O molho de tomate pode ficar menos ácido sem precisar de levar colheradas de açúcar. Uma pitada muito pequena de bicarbonato diminui parte dessa acidez através de uma reação química; já a manteiga, juntada no fim, dá uma textura mais aveludada e amacia o sabor sem transformar o molho numa preparação doce.
Porque é que o açúcar não elimina a acidez do tomate?
O açúcar pode “arredondar” o sabor por contraste com o ácido, mas não altera de forma relevante os ácidos que existem no tomate. O resultado pode parecer mais suave, mas, se a dose passar do ponto, o molho fica também adocicado.
Em geral, o molho de tomate faz-se sobretudo com tomate e é presença habitual em massas, lasanhas e muitos outros pratos. A acidez muda conforme a variedade, o grau de maturação, o tempo ao lume e os restantes ingredientes que entram na panela.
Como é que o bicarbonato actua durante a cozedura?
O bicarbonato de sódio é alcalino e reage com parte dos ácidos do tomate, fazendo subir o pH do molho. As pequenas bolhas e/ou espuma que aparecem pouco depois de o juntar são um sinal de que está a libertar-se dióxido de carbono durante essa reacção.
- Use apenas uma pitada para uma panela média;
- Junte-o quando o molho já estiver quente;
- Mexa e aguarde até a espuma baixar;
- Prove antes de colocar mais;
- Não exagere para evitar um travo alcalino.
Porque é que a manteiga deve entrar apenas no final?
A manteiga acrescenta gordura e ajuda a “envolver” os compostos aromáticos do tomate, o que dá uma sensação mais cremosa na boca. Ao contrário do bicarbonato, não neutraliza os ácidos, mas reduz a percepção de aspereza e torna o molho mais homogéneo.
O mais indicado é incorporá-la em lume brando ou com o lume já desligado. Uma pequena porção chega para dar brilho e suavidade, sem tornar a receita pesada nem tapar o sabor do tomate, do alho, da cebola e das ervas.
Qual é a sequência correcta para equilibrar o molho?
Em primeiro lugar, o tomate deve cozinhar até perder o gosto a cru e chegar à consistência pretendida. Só depois se deve juntar bicarbonato, sempre pouco a pouco. A manteiga entra apenas no fim, depois do acerto final de sal e acidez, seguindo a mesma lógica de reduzir a acidez do molho sem recorrer ao excesso de açúcar.
- Refogue cebola e alho, sem deixar ganhar queimado;
- Junte o tomate e deixe cozinhar em lume brando;
- Prove o molho antes de fazer qualquer ajuste;
- Adicione uma pitada de bicarbonato e mexa;
- Espere que a reacção termine e prove novamente;
- Termine com um pouco de manteiga.
Como evitar que o molho perca o sabor natural?
O ponto mais sensível é a quantidade de bicarbonato. Em excesso, pode cortar demasiado a acidez, mexer na cor e deixar um sabor semelhante ao de sabão. Por isso, a correcção deve ser feita aos poucos, sobretudo quando o tomate já está maduro e naturalmente equilibrado.
A manteiga no molho deve funcionar como acabamento, e não como base da receita. Com o tomate bem apurado, bicarbonato na dose mínima e a gordura juntada no fim, o resultado mantém o sabor característico, ganha uma textura sedosa e dispensa a doçura artificial que aparece quando se usa açúcar a mais.
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