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Novo menu do Mesa de Lemos leva à Quinta de Lemos, em Viseu, com Diogo Rocha

Chef a decorar prato com salada colorida numa mesa de madeira ao ar livre numa vinha.

A estreia do novo menu do Mesa de Lemos, assinado por Diogo Rocha, é o pretexto ideal para rumar à Quinta de Lemos, em Viseu - uma propriedade vínica e familiar que já atravessa duas gerações unidas pela mesma devoção ao vinho. Pelo caminho, a experiência completa-se com a possibilidade de conhecer o ateliê de cerâmica e de fazer uma prova de azeites extra virgem.

Diogo Rocha e o Mesa de Lemos: raízes e identidade

A ligação de Diogo Rocha à cozinha começou cedo, quase instintiva. Com apenas quatro anos, já preparava em casa um arroz com atum. "Nessa altura, já sabia que era isto que queria fazer na vida", recorda o chef do Mesa de Lemos, restaurante da Quinta de Lemos, em Silgueiros, Viseu, distinguido com uma estrela Michelin e dois Sóis Repsol.

Nascido ali perto, em Canhas de Senhorio, Diogo descreve a quinta - situada entre as serras do Caramulo, da Estrela, do Buçaco e da Nave - com entusiasmo: "Isto é um paraíso".

O novo menu de degustação do Mesa de Lemos

À mesa prova-se um novo menu de degustação pensado para reduzir a quantidade de produtos em cada prato e, em contrapartida, elevar ao máximo a expressão do sabor. Os ingredientes do Dão alimentam parte importante da cozinha, mas o foco não se limita à região: a técnica de Diogo Rocha é aplicada a produtos de todo o país. "Não somos um restaurante regional, mas sim português", sublinha, num trabalho que equilibra contemporaneidade e herança. "Na nossa geração, respeitamos as tradições", reforça.

Como já é hábito, o início do percurso chega em modo surpresa, sem anúncio prévio na carta. "Já é a nossa identidade, e isso é importante. Um restaurante faz-se de identificação", explica o chef. Na visita, o arranque trouxe um gelado de pinhão torrado com flor de sal, raspa de lima, tomilho e pinhão; um alinhamento de snacks centrado num único ingrediente - aqui, a couve-flor - em taco, tempura, gelado, crackers, rissol e bolo lêvedo; uma tartelete de carapau com gengibre e beterraba; e ainda enguia fumada com creme de espargos, sandes de enguia e consommé.

A sequência prossegue com broa de milho e pão de massa-mãe de centeio, acompanhados por manteiga do Pico e azeite da casa. Depois, chega um linguini de cenoura violeta com laranja da região Centro, especiarias e óleo de laranja.

O mar aproxima-se através da bica e gamba rosa algarvias, com feijão-verde do mercado de Viseu, um molho preparado com arroz do Baixo Mondego, pão de curcuma e espadarte seco. Segue-se o bacalhau da Islândia com nove meses de cura, servido com estufado de samos com brócolos, torresmo de samos e esparregado de brócolos.

Na parte de carne, destaca-se o cabrito do Caramulo confecionado a baixa temperatura, com beringela, cogumelos assados, molho de mostarda, laranja e aipo, além de uma bolacha de batata frita translúcida.

Para fechar, entram dois momentos: gelado e telha de ananás dos Açores, com chutney do próprio fruto e raspas de laranja; e uma bolacha de leite com espuma de queijo amanteigado DOP Serra da Estrela, cardamomo, baunilha e anis.

Quinta de Lemos: vinhos, família e produção

Na harmonização, os vinhos da casa surgem com naturalidade. A Quinta de Lemos foi adquirida em 1997 por Celso de Lemos e está hoje já entregue à segunda geração. Em criança, o fundador sonhava ser futebolista; emigrou para a Bélgica e, quando regressou a Viseu, criou a empresa têxtil Abyss Habidecor, atualmente com 400 trabalhadores. Os seus atoalhados chegaram mesmo a ser considerados pela Forbes como os melhores do mundo. Só depois veio a vinha.

O portefólio inclui vinhos tranquilos, espumantes e aguardente, somando cerca de 15 referências no mercado. Anualmente, saem para o mercado cerca de 150 mil garrafas. Em solos graníticos, a vinha dá origem sobretudo a tintos (70%), seguindo-se brancos (20%) e rosés (10%).

Na produção, há duas linhas que se evidenciam. Por um lado, a edição anual de monovarietais com castas tradicionais do Dão - Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen, sendo esta última responsável por 60% de toda a vinha desta região. Por outro, a homenagem às mulheres da família, cujos nomes identificam as safras aqui produzidas: Dona Santana, Dona Georgina, Dona Louise, Dona Paulete e Gigi.

Outras facetas da Quinta de Lemos

Provar o azeite da casa

Há precisamente dez anos que a Quinta de Lemos produz azeite extra virgem no seu próprio lagar. A propriedade reúne sete hectares de olival tradicional, com cinco mil oliveiras. Neste momento, existem três rótulos no mercado.

O Galega, feito com a variedade mais típica do Dão, é o de maior volume: no nariz surgem notas de pimenta verde e, na boca, apresenta-se mais intenso, persistente e picante. O Arbequina revela notas de ervas frescas e um aroma que remete para o tomate. Já o Cobrançosa, o menos produzido, oferece um perfil mais amendoado e um toque fresco de hortelã; na prova, mostra-se aveludado e untuoso. Cada garrafa custa 25 euros.

Conhecer a cerâmica que chega à mesa

Geraldine de Lemos, filha do fundador, descobriu na cerâmica uma paixão há cinco, seis anos. "Sempre tive um lado artístico", diz. A primeira peça que criou - uma criança abraçada pela mãe - deu-lhe "paz", lembra.

É na Quinta de Lemos que funciona o seu ateliê, onde produz parte das loiças utilizadas no restaurante de Diogo Rocha. Trabalha com grés e encontra inspiração na natureza: nas paredes, fotografias de elementos como água, troncos e dragoeiros ajudam a contar esse processo.

O ateliê pode ser visitado mediante marcação e também acolhe atividades como oficinas de olaria. Para acompanhar novidades, a referência é instagram.com/geraldinedelemos. Em agosto, a ceramista vai expor a sua obra na Pousada de Viseu.

O que fazer no enoturismo

A oferta de enoturismo inclui visitas à quinta e à adega, com prova dos vinhos da casa. Para quem quiser enriquecer a experiência, é possível acrescentar prova de azeites e tábua de queijos e enchidos.

Existe ainda uma opção gastronómica mais completa, com petiscos como bola de carne, peixinhos da horta, alheira ou chouriça assada no porquinho de barro. Em princípio, este ano não se realiza a participação do público na vindima, mas já há outros momentos no calendário.

Um deles é o Dão Portas Abertas, iniciativa em que 10 quintas promovem atividades ligadas aos seus vinhos. Na Quinta de Lemos, está previsto um fim de tarde com provas de Touriga Nacional, cocktails e sangrias, de 11 a 13 de setembro. A quinta marcará também presença no Caramulo Motor Festival com os seus vinhos, como um dos parceiros do certame, de 4 a 6 de setembro.

Informações úteis

Quinta de Lemos
Passos do Silgueiros, Silgueiros, Viseu
Tel.: 232 951 748
Web: quintadelemos.com
Menu de degustação desde 140 euros, sem vinhos. Visitas à adega desde 15 euros. Visitas e provas de vinho desde 25 euros. Com tábuas de queijos e enchidos e prova de azeites, a 50 euros.

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