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Castanhas: o método no micro-ondas para as descascar facilmente

Mãos a descascar castanhas fumegantes após serem aquecidas no micro-ondas numa cozinha arejada.
Neste artigo
  1. Uma forma surpreendente de cozinhar castanhas sem forno nem frigideira
  2. Porque é que este método facilita a descasca das castanhas
  3. Limitações e precauções a não esquecer
  4. Em França, hábitos de cozedura profundamente enraizados
  5. Como escolher castanhas para acertar nesta cozedura
  6. Algumas utilizações saborosas para castanhas bem descascadas

Em plena época das castanhas, um método de cozedura pouco divulgado, partilhado por um meio digital espanhol, promete acabar com a difícil tarefa de as descascar.

Todos os outonos, repete-se o mesmo ritual em Espanha e em França: apanham-se ou compram-se castanhas, levam-se a assar... e passa-se depois bastante tempo a tentar retirar-lhes a casca sem magoar os dedos. O site espanhol que publicou este artigo destaca uma técnica de cozedura ainda pouco conhecida, que não recorre nem ao forno nem à frigideira e que poderá simplificar consideravelmente esta tarefa. Trata-se de um procedimento simples, possível em qualquer cozinha, desde que sejam seguidos alguns gestos essenciais.

Uma forma surpreendente de cozinhar castanhas sem forno nem frigideira

Segundo o artigo do meio digital espanhol, há uma alternativa para cozinhar castanhas que se afasta da imagem tradicional das castanhas assadas numa frigideira perfurada ou sobre uma placa de cozinha. O método utiliza um aparelho presente em quase todas as cozinhas actuais: o micro-ondas.

Frequentemente esquecido quando se trata de castanhas, este modo de cozedura tem dois objectivos: cozinhar bem o interior e, acima de tudo, facilitar muito a remoção tanto da casca dura como da pele fina interior, que tende habitualmente a aderir ao fruto.

A técnica assenta em três etapas fundamentais: fazer um corte, hidratar e levar rapidamente ao micro-ondas, para que a pele se solte quase sozinha.

Os cuidados a ter antes da cozedura

Antes de qualquer cozedura, é indispensável preparar as castanhas, independentemente do país. O meio espanhol recorda várias regras básicas, igualmente válidas em França:

  • Escolher castanhas pesadas e firmes, sem furos ou fendas visíveis.
  • Passá-las por água para eliminar impurezas e poeiras.
  • Fazer um corte em cada fruto.

O corte é feito, em regra, na face abaulada da castanha, usando uma faca bem afiada. O artigo salienta que é necessário atravessar a casca e abrir ligeiramente a pele interior. Sem esta abertura, a pressão criada dentro do fruto durante a cozedura pode causar uma pequena “explosão”, seja no forno, na frigideira ou no micro-ondas.

Como funciona, na prática, a cozedura de castanhas no micro-ondas?

O processo apresentado pela fonte espanhola baseia-se num princípio simples: aumentar depressa a temperatura no interior para desprender a pele interna, recorrendo simultaneamente à humidade para impedir que esta fique colada à polpa.

O meio descreve o método da seguinte forma:

  • Cortar cada castanha individualmente, de modo limpo.
  • Mergulhá-las durante alguns minutos em água ou lavá-las abundantemente, para que absorvam alguma humidade.
  • Colocá-las num recipiente próprio para micro-ondas, de preferência com tampa ou coberto por película adequada para micro-ondas que permita a saída de algum vapor.
  • Cozinhar em pequenas quantidades, a potência elevada e durante pouco tempo, vigiando atentamente.

O artigo sublinha que o tempo exacto varia consoante a potência do micro-ondas e o tamanho das castanhas. O objectivo não é secá-las, mas sim aplicar um choque térmico rápido que faça levantar a pele interior.

No fim da cozedura, a casca abre-se, a pele retrai-se e desprende-se com maior facilidade, tornando o acto de descascar claramente menos trabalhoso do que num método tradicional.

Porque é que este método facilita a descasca das castanhas

O meio espanhol coloca a tónica no ponto que mais interessa aos apreciadores de castanhas: descascá-las. Afinal, é esta fase que muitas vezes desmotiva quem as prepara, ainda antes da própria cozedura.

Calor rápido e vapor: uma combinação eficaz

Ao juntar uma hidratação prévia a um aquecimento intenso, mas breve, o micro-ondas cria no interior de cada castanha um ambiente muito quente e húmido. A pele interior, naturalmente fina e aderente, contrai-se e separa-se da polpa, permitindo retirá-la num só gesto, ou quase.

O meio indica que este resultado é mais difícil de alcançar num forno convencional, cuja cozedura é mais demorada e seca. Na frigideira, o calor concentra-se à superfície e a pele pode queimar antes de o fruto estar devidamente cozinhado no interior, dificultando ainda mais a descasca.

Castanhas prontas em poucos minutos

Outra vantagem apontada pela fonte é a poupança de tempo. Uma passagem pelo micro-ondas mede-se em minutos, ao contrário do forno, que exige pré-aquecimento e uma cozedura mais longa. Para uma pequena taça de castanhas, esta solução rápida parece prática para um lanche ou uma sobremesa improvisada.

