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Estudo recente associa petiscar à noite a maior risco de doença hepática

Mulher a decidir entre fruta saudável e comida rápida numa cozinha durante a noite.

Um estudo com mais de 200 mil participantes, realizado ao longo de 16 anos, aponta para um risco acrescido de doença hepática em pessoas que petiscam depois do jantar ou após a hora habitual de deitar.

Petiscar à noite e risco de doença hepática

A crononutrição, ou seja, a relação entre os horários da alimentação e a saúde, tem sido amplamente investigada pela ciência. Um novo estudo, publicado na revista "Clinical Gastroenterology and Hepatology", sugere que comer um petisco ou algo doce antes de deitar pode prejudicar o fígado.

A análise acompanhou 200 mil participantes durante 16 anos e baseou-se nos hábitos alimentares relatados pelos próprios. As pessoas que disseram comer tarde à noite, depois do jantar, apresentaram uma probabilidade 20% a 30% superior de desenvolver qualquer forma de doença hepática, incluindo cirrose e doença hepática esteatósica associada à disfunção metabólica (MASLD, mais conhecida como doença do fígado gordo).

Melissa Mroz-Planells, professora universitária, investigadora, coautora do estudo e porta-voz da Academia de Nutrição e Dietética, explica: "O nosso metabolismo segue um ritmo circadiano, e comer tarde à noite pode interferir com os processos metabólicos normais, (...) pode agravar o refluxo ácido e facilitar o consumo de calorias em excesso", a par de "poder afetar a regulação da glicose no sangue". Acrescenta que "compreender de que forma os horários das refeições influenciam a saúde do fígado poderá ajudar a identificar estratégias práticas para reduzir o risco de doenças a longo prazo".

Horários das refeições e saúde do fígado

A investigadora ressalva, contudo, que comer um único petisco antes de deitar, de vez em quando, não é necessariamente prejudicial. Num comunicado de imprensa, defende que cada caso deve ser avaliado individualmente: "Comer ocasionalmente alguma coisa à noite não é, por si só, um hábito pouco saudável".

O médico Andrew McHill, também coautor do estudo, sublinha que, "embora não seja possível fazer recomendações clínicas com base nesta análise, os resultados sugerem que é razoável evitar comer antes da hora habitual de deitar ou durante a noite". O investigador acrescenta: "A análise sugere que, se possível, se deve evitar comer nas duas a quatro horas que antecedem a hora habitual de deitar".

McHill defende, ainda assim, a realização de mais análises sobre o tema. Pretende que o estudo agora publicado, cuja síntese pode ser consultada no original, sirva de ponto de partida para futuras investigações sobre a relação entre eventuais pequenas alterações nos horários de ingestão de alimentos e a saúde hepática.

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Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

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