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Vidro colorido e cerâmica: as novas estrelas da sala de estar

Mulher a ligar a luz numa sala acolhedora com sofá, plantas e mesa com flores e livros.
Neste artigo
  1. Porque é que o boom do rattan está a perder encanto
  2. Vidro colorido: brilho quente em vez do aspecto entrançado
  3. Cerâmica: quando o candeeiro se torna uma escultura
  4. Como pendurar correctamente vidro e cerâmica: dicas de altura
  5. Ajustes finais: que detalhes completam o novo visual?
  6. O que considerar antes da compra

Um novo visual ganha agora protagonismo e está a transformar salas de estar inteiras.

Quem comprou um candeeiro nos últimos anos certamente o reconhece: o candeeiro suspenso entrançado, feito de materiais naturais e muitas vezes vendido como emblema do «chic boémio». Em muitas casas, porém, já não corresponde ao desejo de serenidade, qualidade e menos produtos produzidos em massa. Nesta primavera, as atenções voltam-se para materiais diferentes, acolhedores, mas com uma presença claramente mais madura e intemporal.

Porque é que o boom do rattan está a perder encanto

Quando uma tendência está em todo o lado, torna-se indiferenciada

Os candeeiros de rattan e de ráfia estão por toda a parte: em cafés, alojamentos de férias, quartos de criança e showrooms. É precisamente essa omnipresença que se tornou o seu problema. Aquilo que antes parecia uma ruptura descontraída com o estilo habitual transmite hoje, muitas vezes, a sensação de uma solução-padrão de loja de mobiliário.

Muitas pessoas sentem que estão sempre nas mesmas salas: madeira clara, grandes sofás bege, um tapete de fibras à frente e, por cima, o inevitável candeeiro entrançado. Quem vê a casa como um refúgio procura cada vez mais peças que não apareçam em qualquer segundo espaço.

«Os espaços habitacionais parecem mais tranquilos quando nenhum objecto grita tendência e todos revelam personalidade.»

Além disso, o aspecto muito natural e ligeiramente rústico só combina de forma limitada com linhas depuradas, detalhes metálicos e tecidos de qualidade. Em interiores modernos e minimalistas, os candeeiros entrançados depressa parecem improvisados, quase como uma compra temporária.

Mais serenidade, menos excessos decorativos

Muitos especialistas em planeamento de interiores observam uma mudança clara para a estética do «Slow Living»: menos peças, melhor qualidade e maior durabilidade. A iluminação assume aqui um papel decisivo. Afinal, um candeeiro suspenso está precisamente no local onde se passa tempo todos os dias e influencia mais o ambiente do que, por vezes, um sofá.

Procuram-se luminárias que:

  • não sobrecarreguem o espaço, mas lhe dêem ordem;
  • funcionem também de dia como objectos de design;
  • se mantenham estilisticamente actuais durante o maior tempo possível, em vez de parecerem datadas ao fim de dois anos.

É exactamente aqui que entram dois materiais cada vez mais presentes nas colecções actuais e em projectos de arquitectura de interiores: o vidro colorido e a cerâmica.

Vidro colorido: brilho quente em vez do aspecto entrançado

Como o vidro colorido altera a luz no espaço

O vidro colorido regressa em força, não nos carrinhos de bar, mas no tecto. Âmbar, cinzento-fumo, verde-pinheiro ou azul profundo: as tonalidades mantêm-se sóbrias e elegantes, enquanto o efeito surpreende.

Face às fibras naturais, o vidro tem uma vantagem essencial: distribui a luz de maneira uniforme. Em vez de feixes de luz duros e isolados, cria-se uma luminosidade suave e quente, particularmente indicada para salas de estar.

«Uma única esfera de vidro sobre a mesa de centro pode transformar toda a atmosfera de uma divisão - sem móveis novos nem trabalhos de pintura.»

Efeitos habituais do vidro colorido na sala de estar:

  • Durante o dia, as luminárias parecem esculturas de vidro discretas que reflectem a luz solar.
  • À noite, a coloração cria uma atmosfera luminosa suave, quase cinematográfica.
  • Ao anoitecer, surgem reflexos bonitos nas paredes e no mobiliário, tornando o espaço mais vivo.

Muitos modelos têm preços surpreendentemente acessíveis, pois o vidro pode ser produzido industrialmente com facilidade. Basta um globo de vidro bem escolhido para substituir um antigo candeeiro entrançado, sem consumir todo o orçamento destinado à decoração da casa.

Que estilos de decoração combinam particularmente bem com vidro?

O vidro colorido permite combinações variadas, nomeadamente com:

  • mobiliário Mid-Century em nogueira;
  • sofás minimalistas em lã ou tecido bouclé;
  • estantes metálicas pretas ou em latão;
  • pavimentos de betão ou pedra que precisem de alguma suavidade.

Para um resultado mais discreto, escolha tons quentes, como mel ou fumo. Quem preferir uma opção arrojada pode usar um único pendente de vidro azul-escuro como ponto focal. O essencial é que a forma e a cor do candeeiro estejam em harmonia com as dimensões da divisão: em salas pequenas, uma grande esfera de vidro transparente resulta, em regra, melhor do que várias luminárias miniatura.

