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LV - Licores do Vale vence Louis Vuitton em disputa de logótipo

Casal feliz numa loja de vinhos, mostrando documento e olhando para o telemóvel numa mesa de madeira.

A autora do logótipo da LV - Licores do Vale celebra o desfecho judicial e deixa um aviso: "O L e o V são de toda a gente". Com a decisão favorável, a marca minhota prepara agora a entrada no mercado.

Decisão do Tribunal da Propriedade Intelectual sobre a marca LV - Licores do Vale

A "LV - Licores do Vale", de Monção, saiu vencedora num litígio de propriedade intelectual que durava há mais de um ano, travado com a casa de luxo francesa Louis Vuitton. A marca francesa tinha acusado o pequeno produtor André Ferreira - que comercializa licores, compotas, mel e biscoitos - de "imitação de marca", defendendo que o deferimento do pedido de registo pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial "propiciaria concorrência desleal".

No centro do conflito esteve a alegada proximidade entre produtos e, sobretudo, a semelhança entre os símbolos. Do lado português, o logótipo foi desenhado por Tânia Afonso e combina um L de licores com um V de vale, invertido. Ainda assim, a decisão do Tribunal da Propriedade Intelectual, publicada a 4 de maio, acabou por dar razão ao produtor e à "LV - Licores do Vale", validando o registo que tinha sido pedido em agosto de 2024.

O casal aguardou a eventual apresentação de recurso por parte da marca de luxo, mas isso não aconteceu. Com o processo encerrado, Tânia Afonso, de 26 anos, diz sentir que a vitória tem um peso pessoal e profissional. "Felizmente, vencemos. Foi mais de um ano de sofrimento da nossa parte. Ter uma marca em tribunal foi uma situação complicada. Esta vitória tem um significado gigantesco para mim, enquanto criadora da marca", afirmou, acrescentando que a decisão demonstra que a Louis Vuitton "não comprou o L e o V do abecedário. O L e o V são de toda a gente".

Trabalho para a escola

André, de 30 anos, natural da freguesia de Longos Vales, em Monção, trabalha como técnico de metrologia e dedica-se à produção de licores nos tempos livres. Para ele, o desfecho representa o reconhecimento de que a acusação não tinha fundamento. "Nada do que foi dito corresponde à realidade. Nunca pensámos em copiar nada".

Tânia explica que a identidade visual contestada nasceu num contexto académico, integrada num "plano de negócios" elaborado durante os estudos em Organização e Gestão de Empresas. "Quem decidiu produzir licores foi o André. Só criei a marca. Na altura, estávamos a conversar e, como o André é de Longos Vales e eu do Vale de Mouro, juntamos os vales. Fiz o logótipo a pensar no projeto para apresentar na escola", relata.

A jovem admite não perceber por que motivo uma insígnia do peso da Louis Vuitton se incomodou com uma marca pequena. "se preocupa com uma marca como a Licores do Vale. Nós, comparados com a gigantesca Louis Vuitton, não somos nada e eles ainda nos queriam reduzir a cinza", lamenta.

Entrada no mercado e planos de marketing

André Ferreira conta que a notificação do processo foi inesperada e transformou um projecto simples num período de enorme tensão. "Uma coisa feita de forma não profissional e sem segundas intenções acabou por ser um drama. Foi assustador", confidencia.

Até ao início do caso, o casal vendia sobretudo em feiras de artesanato e em eventos de produtos locais. Com a marca LV agora livre para avançar, a estratégia passa por entrar no mercado e capitalizar a atenção gerada. "Não é o sonho de ninguém ser processado pela Louis Vuitton, mas é óbvio que deu outra visibilidade à nossa marca e vamos, sarcasticamente, lançar coisas engraçadas. O nosso marketing também irá tocar nesta questão". As novidades, dizem, serão divulgadas em breve no Instagram.

Casal recebe centenas de mensagens

A história, avançada em primeira mão pelo JN em junho de 2025, teve forte impacto nas redes sociais, com a maioria dos utilizadores a manifestar apoio à LV - Licores do Vale. "Quando saiu a notícia, tivemos muitos contactos a apoiar-nos. Do México, Canadá, EUA e Brasil... Recebemos centenas de mensagens. Foi incrível o apoio que tivemos naqueles primeiros dias", recorda André.

Apesar do desgaste do processo, a exposição acabou por levar a pequena marca muito além da região. "Nunca no Brasil saberiam quem são os Licores do Vale, muito menos no México", comenta Tânia.

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