainda vitaminas, minerais e fósforo. É uma alternativa interessante para diversificar as fontes de proteína tradicionais, como a carne e o peixe», afirma. A isto junta-se «uma parte de sustentabilidade e eficiência na produção».

«Na produção usamos menos recursos, menos espaço, menos área arável, menos água potável para consumo humano e também menos alimento que pode servir para alimento humano. Para produzirmos um quilo de massa de insetos, temos que lhe dar dois quilos de alimento. Um bovino, por exemplo, tem que levar oito quilos de alimento para produzir uma massa equivalente», exemplifica.

Preço condiciona produção em massa

O preço continua a limitar a produção em massa, reconhece a responsável. Ainda assim, afirma que «existe bastante investimento» e «emprego criado» na fileira, com perspetivas de «um aumento bastante grande até 2030».

Ana Rita Ribeiro destaca que a Comissão Europeia comunicou recentemente que «os insetos são estratégicos como alimento para os peixes sem aquacultura, por exemplo».

«Isto é importante porque implica maior investimento com a alimentação animal. E porque quem produz tenebrio para a alimentação animal também pode ter uma linha ao lado para a alimentação humana», descreve.

«Com a União Europeia a dizer explicitamente que se deve investir nos insetos, podemos participar ativamente nesta construção e em colocar Portugal a desenvolver competências para participar nesta transformação tecnológica e industrial», sublinha.

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Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

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