Consumo de fruta ao jantar e controlo da glicose noturna
O consumo de fruta ao jantar está ligado a um melhor controlo da glicose noturna em adultos obesos, contrariando a narrativa alarmista que tem circulado sobre comer fruta a essa hora, de acordo com um estudo.
Juan José Martín Olmedo, investigador da Universidade de Granada e primeiro autor do trabalho, sublinhou: "Uma narrativa alarmista espalhou-se nas redes sociais, demonizando o açúcar das frutas e desencorajando o seu consumo, sobretudo à noite, mas os nossos dados mostram precisamente o contrário".
Como foi conduzido o estudo da Universidade de Granada
A investigação, coordenada pela Universidade de Granada e publicada na revista 'Clinical Nutrition', procurou perceber de que forma cada refeição do dia se relaciona com a resposta glicémica que se segue em adultos obesos.
Para isso, os participantes recorreram a um monitor contínuo de glicose durante 14 dias - um pequeno sensor que acompanha de forma contínua os níveis de glicose no sangue.
Ao longo desse período, foi registada a ingestão alimentar, com atenção particular ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar.
Com estes dados, os investigadores conseguiram associar cada refeição à respetiva resposta glicémica no quotidiano dos participantes, fora de ambientes laboratoriais controlados, oferecendo assim uma visão mais generalizável dos resultados.
Resultados por refeição: pequeno-almoço, almoço e jantar
Segundo a universidade, pequenos-almoços com maior consumo de fruta, produtos lácteos, café ou chá sem adição de açúcar e proteínas estiveram associados a menor variabilidade glicémica subsequente, algo considerado benéfico para a saúde.
Em sentido inverso, almoços com maior presença de hidratos de carbono foram relacionados com maior variabilidade glicémica nas horas seguintes.
Já ao jantar, uma ingestão mais elevada de fruta foi associada a uma melhor resposta glicémica noturna, enquanto bebidas alcoólicas, carnes processadas e pão ou massa refinados apresentaram o efeito contrário.
O que torna esta avaliação diferente
A principal novidade do estudo, destacaram os autores, está na avaliação "exaustiva", em condições reais, da relação entre a composição de cada refeição principal e a resposta glicémica subsequente.
Juan José Martín Olmedo, juntamente com Lucas Jurado Fasoli, autor sénior, salientou que os resultados reforçam o papel benéfico das frutas, incluindo ao jantar.
Além do teor de açúcar, Martín explicou que as fibras e os compostos bioativos tendem a favorecer uma melhor resposta glicémica subsequente, acrescentando que, numa população com risco elevado de diabetes tipo 2, abdicar de fruta por receios infundados "pode até ser contraproducente".
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