A Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgou, na noite de quinta-feira, um conjunto de recomendações na sequência da tempestade que atingiu várias regiões do país na madrugada de quarta-feira. A ocorrência provocou falhas de energia que, em alguns locais, ainda se mantêm, podendo pôr em causa a qualidade da água para consumo humano e a segurança alimentar.
Segundo o comunicado, “situações como esta afetam a segurança dos alimentos guardados em frigoríficos e arcas congeladoras, bem como a qualidade da água, sobretudo em zonas em que o abastecimento depende de sistemas elétricos”. Para limitar estes riscos, a autoridade de saúde pede a adoção de medidas preventivas e de comportamentos seguros.
Água para consumo e higiene: orientações da DGS
A DGS recomenda que se evite utilizar água proveniente de origens que não estejam ligadas à rede pública de abastecimento, incluindo poços ou minas, uma vez que podem estar contaminados.
A autoridade aconselha ainda a população a não beber água da torneira, nem a utilizá-la para lavar alimentos ou para escovar os dentes, a menos que exista confirmação oficial de que é segura. Sempre que possível, deve ser usada água engarrafada.
“Se não tiver água engarrafada, ferva a água durante 10 minutos antes de a utilizar ou desinfete-a com lixívia sem corantes, detergentes ou perfumes (cerca de 2 gotas por litro de água)”, recomenda, acrescentando que as mãos devem ser bem lavadas antes de manusear água tratada ou alimentos.
Saneamento e gestão de águas residuais
No que respeita ao saneamento, a DGS indica que, quando possível, as instalações sanitárias devem continuar a ser utilizadas. Contudo, não se deve descarregar a água usada caso a rede esteja inoperacional.
As águas residuais, como as resultantes de lavagens, não devem ser despejadas no solo ou em linhas de água. Também os resíduos domésticos e os resíduos sanitários devem permanecer afastados de quaisquer pontos de água.
Segurança alimentar após falhas de eletricidade
Relativamente aos alimentos, a DGS refere que, se a interrupção de energia no frigorífico não tiver ultrapassado 12 horas, é possível que os alimentos tenham permanecido em condições de segurança para consumo.
No caso de hortícolas e fruta - como cenouras, tomates, couve, laranjas ou limões - estes poderão manter-se próprios mesmo para além desse período.
As arcas congeladoras conseguem conservar os alimentos congelados até 48 horas, ou 24 horas se estiverem apenas a meio, desde que a porta se mantenha fechada.
De acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS), os alimentos que, após o restabelecimento da energia, ainda apresentem cristais de gelo ou se mantenham frios como se estivessem refrigerados podem, na maioria dos casos, ser cozinhados ou voltados a congelar.
“Os alimentos que estiveram no frigorífico ou na arca durante a falha de energia devem ser consumidos ou confecionados o mais rapidamente possível e cozinhados com métodos que atinjam temperaturas elevadas (superiores a 75°C)”, sublinha.
A DGS recomenda que sejam avaliados sinais de deterioração e que não se prove comida para confirmar se está boa. Qualquer alimento com odor, cor ou textura invulgares deve ser descartado.
Recomendações de segurança durante tempestades e inundações
A Direção-Geral da Saúde (DGS) aconselha ainda a adoção de cuidados de segurança em contexto de tempestade, como “não atravessar zonas inundadas a pé ou de carro”, uma vez que a água pode ter mais profundidade e ser mais perigosa do que aparenta, devendo também ser evitado o contacto direto com águas de inundação.
Entre outras orientações, a DGS indica a necessidade de limpar e desinfetar superfícies que tenham estado em contacto com água de inundação, usar luvas e botas impermeáveis durante a limpeza, não manusear aparelhos elétricos enquanto existir água acumulada no interior da habitação e, sempre que possível, remover água parada e materiais húmidos para reduzir o risco de bolores.
A autoridade apela igualmente a que se evitem zonas com árvores instáveis ou estruturas danificadas, que se mantenham lanternas e pilhas disponíveis, que se cumpram as instruções das autoridades e que se procure abrigo em locais seguros.
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