Cerâmica: quando o candeeiro se torna uma escultura

Superfícies feitas à mão em vez de brilho perfeito

A segunda grande tendência apresenta-se de forma mais telúrica: candeeiros suspensos em cerâmica, muitas vezes moldados à mão e com marcas visíveis do trabalho artesanal. Pequenas irregularidades, textura no vidrado e rebordos assumidamente imperfeitos são precisamente aquilo que lhes dá encanto.

A cerâmica oferece três qualidades marcantes:

  • Carácter: cada candeeiro parece uma peça única, mesmo quando é produzido em série.
  • Profundidade material: os acabamentos mate ou ligeiramente brilhantes captam a luz de outra forma que o metal ou o plástico.
  • Durabilidade: a cerâmica não se deforma, quase não perde a cor e é feita a partir de matérias-primas naturais.

«Um candeeiro pendente de cerâmica não fica simplesmente suspenso - dá ancoragem ao espaço, quase como uma obra de arte.»

Em termos de cor, predominam os tons naturais: areia, ocre, terracota, branco quebrado e castanho-chocolate profundo. Por isso, estas luminárias combinam na perfeição com madeira, linho, lã e pedra.

Como os candeeiros de cerâmica alteram o estilo da sala de estar

Quem trocar um candeeiro suspenso entrançado por um modelo em cerâmica percebe rapidamente a diferença: a divisão parece mais enraizada e, ao mesmo tempo, mais adulta. A habitual nota de «casa de férias junto ao mar» passa para segundo plano, dando lugar a uma atmosfera tranquila, quase de atelier.

Os candeeiros de cerâmica funcionam especialmente bem em espaços com:

  • tapetes espessos de aspecto lanoso;
  • mesas de jantar robustas em carvalho ou freixo;
  • cortinas de linho em tons naturais;
  • poucos acessórios, escolhidos com cuidado.

Quem quiser pode combinar dois pendentes pequenos de cerâmica sobre a mesa de centro ou um banco. As formas assimétricas revelam-se, muitas vezes, mais interessantes do que círculos perfeitos.

Como pendurar correctamente vidro e cerâmica: dicas de altura

Qual é a distância ideal?

Uma luminária nova instalada à altura errada perde logo o efeito pretendido. Algumas referências simples ajudam a planear:

  • Nas zonas onde se circula por baixo do candeeiro, o ponto mais baixo deve ficar a cerca de 2 metros acima do chão.
  • Sobre uma mesa de centro, normalmente basta uma altura de cerca de 1,60 metros. Desta forma, a luminária cria uma ilha visual sem atrapalhar a circulação.
  • Vários pendentes pequenos de vidro tornam-se interessantes quando são suspensos a alturas diferentes, formando um conjunto descontraído.

Em apartamentos antigos com tectos altos, vale a pena usar cabos mais compridos e trazer o candeeiro um pouco mais para baixo. Em divisões mais baixas, prefira formas compactas, próximas do tecto, para evitar uma sensação opressiva.

Ajustes finais: que detalhes completam o novo visual?

Combinar metais, tecidos e cores com critério

Quem optar por vidro ou cerâmica deve ajustar alguns apontamentos da sala de estar para que o espaço pareça coerente:

  • Vidro colorido combina bem com latão escovado ou preto mate. Mesas auxiliares pequenas, molduras ou estantes podem retomar esse acabamento.
  • Cerâmica pede textura. Cortinas de linho, almofadas texturadas e tapetes espessos reforçam a impressão artesanal.
  • Paleta de cores: duas ou três cores principais são suficientes. Demasiados tons retiram protagonismo ao candeeiro.

Um regulador de intensidade também é prático: as luminárias de vidro e cerâmica reagem de forma sensível à luminosidade. Com menos intensidade, cria-se rapidamente um ambiente acolhedor para a noite; com mais luz, tornam-se adequadas para ler ou trabalhar na zona de estar.

O que considerar antes da compra

Qualidade, manutenção e efeito da luz no dia-a-dia

Quem troca o «clássico boémio» por vidro ou cerâmica não deve decidir apenas pela aparência. Há três aspectos que compensam a longo prazo:

  • Espessura do vidro: o vidro muito fino parece barato e pode encandear de forma desagradável. É preferível optar por vidros um pouco mais espessos e de boa qualidade.
  • Cor interior: na cerâmica, a parte interna é relevante. Superfícies interiores claras reflectem mais luz; as escuras criam uma atmosfera íntima.
  • Limpeza: o vidro acumula pó e evidencia dedadas. Um pano macio é quase indispensável. A cerâmica é menos sensível, mas não tolera produtos de limpeza agressivos.

Em caso de dúvida, faça um teste antes de pendurar definitivamente a luminária: fixe o candeeiro de forma provisória, experimente várias lâmpadas - branco quente, branco neutro e diferentes intensidades - e observe o resultado em diferentes momentos do dia. Assim, será mais fácil perceber se a luminária responde bem às exigências do quotidiano.

Abandonar o candeeiro entrançado convencional vale sobretudo a pena quando o novo modelo se adequa verdadeiramente à forma de viver de cada pessoa. O vidro ou a cerâmica podem dar à sala de estar um carácter claro e adulto, sem lhe retirar o calor que tantos procuram quando chegam ao sofá ao final do dia.

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Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

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