Os pais trabalharam na hotelaria e na restauração até se reformarem, uma área que Nuno Oliveira Santos considera “extraordinariamente difícil para o equilíbrio familiar”. Quando foi entrevistado por Bernardo Trindade, então secretário de Estado do Turismo, para integrar o Turismo de Portugal, o governante identificou de imediato o principal valor do seu percurso: “disse-me que o mais importante que tinha no currículo era ser filho de um cozinheiro e de uma empregada de mesa”, recorda.
Mais tarde, ao coordenar uma rede de escolas de hotelaria e turismo, percebeu ainda melhor a relevância dessa vivência familiar. Ao longo de quatro anos, encontrou igualmente razões para reforçar a sua confiança no país: “Um país de gente trabalhadora, de gente que se for bem orientada, pode ir muito longe”,
Nuno Oliveira Santos e o valor da educação
Hoje diretor-geral da Devoteam Portugal e vice-presidente do grupo, Nuno Oliveira Santos construiu uma carreira entre empresas de tecnologia e entidades públicas. É licenciado em Economia pela Universidade Católica Portuguesa, tem um MBA pelo The Lisbon MBA Consortium e formação avançada no INSEAD. No seu percurso contam-se passagens pela Inetum, Microsoft e Avanade, bem como pelo Turismo de Portugal e pela Agência para o Desenvolvimento e Coesão.
Aos 27 anos, já fazia parte da comissão executiva do Turismo de Portugal. Contudo, o interesse pelo país, pelo mundo e pela política surgiu muito antes de assumir essas funções: “Interessei-me cedo pelo país, pelo mundo e pela política. Devo-o aos jornais. Até tinha alcunha de telejornal”.
A educação mantém-se, para si, como um fator determinante. “Procuro que o meu exemplo seja inspirador para outros no que diz respeito à escola como elevador social”, diz.
Liderança, Devoteam Portugal e gestão
Na forma como entende a liderança, confiança e responsabilidade são inseparáveis: “O líder é a pessoa a quem se dá as chaves da casa, do carro e ficamos descansados”. Para além de ocupar uma posição, é preciso demonstrar que se merece estar nela. “Como líder procuro ter um sentido de responsabilidade que justifique o meu estatuto”, afirma.
É com este grau de exigência que assume a operação portuguesa da Devoteam, marcada pelo percurso da Bold e pela herança deixada pelo fundador, Bruno Mota. A mudança traz também desafios organizacionais: considera que a presença quotidiana de um fundador costuma conduzir a processos menos formalizados, pelo que a gestão de uma cultura informal se torna um dos pontos centrais numa estrutura empresarial.
Esta exigência dirigida aos líderes está igualmente presente na sua análise dos desafios económicos portugueses. “Cerca de 80% do problema da produtividade é dos líderes e dos gestores”, defende, sustentando que o país tem de elevar a qualidade da gestão. Critica a dependência de financiamento externo, sublinhando que “Portugal tem um problema de vício com dinheiro que não ganha, mas que recebe”, e aponta outras prioridades: “Se eu fosse programador de fundos, jogaria tudo na educação, nas infraestruturas e não nas empresas”.
O CEO é o limite
O CEO é o limite é o podcast do Expresso dedicado à liderança e às carreiras. Semanalmente, a jornalista Cátia Mateus dá a conhecer os gestores portugueses que marcaram o passado, os que conduzem o presente e aqueles que prometem transformar o futuro, mostrando quem são, como começaram e o que fizeram para alcançar o topo. São histórias inspiradoras, narradas na primeira pessoa por quem decidiu fazer acontecer.
Se tiver histórias de liderança inspiradora para partilhar, conhecer um líder que tenha marcado o seu percurso profissional, tiver dúvidas sobre carreira ou assuntos que gostaria de ouvir abordados neste podcast, escreva para [email protected]. Queremos ouvi-lo e conhecê-lo melhor.






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