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Um estudo da Texas A&M University liga o café ao recetor NR4A1 e ao envelhecimento

Jovem cientista em laboratório a beber uma chávena de café com microscópio e equipamentos científicos à frente.
Neste artigo
  1. Benefícios do café no envelhecimento
  2. Café e NR4A1
  3. Preparar café para testes laboratoriais
  4. Pistas sobre os benefícios do café para a saúde
  5. O café abranda o crescimento do cancro
  6. Como atuam os compostos do café no NR4A1
  7. A cafeína tem um papel menor
  8. Efeitos anti-inflamatórios do café
  9. Um sistema de sinalização nutricional
  10. Estudos futuros sobre café e NR4A1
  11. Café, envelhecimento e NR4A1

Para milhões de pessoas, o café é o primeiro passo do dia: uma chávena acabada de preparar que ajuda a passar do sono à concentração. Em Portugal, seja um café expresso ao balcão ou uma caneca em casa, este hábito é muitas vezes visto apenas como um pequeno prazer diário.

No entanto, a ciência tem vindo a sugerir que esta bebida pode ter um papel mais relevante do que simplesmente dar energia. Uma chávena de café poderá fazer muito mais no organismo.

Um novo estudo da Texas A&M University mostra como compostos presentes no café interagem com um recetor no interior das células.

Esta interação pode ajudar a explicar porque é que os consumidores de café tendem a viver mais tempo e a enfrentar menos doenças.

Benefícios do café no envelhecimento

Há anos que os cientistas estudam o café. Grandes estudos populacionais revelam uma tendência clara: quem bebe café com regularidade tende a apresentar menor risco de problemas como diabetes, doença cardíaca e alguns tipos de cancro. Também apresenta menor mortalidade global.

Este padrão tem intrigado os investigadores. O café representa apenas uma pequena parte da alimentação, mas os seus efeitos parecem ser abrangentes.

“O café tem propriedades conhecidas de promoção da saúde”, afirmou o Dr. Stephen Safe, professor distinto e coautor do estudo.

“O que demonstrámos é que alguns desses efeitos podem estar ligados à forma como os compostos do café interagem com este recetor, que participa na proteção do organismo contra danos induzidos pelo stress.”

A maioria das explicações tem-se centrado nos antioxidantes. O café contém muitos compostos que reduzem a inflamação, mas ainda não era claro como esses efeitos se traduzem em benefícios de saúde a longo prazo.

Café e NR4A1

A nova investigação centra-se num recetor chamado NR4A1. Este recetor encontra-se dentro das células e responde a determinadas moléculas. Quando é ativado, pode alterar a forma como os genes funcionam.

O NR4A1 torna-se ativo durante situações de stress ou lesão. Ajuda a limitar os danos e apoia a recuperação.

“Se danificarmos quase qualquer tecido, o NR4A1 responde para reduzir esse dano”, explicou Safe. “Se retirarmos esse recetor, os danos são mais graves.”

Estudos em animais apoiam esta função. Ratos sem este recetor sofrem lesões mais severas. Os que o mantêm intacto tendem a viver mais tempo. Nos humanos, os níveis de NR4A1 diminuem com a idade, o que torna a sua função ainda mais importante.

Preparar café para testes laboratoriais

Os investigadores usaram café real de vários países, incluindo Colômbia e Guatemala. Prepararam-no de uma forma que reflete o consumo quotidiano.

Depois, testaram tanto a capacidade dos extratos de café para se ligarem ao NR4A1 como compostos individuais presentes no café.

Métodos avançados permitiram medir a força com que cada composto se ligava ao recetor.

Pistas sobre os benefícios do café para a saúde

Os resultados mostraram uma ligação clara. Os extratos de café interagiram com o NR4A1, tal como vários compostos importantes.

O ácido cafeico e o ácido clorogénico demonstraram forte afinidade. O ácido ferúlico e compostos relacionados também se ligaram ao recetor.

Dois compostos menos conhecidos, o kahweol e o cafestrol, revelaram uma ligação ainda mais forte.

