O peixe mais consumido em França é também importado em 99%. Mas tudo vai mudar com esta primeira megafábrica terrestre, instalada na Gironda, que produzirá 10 000 toneladas por ano. As ONG opõem-se, tal como a ministra da Transição Ecológica.
Este é um processo que concentra todas as tensões entre soberania alimentar e soberania ecológica. Apesar da forte contestação das ONG e da oposição declarada da ministra da Transição Ecológica, a prefeitura da Gironda deu luz verde oficial à primeira megafábrica terrestre de salmão em França. Trata-se de um projeto XXL, orçado em 280 milhões de euros, que será financiado não por franceses, mas sobretudo por capitais de um fundo de Singapura.
A empresa responsável por esta megafábrica chama-se, simplesmente, Pure Salmon. A sua missão tem alguma relevância histórica: o salmão é o peixe mais consumido em França, embora 99% seja importado. Algo compreensível, poder-se-ia dizer, tendo em conta as respetivas zonas de pesca, mas também e principalmente a produção em aquicultura, que exige enormes recursos, nomeadamente peixe selvagem para alimentar estes salmões, depois de transformado em farinha ou óleo.
Megafábrica terrestre de salmão: oposição da ministra, mas promessa de 250 empregos diretos
A própria ministra da Transição Ecológica, Monique Barbut, manifestou a sua discordância, a título pessoal, durante uma audição no Senado, em abril passado. A ministra alinhou com a posição de 27 ONG que, através de um «Apelo pelo oceano», denunciaram um projeto totalmente desproporcionado. E há razões para isso: a primeira megafábrica terrestre de salmão em França prevê alcançar uma produção anual de 10 000 toneladas. Para concretizar essa meta, a Pure Salmon conta com um investimento de 280 milhões de euros e com a reconversão de uma antiga instalação industrial abandonada.
Pure Salmon na Gironda: instalação numa antiga zona industrial-portuária
A megafábrica de salmão será implantada na Gironda, numa área industrial-portuária abandonada de 14 hectares, em Verdon-sur-Mer, na ponta do Médoc. Além de dar uma nova utilização a este terreno, a região valorizou igualmente o potencial do projeto para criar emprego. Trata-se, aliás, de uma promessa: 250 empregos diretos.
Foi assim que o projeto obteve as necessárias aprovações, com parecer favorável do Coderst e da comissão de inquérito público. A Pure Salmon também se defende, afirmando ter desenvolvido uma tecnologia de aquicultura de recirculação extremamente controlada, capaz de garantir um impacto mínimo na biodiversidade e uma rastreabilidade irrepreensível.
Produção prevista para o final da década
A entrega das instalações e o arranque da produção desta megafábrica estão previstos para o final da década. Até lá, o debate poderá continuar, bem como a batalha mediática e judicial.
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