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A Cabana em Arronches: petiscos do chef Luís Figueira e Andreia Cardoso

Chef a servir pizza num terraço rústico, com casal a jantar ao fundo e pratos variados na mesa.

A Cabana em Arronches: acolhimento que faz jus ao nome

A Cabana funciona alinhada numa sequência de casas em Arronches e, mais do que sugerir um espaço pequeno, o nome aponta sobretudo para a proximidade e o calor com que se recebe quem entra. No dia a dia, a casa é movida pelo chef Luís Figueira e pela sua mulher, Andreia Cardoso.

Na parede, um quadro bem-disposto resume o espírito do lugar com estes versos: "na Cabana junto à Praça/ Há petiscos à maneira/ Simpatia e alegria/ Da Andreia e do Figueira". E não é exagero: esta A Cabana, em Arronches, é uma petisqueira de respeito, daquelas que pedem repetição.

Petiscos e especialidades do chef Luís Figueira

Entre os petiscos, há um clássico da casa de que não me canso: as burras. É queixada, levada aqui a um nível assumidamente epicurista. Também merecem aplauso as línguas de porco, trabalhadas pelo mestre Luís Figueira com mão certeira e um toque de originalidade que importa reconhecer. Encontrar esta preciosidade no Alentejo profundo não é nada comum - e sente-se que o prato vem de vida vivida.

As línguas chegam impecavelmente preparadas, num estufado demorado, de textura muito macia, bem apresentado e cheio de sabor. E, quando o tomate está no auge, há uma tomatada de frango que é de comover: intensa, brilhante, quase literalmente de ir às lágrimas. São daquelas coisas que só um Alentejo muito particular nos dá.

Do bacalhau ao T-bone: pratos que ficam na memória

Na parte do peixe, faz-se um bacalhau dourado excecional: na prática, está no território do bacalhau à Brás, mas aqui sem cebola. É impossível não associar este registo ao prato celebrizado na Pousada de Elvas - há sabores que ficam connosco para sempre.

Ainda no bacalhau, o chef Figueira criou uma receita inspirada, a que deu o nome de Wellington de bacalhau. A ideia segue a lógica do bife Wellington: duxelle de cogumelos e, no lugar da carne, bacalhau fresco. Para mim, foi novidade absoluta e uma descoberta feliz.

Da grelha sai um T-bone imponente, o corte onde lombo e vazia se encontram. E, para quem vai à carne de porco, há bochechinhas divinais, capazes de encantar da primeira à última garfada. Encontram-se ainda secretos verdadeiros - raridade -, com carne muito tenra e saborosa. As plumas de porco também brilham: maravilhosas e difíceis de largar.

Pode soar a provocação, mas fica a recomendação sem hesitação: a francesinha d’A Cabana. Começou como prato de recurso e, num instante, tornou-se vício; a partir daí, é daquelas coisas que já não se dispensam.

Sobremesas alentejanas para fechar em beleza

Para terminar com doçura, entregue-se à sericaia, uma glória incontestável da nossa doçaria. Há também um fidalgo magnífico, daqueles que se devoram com sofreguidão. E, para elevar ainda mais o final, surge uma tarte de amêndoa conventual que nos deixa às portas do céu.

N’A Cabana, o cuidado no atendimento sente-se sempre - somos tratados “nas palminhas” - e por isso voltamos, vezes sem conta.

Informações úteis

A Cabana
Rua de Olivença, 20, Arronches
Tel.: 969 014 430
Web: Facebook
Das 12h às 15h e das 19h às 22h, de quarta a domingo
Preço médio: 15 euros

"Prato do dia" é um guia Evasões/TSF pelos restaurantes de Portugal. No ar de segunda a sexta, depois do meio-dia e das 18 horas. Também disponível em tsf.pt

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