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Fruta com bolor: é seguro cortar a parte afectada e comer o resto?

Pessoa a cortar morango num tabuleiro de madeira, com bagas e fruta fresca numa bancada clara.

Abrir o frigorífico e dar com uma fruta com um pequeno ponto de bolor é uma situação bastante habitual. Perante isto, muitas pessoas limitam-se a cortar a parte estragada e a comer o que sobra. A questão é: será que remover apenas a zona visivelmente afectada chega para garantir que o alimento é seguro?

A resposta varia sobretudo consoante o tipo de alimento. No caso de frutas macias e muito ricas em água - como morango, uva, pêssego, papaia e melancia - a opção mais segura é deitar fora a fruta inteira assim que houver sinais de bolor. A razão é simples: os fungos conseguem alastrar para o interior antes de serem detectados a olho nu.

O que vemos à superfície é apenas uma parte do fungo. Em alimentos macios, as suas estruturas podem penetrar no alimento e alcançar zonas que, à primeira vista, ainda parecem normais. Por isso, retirar apenas o pedaço com bolor não significa necessariamente eliminar a contaminação”, explica Natália Ipaves, coordenadora de Nutrição da Faculdade Anhanguera.

Além do fungo em si, algumas espécies podem produzir micotoxinas - substâncias tóxicas que podem representar riscos para a saúde. Comer alimentos deteriorados também pode desencadear sintomas gastrointestinais, sobretudo em pessoas mais sensíveis.

Quando é possível aproveitar?

Com frutas e vegetais mais firmes, a avaliação é diferente. Em alimentos com menor humidade e uma estrutura mais rígida, uma contaminação superficial tende a ter mais dificuldade em penetrar profundamente. Ainda assim, é preciso ter cautela.

Não basta raspar o ponto de bolor ou retirar uma camada muito fina. Quando se considera seguro aproveitar esse tipo de alimento, é importante remover uma margem generosa à volta e por baixo da zona afectada, evitando que a faca entre em contacto com o bolor e volte a contaminar a parte preservada”, orienta a professora.

Frutas muito maduras, amolecidas, com cheiro diferente, alteração de sabor, presença de líquido ou vários pontos de bolor devem ser descartadas. Se houver dúvidas quanto à extensão da deterioração, a recomendação é não consumir.

E as outras frutas que estavam juntas?

Ao encontrar uma fruta com bolor dentro de uma embalagem, também é essencial observar as restantes. Morangos, uvas e outras frutas guardadas muito próximas podem entrar em contacto com os fungos e deteriorar-se rapidamente.

A orientação é retirar de imediato a unidade estragada e inspecionar cuidadosamente as outras. As frutas que estiverem amolecidas, pisadas ou com qualquer sinal de bolor também devem ser deitadas fora. As restantes devem ser bem higienizadas e consumidas o mais depressa possível.

Evitar que as frutas ganhem bolor depressa

Alguns cuidados de armazenamento ajudam a prolongar a durabilidade e a reduzir o desperdício:

  • Verifique antes de guardar: retire frutas pisadas ou já deterioradas para não prejudicarem as restantes;
  • Controle a humidade: o excesso de humidade favorece a proliferação de fungos;
  • Armazene correctamente: as frutas que precisam de refrigeração devem ficar em recipientes adequados e à temperatura indicada;
  • Não deixe fruta cortada exposta: depois de cortadas, devem ser refrigeradas e consumidas num curto espaço de tempo;
  • Faça inspeções frequentes: detectar cedo uma unidade deteriorada pode impedir que outras sejam afectadas.

É comum associarmos a segurança apenas ao aspecto do alimento, mas nem toda a contaminação é visível. Quando uma fruta macia apresenta bolor, tentar aproveitar a parte aparentemente saudável pode representar uma poupança pequena face a um risco desnecessário”, conclui Natália Ipaves.

Por Priscila Dezidério

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