Muitos evitam peixe por receio do mercúrio - mas, curiosamente, uma das opções mais saudáveis na arca do supermercado continua a ser pouco conhecida.
Quando se fala em peixe branco e magro, a escolha mais imediata costuma ser o bacalhau. No entanto, especialistas em nutrição têm apontado para um parente muito próximo, com sabor semelhante, ainda mais “leve” e com baixa tendência para acumular metais pesados. Para grávidas, crianças e pessoas com problemas cardíacos, este peixe pode ser um dos candidatos mais regulares no prato.
Porque é que este peixe se encaixa tão bem numa alimentação saudável
O peixe em causa é a arinca (haddock). No Norte da Europa, é presença habitual na frigideira e no forno; já no espaço lusófono, continua muitas vezes como “segredo bem guardado”. E, ainda assim, reúne exactamente aquilo que muita gente procura: poucas calorias, muito proteína, bons micronutrientes - e, quando comparado com peixes predadores, níveis de mercúrio substancialmente mais baixos.
A arinca pertence ao grupo dos peixes afins do bacalhau e destaca-se por fornecer proteína de fácil digestão. Para quem quer recuperar depois do treino, apoiar a massa muscular ou perder peso sem somar muitas calorias, é uma opção particularmente acertada.
"A arinca está entre os peixes de consumo mais magros - muitas vezes com menos de 1 grama de gordura por 100 gramas."
É precisamente por isso que se adapta bem a quem tem valores elevados de gorduras no sangue, ou a quem está a controlar o peso. Ao contrário de muitos produtos processados, a arinca traz naturalmente poucos lípidos saturados, oferecendo em troca proteína de qualidade e nutrientes importantes para o organismo.
Vitaminas, oligoelementos e proteína: o que a arinca oferece
Ao olhar para o perfil nutricional, percebe-se porque é que tantos profissionais valorizam este peixe. A arinca fornece ao corpo vários componentes essenciais:
- Proteína de elevada qualidade: bem aproveitada pelo organismo, útil para músculo e formação de tecidos.
- Muito pouca gordura: normalmente abaixo de 1 g por 100 g de peixe.
- Vitaminas do complexo B: sobretudo B12 e B3 (niacina), importantes para nervos, energia e formação do sangue.
- Selénio: contribui para o sistema imunitário e apoia a função da tiroide.
- Fósforo: ajuda a manter ossos e dentes e participa no metabolismo energético.
- Ácidos gordos ómega-3: menos do que no salmão, mas ainda assim um contributo útil para coração e vasos sanguíneos.
O selénio merece atenção especial. Este oligoelemento actua como defesa face aos radicais livres e tem papel no metabolismo hormonal da tiroide. Muitas pessoas consomem menos selénio do que seria desejável - incluir peixe com regularidade pode ajudar a colmatar essa falha.
Mesmo que espécies mais gordas, como o salmão, forneçam muito mais ómega-3, a arinca continua a entregar uma quantidade relevante. Estas gorduras ajudam a reduzir triglicéridos e têm acção anti-inflamatória no organismo. Quem, por exemplo, quase não consome nozes ou óleos vegetais ricos em ómega-3, tende a beneficiar ainda mais.
Pouco mercúrio: porque a arinca é vista como um “peixe seguro”
A questão do mercúrio e de outros metais pesados surge frequentemente quando se fala de peixe. Espécies predadoras de grande porte - como atum, peixe-espada ou tubarão - estão no topo da cadeia alimentar e, ao longo da vida, acumulam muito mais contaminantes.
"A arinca aparece em avaliações internacionais como uma das "Best Choices" - ou seja, entre as espécies com valores de mercúrio muito baixos."
A explicação está no seu modo de vida: trata-se de um peixe com ciclo de vida relativamente curto e alimentação baseada sobretudo em pequenos invertebrados do fundo do mar. Com isso, metais como o mercúrio tendem a acumular-se muito menos do que em predadores grandes.
Por essa razão, entidades de saúde - como a FDA nos EUA e institutos nacionais de investigação - consideram a arinca uma escolha segura, incluindo para grupos mais sensíveis:
- Crianças
- Grávidas e mulheres a amamentar
- Pessoas com doenças cardiovasculares
- Quem pretende comer peixe com regularidade
Assim, abdicar totalmente de peixe por medo do mercúrio pode significar perder vantagens importantes sem necessidade. Com espécies como a arinca, é possível encontrar um equilíbrio sólido entre segurança e densidade nutricional.
Arinca ou bacalhau: qual é mais saudável?
