Saltar para o conteúdo
Notícias

Mercado de Águeda reúne comércio e serviços públicos após reabilitação

Interior do Mercado Municipal de Águeda com pessoas a comprar e balcões de produtos frescos locais.
Neste artigo
  1. Mercado de Águeda é um "espetáculo"
  2. Alguns reparos
  3. Erro de projeto atrasou obra

O mercado de Águeda voltou a funcionar nesta sexta-feira, depois de profundas obras de reabilitação, e reúne agora comércio e serviços públicos no mesmo espaço. No rés do chão estão os vendedores de fruta, peixe, leitão e outros produtos. Em breve, o primeiro andar receberá uma repartição das Finanças e uma loja da Águas da Região de Aveiro, seguindo-se um restaurante. Apesar da demora da obra, o resultado não parece ter defraudado as expectativas. A inauguração está marcada para 6 de novembro, com a presença do ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida.

Ao JN, o presidente da Câmara, Jorge Almeida, justificou a opção pelos serviços: "Temos espaço na parte de cima e entendemos que era importante instalar alguns serviços incontornáveis para as pessoas, de forma a dinamizar ainda mais o mercado". O autarca salientou que estes ficam numa localização central, com boas acessibilidades e estacionamento.

A coexistência de comércio e serviços está entre as principais novidades, mas há outras. Segundo Jorge Almeida, o espaço distingue-se pela "inovação", que permitirá aos comerciantes "ombrearem com outras superfícies comerciais mais organizadas". Haverá ainda uma vertente de "visitação turística": será lançado em breve um concurso público para um restaurante, tendo em conta a "interligação entre os produtos do mercado e do restaurante".

Mercado de Águeda é um "espetáculo"

Ontem, enquanto servia tremoços aos clientes, Abel Ribeiro não escondia o entusiasmo. O mercado "está um espetáculo, maravilhoso. Agora só temos é de ter muitos clientes", afirmou. Durante as obras, ele e os restantes comerciantes venderam gratuitamente num espaço provisório instalado ao lado. Essa isenção, que considerou uma "mais-valia" para manter os negócios, terminou agora. Nas proximidades existem também vários hipermercados. Apesar disso, Abel mantém o otimismo graças às "boas condições" do mercado: "A gente vai resistir."

Mário Cardoso, vendedor de bacalhau e derivados numa das 61 bancas ocupadas, espera igualmente que o espaço, que considera "muito agradável", consiga atrair "novos clientes". Faltam atribuir nove bancas. A chegada de mais compradores ajudaria a enfrentar as novas despesas e a concorrência.

Alguns reparos

Na visita do JN, ouviram-se algumas críticas, embora os elogios tenham predominado. Carlos Gonçalves, vendedor de fruta, pediu que fosse ajustada a altura da bancada; Rosa Almeida desejava ter um pouco mais de espaço dentro da ilha; e a cliente Fátima Batista acha um "bocado chato" que alguns espaços comerciais estejam voltados apenas para o exterior.

Entre os clientes houve também quem elogiasse o resultado. Maria Moreira, que saiu com dois sacos de compras, disse que o mercado ficou "bonito". Já Lucília Rodrigues da Silva apreciou encontrar "tudo bem dividido por áreas" e ter uma cafetaria agradável onde pode "fazer uma pausa e beber um café".

Erro de projeto atrasou obra

A abertura chegou a estar prevista para o final de 2023, mas os trabalhos atrasaram-se e o custo ultrapassou largamente os 4,5 milhões de euros inicialmente estimados. A fatura total deverá ficar ligeiramente acima dos oito milhões de euros, sendo parte financiada por fundos europeus dos programas Portugal 2020 e 2030.

De acordo com Jorge Almeida, a empreitada já estava em curso quando foi confirmado um "erro de projeto que impedia a sua continuação". Seguiu-se um "calvário administrativo", no decurso do qual o "projetista deixou de responder". Perante a falta de solução, a autarquia avançou para uma "rescisão" com o projetista e intentou uma ação contra ele, que continua em tribunal. Entretanto, foi contratado outro projetista e lançado um novo procedimento para terminar os trabalhos.

O mercado agora concluído dispõe de corredores largos, escadas rolantes e elevador, uma zona logística para cargas e descargas, corredores internos para os vendedores, espaços de frio e balneários. A decoração do teto evoca os guarda-chuvas coloridos que tornaram o município conhecido.

Últimos artigos

Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário