Os produtores de castanha de Vinhais querem mais regadio no concelho para enfrentar o aquecimento associado às alterações climáticas. A seca crescente deixa-os todos os anos de coração nas mãos, devido às quebras acentuadas que provoca na produção.
Castanheiros longal de Vinhais ameaçados pela seca
Os castanheiros da variedade longal estão entre os mais afetados pelas alterações climáticas, apesar da forte aposta do Município de Vinhais na sua promoção. A autarquia prepara também uma candidatura destas árvores notáveis a património da Humanidade da Unesco. "Eu já tive muitos castanheiros de longal, mas estão a secar", revelou Alice Fernandes, agricultora na aldeia de Tuizelo.
Apoios para charcas nas freguesias e municípios
O presidente da Câmara, Luís Fernandes, defende que seja alterada a legislação sobre a atribuição de fundos para construir charcas. O objetivo é permitir que juntas de freguesia e municípios se candidatem, uma vez que, atualmente, só os privados têm acesso a estes apoios. "Os pequenos produtores não têm capacidade. O problema da água é atual e do futuro", explicou o autarca, na sexta-feira, na inauguração da Rural Castanea-Feira da Castanha Longal de Vinhais, que termina neste domingo.
Segundo os dados apresentados pelo ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, o Governo aprovou este ano a construção de 330 charcas no país. Destas, 118 situam-se no distrito de Bragança, num valor de 2,8 milhões de euros, mas apenas uma fica no concelho de Vinhais, com um investimento superior a 300 mil euros.
Menos castanha, mas com qualidade
Na avaliação de Abel Pereira, da Associação Florestal Arborea, os produtores de Vinhais esperam um ano de boa qualidade para a castanha, embora a produção possa diminuir. Nas variedades precoces, a falta de chuva já provocou uma quebra na quantidade.
Na feira, a castanha longal era vendida a quatro euros e a judia a 3,5 euros. "É um ano razoável. Não é dos piores. São miúdas, mas menos bichosas como nos anos anteriores", contou Alice Fernandes.
Em Gestosa de Lomba, a agricultora Irene Pires garante que a produção "varia entre soutos". Tem apostado na variedade longal e realizado novas plantações. "É uma castanha mais saborosa e conserva-se mais do que a outra. É a melhor qualidade", confirma.
Pelo segundo ano consecutivo, a plataforma TasteAtlas considerou a castanha longal da Terra Fria Transmontana a melhor do mundo.






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