Em termos de “família”, os dois estão muito próximos: arinca e bacalhau pertencem ao mesmo grupo, e os valores nutricionais são bastante semelhantes. Ambos são magros, ricos em proteína e pouco calóricos.
| Nutriente (por 100 g) | Arinca | Bacalhau (Atlântico) |
|---|---|---|
| Calorias | aprox. 75–85 kcal | aprox. 75–85 kcal |
| Gordura | muitas vezes um pouco mais baixa | baixa, ligeiramente mais alta |
| Selénio | geralmente um pouco mais alto | alto, mas tendencialmente mais baixo |
| Nível de potássio | tendencialmente mais alto | um pouco mais baixo |
Nutricionistas chegam a descrevê-los como “primos do ponto de vista nutricional”. Na prática, isto quer dizer: quem aprecia bacalhau tem grande probabilidade de também gostar de arinca. As diferenças aparecem nos pormenores:
- A arinca costuma ser ainda mais magra.
- Tende a fornecer mais selénio e potássio.
- Os filetes são mais finos e macios, com ligeira doçura.
- O “cheiro a peixe” é menos marcado.
Por isso, a arinca é uma boa opção para quem não gosta de sabores muito intensos. Muitas crianças aceitam-na melhor, porque a carne é clara, suave e menos dominante.
Como sabe a arinca - e como a preparar bem
A carne da arinca é branca, sumarenta e com um toque ligeiramente adocicado. Essa combinação torna-a muito versátil. Resulta bem com cozeduras suaves, mas também aguenta uma cobertura crocante. Para quem quer preparações simples e fáceis de acertar, estas são boas escolhas:
- Cozida a vapor suavemente com legumes e um fio de azeite
- Assada no forno com limão, ervas aromáticas e alho
- Em filetes com panado crocante - uma alternativa mais leve ao peixe frito tradicional
- Em caldeiradas e guisados com batata e legumes de raiz
Importa notar: quem está a controlar a gordura na alimentação deverá evitar fritar e preferir forno, vapor ou frigideira com pouco azeite/óleo. Assim, o prato fica mais leve e o sabor delicado do peixe destaca-se.
Porque a arinca pode substituir de forma útil a carne vermelha
Muitas pessoas consomem mais carne vermelha do que as sociedades científicas recomendam. Embora forneça proteína, também traz gorduras saturadas, que podem elevar o colesterol LDL. Trocar, de vez em quando, bife ou enchidos por arinca é uma decisão com impacto positivo para coração e circulação.
"A troca regular de carne vermelha por peixe magro é considerada uma das medidas mais eficazes para melhorar o perfil lipídico."
Com essa mudança, o organismo recebe menos gorduras potencialmente desfavoráveis e mais ómega-3, vitaminas do complexo B e oligoelementos. Mesmo uma a duas refeições de peixe por semana podem traduzir-se em melhorias visíveis nos lípidos do sangue e na tensão arterial - sobretudo em quem vinha de uma alimentação muito centrada em carne.
O que observar na hora de comprar
No comércio, a arinca aparece fresca na peixaria ou congelada em filetes. Quem, além da saúde, também se preocupa com o estado dos oceanos, deve olhar para a origem e para o método de captura. Certificações como o selo azul MSC indicam práticas de pesca mais sustentáveis.
Quando está fresca, a arinca deve apresentar carne firme, brilhante e sem odor forte. Já os filetes congelados são práticos para o dia-a-dia: permitem tirar apenas a porção necessária e conservam-se melhor. O ideal é descongelar lentamente no frigorífico, para manter a textura.
Mercúrio, selénio e ómega-3: como tudo se relaciona
Muitos consumidores ouvem falar de mercúrio e ficam inseguros. Este metal acumula-se sobretudo em predadores grandes e longevos. Em espécies como a arinca, a carga é bem inferior, razão pela qual painéis técnicos a recomendam de forma explícita.
Há ainda um ponto particularmente interessante: a relação entre selénio e mercúrio. O selénio pode ligar-se a metais pesados no organismo e ajudar a reduzir os seus efeitos nocivos. O facto de a arinca reunir baixos valores de mercúrio e um teor elevado de selénio torna-a especialmente apelativa do ponto de vista toxicológico.
Em conjunto com os ómega-3 presentes, forma-se um “pacote” que apoia coração, vasos sanguíneos, sistema nervoso e imunidade. Quem só costuma escolher entre salmão e atum pode estar a ignorar um peixe discreto - mas muito eficaz - em termos nutricionais.
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