“O que estamos a dizer é que pelo menos parte dos benefícios do café para a saúde pode resultar da ligação e ativação deste recetor”, disse Safe.

Estas conclusões sugerem que o café atua ao nível celular. Não é apenas um estimulante: pode influenciar a forma como as células respondem ao stress.

O café abranda o crescimento do cancro

A equipa também testou células cancerígenas. Utilizou um tipo de célula que depende do NR4A1 para crescer, o que ajudou a estudar como os compostos do café afetam o comportamento celular.

Os extratos de café abrandaram o crescimento destas células. Os compostos isolados tiveram efeitos semelhantes. Quando os investigadores reduziram os níveis de NR4A1, os efeitos enfraqueceram.

Isto demonstra uma ligação clara: os compostos do café afetam o crescimento das células cancerígenas através deste recetor.

Como atuam os compostos do café no NR4A1

Análises adicionais revelaram que o NR4A1 possui dois locais de ligação. Compostos diferentes ligam-se a zonas distintas.

Os polifenóis, como o ácido cafeico, ligam-se a um local. Moléculas maiores, como o cafestrol, ligam-se a outro. Isto permite que muitos compostos do café atuem em conjunto.

Esta pode ser a razão pela qual o café, apesar de ser uma mistura complexa, produz efeitos consistentes.

A cafeína tem um papel menor

A cafeína costuma receber mais atenção. É responsável pela sensação de alerta depois de beber café. Mas, neste estudo, teve um papel mais reduzido.

Embora se tenha ligado ao recetor, mostrou um impacto limitado na sua atividade.

“A cafeína liga-se ao recetor, mas não faz muito nos nossos modelos”, observou Safe. “Os compostos poli-hidroxilados e polifenólicos são muito mais ativos.”

Isto sugere que muitos dos benefícios do café resultam de outros compostos. Também ajuda a explicar porque o café descafeinado continua a apresentar efeitos positivos para a saúde.

Efeitos anti-inflamatórios do café

Os investigadores estudaram ainda células imunitárias. Expuseram essas células a uma substância que desencadeia inflamação.

Os compostos do café reduziram esta resposta inflamatória, apoiando a ideia de que o café tem efeitos anti-inflamatórios.

Estes efeitos voltam a ligar-se ao NR4A1. O recetor parece ajudar a regular a resposta do organismo ao stress e à inflamação.

Um sistema de sinalização nutricional

As conclusões apontam para uma ideia mais ampla: o NR4A1 poderá funcionar como um sensor de nutrientes. Responde a compostos presentes em alimentos de origem vegetal.

Outros estudos mostraram que moléculas de alimentos como o vinho tinto também interagem com este recetor. O café junta-se agora a essa lista.

Isto sugere que a alimentação pode influenciar a saúde celular através de sinais específicos. Ao longo do tempo, esses sinais podem apoiar a resiliência do organismo à medida que envelhece.

Estudos futuros sobre café e NR4A1

O estudo tem limitações. As experiências utilizaram concentrações superiores às encontradas no organismo depois de beber café.

O trabalho também foi realizado em células, e não em humanos. É necessária mais investigação para confirmar estes efeitos em condições reais.

“Existem muitos recetores e muitos mecanismos envolvidos”, afirmou Safe. “O que mostramos é que esta pode ser uma das vias importantes.”

Também salientou que muito continua por esclarecer. “Ainda há muito trabalho a fazer. Estabelecemos a ligação, mas precisamos de compreender melhor a importância dessa ligação.”

Café, envelhecimento e NR4A1

Esta investigação acrescenta uma nova perspetiva a um hábito familiar. O café é mais do que uma fonte de energia: é uma mistura de compostos que interage com o organismo e pode influenciar o envelhecimento.

“O café é uma mistura muito complexa de compostos”, disse Safe. “É uma combinação muito potente.”

Da próxima vez que beber café, talvez o veja de outra forma. Por baixo do sabor e do calor, pequenas moléculas já estão a atuar dentro das suas células.

“Penso que isto ajuda a explicar porque é que o café tem os efeitos que tem”, observou Safe. “Não é apenas uma observação; existe um mecanismo por detrás disso.”

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Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

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