O artigo espanhol também destaca que a técnica permite preparar pequenas quantidades sem desperdiçar energia. É um aspecto que poderá interessar a muitos lares franceses, numa altura em que o controlo da factura da electricidade se tornou um tema recorrente.

Limitações e precauções a não esquecer

O meio espanhol lembra que este tipo de cozedura exige alguns cuidados. Um tempo excessivo ou uma potência demasiado elevada pode secar a polpa ou até queimar certas zonas do fruto.

  • Vigiar a cozedura em intervalos curtos.
  • Nunca dispensar o corte prévio, para evitar qualquer risco de rebentamento.
  • Manusear as castanhas com cuidado ao retirá-las do micro-ondas, pois permanecem muito quentes.

O texto refere ainda que os apreciadores do sabor fumado, característico das castanhas preparadas numa lareira ou num braseiro, não encontrarão exactamente os mesmos aromas no micro-ondas. Esta técnica privilegia sobretudo a rapidez e a praticidade, não a reprodução fiel do sabor das castanhas assadas ao ar livre.

Esta cozedura rápida procura, antes de mais, facilitar a descasca e reduzir o tempo de preparação, mesmo que isso implique perder parte do encanto das castanhas assadas em lume de lenha.

Em França, hábitos de cozedura profundamente enraizados

Em França, a castanha integra a paisagem gastronómica de outono, sobretudo nas regiões montanhosas e na Ardèche, onde beneficia de uma indicação geográfica protegida. A preparação tradicional continua a passar pelo forno ou pela frigideira, por vezes directamente sobre as brasas.

Os utensílios mais comuns são:

  • A frigideira perfurada, colocada sobre brasas ou sobre uma chama forte.
  • A placa de cozinha ou o forno doméstico, depois de feito um corte em cada fruto.
  • A panela grande de água a ferver, para castanhas destinadas a puré ou recheio.

Já o micro-ondas raramente é mencionado nos livros de receitas ou nas preparações familiares dedicadas à castanha. Ainda assim, a lógica exposta pelo meio espanhol mantém-se válida em França: calor rápido, humidade e uma pele que se solta mais facilmente.

Um complemento às técnicas francesas, não uma substituição

Para um leitor francês, esta técnica vinda de Espanha pode representar mais uma opção, a par dos métodos de cozedura já conhecidos. Não elimina o recurso ao forno ou à frigideira, mas oferece uma alternativa prática quando se pretende preparar depressa uma pequena quantidade de castanhas descascadas para:

  • uma salada morna com bacon e croutons;
  • um acompanhamento rápido para aves;
  • uma base para sopa ou creme de castanhas;
  • uma sobremesa simples, com um fio de mel ou xarope de ácer.

O micro-ondas não tem um estatuto particular no direito francês nem na regulamentação alimentar, mas a Agência Nacional de Segurança Sanitária recorda, de forma geral, que todos os aparelhos de cozedura devem ser utilizados de acordo com o manual de instruções e com recipientes adequados, de modo a evitar riscos de queimadura ou sobreaquecimento.

Como escolher castanhas para acertar nesta cozedura

Independentemente do método escolhido, o êxito da preparação depende em parte da qualidade do fruto. Os princípios recordados pelo meio espanhol podem ser aplicados sem dificuldade em França.

Critério A privilegiar A evitar
Aspecto exterior Casca brilhante, bem fechada Fendas, furos, manchas escuras
Peso na mão Fruto pesado, com sensação de densidade Sensação de vazio, fruto muito leve
Textura Casca dura, sem flexibilidade Casca mole, ligeiramente afundada

Um fruto em bom estado suporta melhor a passagem pelo micro-ondas e mantém-se mais firme durante a descasca. Uma castanha danificada ou demasiado seca tende a abrir fendas ou a endurecer ainda mais, tornando esta técnica menos eficaz.

Algumas utilizações saborosas para castanhas bem descascadas

Depois de serem facilmente descascadas com este método, as castanhas podem ser usadas de muitas formas na cozinha. O meio espanhol recorda a utilização tradicional como guarnição salgada ou acompanhamento de carnes. Em França, as castanhas entram também na preparação de:

  • recheio para peru ou capão de fim de ano;
  • puré de castanhas servido com caça;
  • sopas e cremes aveludados de outono, combinados com abóbora hokkaido ou cogumelos;
  • sobremesas como creme de castanhas, entremets e troncos de Natal.

Ter castanhas descascadas disponíveis rapidamente pode levar alguns lares a utilizá-las mais vezes durante a semana, e não apenas em refeições festivas ou nos mercados de Natal.

Esta técnica chegada de Espanha enquadra-se, em última análise, numa tendência mais ampla e também presente em França: poupar tempo na cozinha sem abdicar dos produtos da época. O micro-ondas, durante muito tempo limitado ao reaquecimento de pratos preparados, ganha assim uma utilização nova e muito concreta para aproveitar mais facilmente as castanhas de outono.

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Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

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