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Cabeludinha - a jabuticaba amarela da Mata Atlântica

Mulher a colher mini kiwis numa árvore em vaso, com cesto de frutos e sumo numa mesa de madeira.
Neste artigo
  1. Por que a cabeludinha recebeu esse nome curioso?
  2. Qual é o sabor da chamada jabuticaba amarela?
  3. Onde essa fruta nativa costuma ser encontrada?
  4. Uma árvore pequena que cabe em jardins e vasos
  5. Quando a cabeludinha produz frutos?

Nem todas as frutas nativas da Mata Atlântica chegam às bancas dos mercados - e a cabeludinha é um bom exemplo. Conhecida também como jabuticaba amarela, distingue-se pela casca amarelo-alaranjada com uma penugem suave, pela polpa sumarenta e pelo sabor doce, com um toque ácido.

Além do interesse pelos frutos, a árvore tem porte compacto e pode ser cultivada em jardins, parques e até em zonas urbanas, desde que tenha boas condições de luz e espaço. É uma espécie que alia valor ornamental e uma produção pouco comum fora dos locais de cultivo.

Por que a cabeludinha recebeu esse nome curioso?

O nome está ligado aos pequenos pelos que revestem a casca do fruto, dando-lhe uma textura aveludada ao toque. Esta particularidade separa a espécie de outras frutas da família das mirtáceas, à qual também pertencem a jabuticaba, a pitanga, o araçá e o cambucá.

A Myrciaria glazioviana é uma árvore frutífera brasileira associada à Mata Atlântica do Sudeste. Os seus frutos redondos tornam-se amarelos à medida que amadurecem e geralmente têm uma ou duas sementes envolvidas por uma camada de polpa clara.

Qual é o sabor da chamada jabuticaba amarela?

A polpa é doce, aromática e ligeiramente cítrica, sendo muitas vezes comparada ao pêssego por quem prova o fruto maduro acabado de apanhar. Alguns pormenores ajudam a identificar um fruto em bom estado:

  • Casca amarelo-vivo ou amarelo-alaranjada;
  • Superfície revestida por uma penugem fina;
  • Textura macia, sem zonas deterioradas;
  • Polpa sumarenta à volta das sementes;
  • Sabor mais doce quando amadurece na árvore.

Onde essa fruta nativa costuma ser encontrada?

A jabuticaba amarela ocorre sobretudo em áreas de Mata Atlântica do Rio de Janeiro, de São Paulo e do sul de Minas Gerais. A urbanização e a presença reduzida nos mercados fazem com que muitas pessoas nunca tenham visto esta fruta, mesmo vivendo em regiões onde a espécie pode ser cultivada.

Na cidade de São Paulo, existem registos de cabeludinha na flora do Parque do Ibirapuera, incluindo em zonas próximas do antigo pomar do parque. A espécie é também cultivada em jardins académicos e colecções botânicas, ajudando a preservar frutas nativas que raramente chegam às prateleiras.

Uma árvore pequena que cabe em jardins e vasos

Quando plantada no solo, a árvore atinge normalmente entre 3 e 6 metros, mas pode manter-se mais baixa com podas e pouco espaço para o desenvolvimento das raízes. O seu porte permite cultivá-la em jardins, vasos grandes e projectos de arborização, desde que tenha luz suficiente e não interfira com a circulação.

  • Escolha um local com sol directo ou meia-sombra luminosa;
  • Utilize solo fértil, rico em matéria orgânica e com boa drenagem;
  • Mantenha regas regulares durante o crescimento da planta jovem;
  • Use um vaso grande, com furos para escoamento da água;
  • Faça podas ligeiras para controlar a forma da copa.

Quando a cabeludinha produz frutos?

A frutificação ocorre geralmente entre Outubro e Dezembro, quando os ramos ficam cobertos de pequenos frutos amarelos com a penugem característica. A colheita deve ser feita quando a casca estiver bem colorida e a polpa já tiver desenvolvido o sabor doce, pois frutos apanhados demasiado cedo podem ser menos aromáticos.

Tal como outras frutas da Mata Atlântica difíceis de encontrar nos mercados, a jabuticaba amarela é delicada e é aproveitada sobretudo perto do local onde é cultivada. Plantar esta espécie em jardins e espaços urbanos contribui para conservar uma fruta brasileira com valor ornamental, sabor distinto e boa adaptação a áreas pequenas.

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Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

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