Dor ou ardor no estômago, sensação de inchaço, náuseas e mal-estar depois das refeições são queixas muitas vezes atribuídas à gastrite. Ainda assim, nem todas as gastrites têm a mesma causa. Na variante mais frequente, os sintomas costumam estar associados à infeção pela bactéria Helicobacter pylori, ao uso prolongado de medicamentos anti-inflamatórios ou a hábitos alimentares pouco adequados. Já na gastrite autoimune, o próprio sistema imunitário passa a atacar as células da mucosa do estômago.
Embora a alimentação não seja um tratamento para a doença, manter uma dieta equilibrada pode ajudar a atenuar os sintomas e a melhorar a qualidade de vida. De acordo com Priscila Bernardes, professora do curso de Nutrição da Faculdade Anhanguera, a ementa deve dar prioridade a alimentos de digestão fácil e evitar opções que possam irritar o estômago ou agravar o desconforto.
“A alimentação não substitui o tratamento médico, mas tem um papel importante no controlo dos sintomas. A escolha dos alimentos pode ajudar a reduzir o desconforto gástrico, sobretudo quando tem em conta a tolerância individual e é acompanhada por orientação nutricional”, explica.
A seguir, veja alguns alimentos que podem integrar a rotina de quem vive com gastrite autoimune.
1. Banana
A banana tem uma textura macia e é frequentemente considerada uma opção de digestão simples. Além disso, contém fibras solúveis, que contribuem para o funcionamento intestinal e, em geral, tendem a irritar menos o estômago.
2. Aveia
Por ser rica em fibras solúveis - em especial betaglucanas -, a aveia ajuda o bom funcionamento do sistema digestivo e pode promover uma sensação de saciedade mais prolongada. A recomendação é consumi-la sem excesso de açúcar nem acompanhamentos muito gordurosos.
3. Legumes cozidos
Curgete, chuchu, cenoura, batata-baroa e abóbora costumam ser bem tolerados, uma vez que, após a cozedura, ficam com uma consistência mais macia e exigem menos do sistema digestivo. “Preparações cozidas, assadas ou a vapor costumam ser melhor aceites pelo estômago do que alimentos fritos ou muito condimentados”, orienta a especialista.
4. Carnes magras
Frango sem pele, peixe e cortes magros de carne de vaca fornecem proteínas importantes para o organismo e podem ser alternativas bem toleradas quando confeccionadas de forma simples e com pouca gordura.
5. Iogurtes naturais e alimentos fermentados
Quando existe boa tolerância, os iogurtes naturais podem fazer parte da alimentação, sendo fontes de proteínas e cálcio. No entanto, a forma como cada pessoa reage pode variar e deve ser acompanhada por um profissional.
6. Mamão
Para além de ser uma fruta de fácil digestão, o mamão contém fibras e bastante água, o que favorece o funcionamento do trato gastrointestinal.
7. Água
Apesar de não ser um alimento, manter uma boa hidratação é essencial para o funcionamento do organismo e pode contribuir para o bem-estar digestivo.
O acompanhamento com um profissional é sempre importante
Apesar destas sugestões, Priscila Bernardes salienta que as necessidades nutricionais não são iguais para todos, o que torna fundamental ajustar o plano alimentar a cada caso para obter resultados de forma adequada.
“Não existe uma dieta única para todos os pacientes. Cada organismo responde de maneira diferente; por isso, é importante observar a tolerância individual e contar com o acompanhamento de um nutricionista para elaborar um plano alimentar adequado às necessidades de cada pessoa”, conclui.
Por Luana Figueiredo
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