Consumir frutas da época é uma forma simples de tornar a alimentação mais saudável, diversificada e económica. Durante agosto, é habitual encontrar com maior facilidade, em mercados e supermercados, frutas como laranja, tangerina, morango, abacate, dióspiro, kiwi, carambola e, em algumas regiões do país, caju. Para além de terem, regra geral, uma melhor relação qualidade-preço, chegam mais frescas ao consumidor e podem conservar melhor as suas propriedades sensoriais e nutricionais.
Segundo Diego Righi, professor de Nutrição da Afya Centro Universitário Itaperuna, as frutas apanhadas no seu período natural de produção apresentam, habitualmente, melhor sabor, aroma e textura, necessitando também de menos tempo de armazenamento e transporte.
“Embora não seja possível afirmar que uma fruta da estação terá sempre mais vitaminas do que a mesma fruta produzida noutra altura do ano, tende a chegar ao consumidor em melhores condições, mantendo as suas características nutricionais quando é colhida no ponto ideal de maturação e consumida pouco depois”, explica.
Frutas típicas de agosto
A Dra. Juliana Couto Guimarães, docente de Nutrologia da pós-graduação da Afya Educação Médica Montes Claros, salienta que a sazonalidade tem ainda outra vantagem relevante: incentivar uma alimentação mais variada.
“Cada fruta possui uma combinação distinta de vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos. Ao diversificarmos os alimentos consumidos ao longo do ano, aumentamos o fornecimento destes nutrientes ao organismo, favorecendo uma alimentação mais completa e equilibrada”, afirma.
Conheça oito frutas típicas de agosto e os seus principais benefícios:
- Laranja: rica em vitamina C, fibras e antioxidantes, contribui para reforçar o sistema imunitário, ajuda na absorção do ferro de origem vegetal e, quando ingerida com o bagaço, favorece o bom funcionamento intestinal;
- Tangerina (mexerica/bergamota): fonte de vitamina C, fibras e compostos antioxidantes, ajuda a fortalecer as defesas do organismo, facilita a absorção do ferro presente nos alimentos de origem vegetal e promove a saúde intestinal, sobretudo quando consumida com o bagaço;
- Morango: fornece vitamina C, fibras e antocianinas, compostos antioxidantes que contribuem para proteger as células e podem favorecer a saúde cardiovascular;
- Abacate: rico em gorduras monoinsaturadas, vitamina E, potássio, folato e fibras, contribui para a saciedade e favorece a saúde cardíaca;
- Dióspiro: disponibiliza fibras, carotenoides e antioxidantes, sendo uma opção naturalmente doce para lanches e sobremesas;
- Kiwi: destaca-se pelo elevado teor de vitamina C e fornece igualmente fibras, potássio e folato, contribuindo para a imunidade e para o bom funcionamento do intestino;
- Carambola: contém vitamina C, fibras e compostos antioxidantes. No entanto, as pessoas com doença renal devem evitar consumi-la sem aconselhamento profissional, devido ao risco de toxicidade;
- Caju: uma das frutas com maior teor de vitamina C, fornece também antioxidantes importantes para a proteção celular e participa na produção de colagénio.
As frutas favorecem a saúde ao longo de todo o ano
Embora muitas pessoas diminuam a ingestão de fruta nos meses mais frios, por associarem estes alimentos aos dias quentes, continuam a ser fontes relevantes de vitamina C e E, carotenoides, potássio, folato, fibras e antioxidantes. Estes nutrientes participam no funcionamento adequado do sistema imunitário e ajudam a proteger as células dos danos provocados pelos radicais livres.
Integradas numa alimentação equilibrada, as frutas ajudam igualmente a controlar a tensão arterial, o colesterol e a glicemia, favorecem a saúde da microbiota intestinal, aumentam a sensação de saciedade e podem contribuir para prevenir doenças crónicas, como a diabetes e as doenças cardiovasculares. Além disso, trocar sobremesas industrializadas por fruta reduz o consumo de açúcares adicionados, gorduras de baixa qualidade e alimentos ultraprocessados.
Como incluir frutas na alimentação diária
Nenhuma fruta, por si só, consegue prevenir ou tratar doenças. O seu efeito benéfico depende da regularidade do consumo, da diversidade e da qualidade global da alimentação. Por esse motivo, o Ministério da Saúde recomenda dar prioridade a alimentos naturais ou minimamente processados, incluindo fruta diariamente na alimentação.
Ao contrário dos sumos, sobretudo quando coados, a fruta inteira conserva melhor as fibras, promove maior saciedade e permite uma absorção mais gradual dos açúcares naturais. Para quem tem menos vontade de a comer durante o inverno, uma opção passa por utilizá-la em preparações quentes, como fruta assada com canela, papas, aveia, iogurtes ou receitas caseiras sem açúcar adicionado.
Também não há uma quantidade única recomendada para todas as pessoas. As necessidades diferem consoante a idade, o nível de atividade física, o estado de saúde e os objetivos nutricionais. Como orientação prática, duas a três porções de fruta por dia são, em geral, adequadas para muitos adultos, em conjunto com o consumo de verduras e legumes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselha os adultos a ingerirem, no total, pelo menos 400 gramas diárias de fruta e produtos hortícolas.
Aproveitar as frutas da época é, assim, uma estratégia que conjuga saúde, economia e sustentabilidade. Mais importante do que optar por uma fruta em particular é variar o consumo ao longo da semana, tendo em conta as preferências, a disponibilidade em cada região e as necessidades individuais.
Por Beatriz Felicio
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