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Alvarelhão e Lavradores de Feitoria: 25 anos em Sabrosa e descanso na Casa Agrícola da Levada

Grupo de amigos a degustar vinho tinto numa mesa com petiscos, numa vinha ao entardecer.

A recuperação do Alvarelhão, uma casta histórica do Douro, tornou-se mais um bom pretexto para seguir até Sabrosa, onde a Lavradores de Feitoria assinala 25 anos de percurso. E depois dos brindes à mesa, o repouso continua em modo natureza, já em Vila Real.

Alvarelhão no Douro: a casta histórica regressa ao primeiro plano

Os cachos de Alvarelhão foram lembrados por Miguel Torga em diferentes momentos da sua obra. O poeta e escritor duriense descreveu-os como exemplo de "expressão de vida" e "beleza erguida", referindo ainda uma "marca universal da natureza" que é "roxa e retesa".

É precisamente esta mesma casta que tem sido alvo de recuperação - durante muito tempo, foi sobretudo usada em lotes de vinho do Porto - e que agora surge com protagonismo total no Alvarelhão Vinhas do Palácio 2023, um monocasta entre as novas referências lançadas pela Lavradores de Feitoria. O projeto, com base em Sabrosa, reúne 15 produtores e 20 quintas espalhadas pela mais antiga região vitícola demarcada do mundo.

A colheita nasce de vinhas com mais de 100 anos, instaladas na Casa de Mateus, a 400 metros de altitude, e chega em edição limitada de pouco mais de mil garrafas. No copo, traduz-se num tinto de perfil fresco, leve e marcado pela fruta, com apontamentos de fruta fresca, frutos vermelhos, cereja e romã. "É a nossa grande novidade", sublinha Paulo Ruão, enólogo da associação, numa fase em que o coletivo celebra os seus 25 anos. Este primeiro quarto de século coincide com uma vaga de lançamentos: hoje, a Lavradores de Feitoria soma 18 referências no mercado.

Gamas como Lavra, Lavra Altitude, Três Bagos e os vinhos de parcelas ajudam a dar a ler a diversidade do território duriense. "A minha preocupação é sempre ter frescura e leveza", afirma o enólogo, que vê o coletivo como "uma mais-valia". "É como ter uma banda, há mais instrumentos, há mais músicos a tocar, mesmo que as castas sejam as mesas", acrescenta Paulo Ruão.

O coletivo é descrito como um "projeto único" em que os lavradores são também acionistas, criado com o "desígnio de fazer vinhos de grande qualidade, valorizando as uvas que não eram usadas no vinho do Porto. O que torna a Lavradores de Feitoria singular é esta capacidade de se juntarem forças e de se pensar que fazemos melhor juntos do que cada um por si", explica Filipe Caetano, administrador executivo. A adega fica na Quinta do Medronheiro, em Sabrosa, e foi construída há cinco anos; o enoturismo chegou há quatro.

O que fazer e provar na Lavradores de Feitoria

Uma nova gama mineral. Chama-se Lavra Altitude e acrescenta três novas referências ao portefólio da Lavradores de Feitoria: um branco, um tinto e um rosé de perfil fresco, sem madeira e "fáceis de beber e consensuais", como descreve o enólogo. São vinhos feitos com uvas de vinhas acima dos 400 metros de altitude, dando origem a colheitas com mineralidade mais evidente, sobretudo quando comparadas com as da gama Lavra, que vem substituir a antiga gama Lavradores de Feitoria. Na visita, foi este trio que abriu a prova, acompanhado por uma tábua generosa de petiscos locais.

Outras novidades lançadas. Numa passagem pelo coletivo duriense, há mais estreias para provar. Entre os monocastas, contam-se o Três Bagos Sauvignon Blanc 2024 e o Três Bagos Riesling 2019. Na mesma linha, chegam também o Reserva Branco 2024, o Reserva Tinto 2022 e o Grande Escolha Tinto 2019, este último oriundo de vinhas velhas e com um registo clássico. Já o Quinta da Costa das Aguaneiras Tinto 2019, o Vinha do Sobreiro Tinto 2017 e o Meruge Tinto 2021 surgem como tributo à Touriga Nacional, à Touriga Franca e à Tinta Roriz. Nota ainda para o Colheita Tardia Branco 2022.

Atividades no enoturismo. Em Sabrosa, a Lavradores de Feitoria propõe visitas à adega e à vinha, apresentando práticas de viticultura e etapas de vinificação. A experiência pode terminar (ou começar) com provas na sala de degustação com vista panorâmica sobre as vinhas, com diferentes formatos e preços para vários orçamentos (dos 17 aos 125 euros). Mediante marcação, é possível acrescentar uma tábua de enchidos, queijos e petiscos. E, com reserva prévia e numa vertente mais participativa, o visitante pode ser enólogo por um dia, criando o seu próprio lote e levando para casa a garrafa personalizada.

Dormir em Vila Real: natureza e tranquilidade na Casa Agrícola da Levada

Um alojamento rural e familiar

Para completar a passagem pelo Douro, vale a pena reservar noites de descanso na Casa Agrícola da Levada, a poucos minutos de carro da Lavradores de Feitoria - e com o mesmo quarto de século de existência. Em Vila Real, este alojamento gerido por mãe e filha, Inês Albuquerque e Ana Paganini, tem a natureza como prioridade: são sete hectares de floresta, vinha, horta e pomar, com o rio Corgo a atravessar a propriedade.

No total, existem nove casas em pedra: de estúdios para dois a casas com capacidade até oito pessoas. As primeiras recuam ao século XVIII e mantêm uma decoração de traço rústico, com cozinha equipada e pátios onde é possível fazer churrascos. O ambiente familiar sente-se em pequenos detalhes, como baloiços e casinhas de brincar pensadas para os mais novos, colocadas perto do abrigo dos coelhos. Para ocupar o tempo livre, há duas piscinas exteriores, passeios de bicicleta pela propriedade e ainda a opção de levar um cesto de piquenique para o Douro Vinhateiro ou para o Parque Natural do Alvão.

Lavradores de Feitoria
Quinta do Medronheiro, EN 323, Sabrosa
Tel.: 259 937 380
Site: lavradoresdefeitoria.pt
Visitas e provas desde 17 euros

Casa Agrícola da Levada
Rua da Capela Nascente, 1, Vila Real
Tel.: 259 322 190
Site: casadalevada.com
Estúdio desde 95 euros; casas desde 110 euros, com pequeno-almoço

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