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Gare Restaurant na Gare Marítima de Alcântara, Lisboa

Homem a cortar bife e segurar cocktail numa mesa com garrafa de vinho num restaurante junto à janela.

Na Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa - onde vivem os murais modernistas de Almada Negreiros -, o Tejo e a margem de Almada vão surgindo e desaparecendo por entre os contentores. No Gare, à mesa, a aposta recai em carnes selecionadas com curadoria da Casa Arouquesa, de Viseu; cá fora, na esplanada, os cocktails vão ao ritmo do pôr do sol.

A Gare Marítima de Alcântara entre o Tejo e os murais de Almada Negreiros

Instalado no edifício histórico da Gare Marítima de Alcântara - que, a partir de 1945, foi palco de chegadas e partidas de quem entrava em Lisboa por mar, em navios de grande calado -, o Gare Restaurant quer transformar um lugar de passagem num sítio onde apetece demorar. Mal se sai do elevador, já junto ao edifício amarelo desenhado por Porfírio Pardal Monteiro, sente-se no ar o zumbido metálico da Ponte 25 de Abril. À frente, o ambiente portuário impõe-se, com o movimento constante dos contentores do Porto de Lisboa.

"Há dias em que vemos mais o rio Tejo, outros em que vemos menos. Nenhum dia é igual", diz Narciso Custódio, diretor de marketing do Grupo Visabeira, que no início de junho inaugurou aqui o sexto restaurante em Lisboa. "Desenvolvemos o conceito com a consultoria da Casa Arouquesa, restaurante de referência em Viseu e com o qual temos uma excelente relação."

As próprias páginas da ementa reforçam a portugalidade do espaço, ao recuperarem figuras e símbolos presentes nos painéis de Almada Negreiros, vistos como o maior e mais relevante conjunto de pintura mural do século XX em Portugal. A obra - habitada por naus, pescadores, carvoeiras e outros motivos - ocupa o salão superior da gare e pode ser apreciada a partir do restaurante, fazendo com que cada refeição traga consigo uma dimensão cultural. Na sala, com soalho de madeira e janelas amplas, destacam-se o balcão ondulante do bar, com bancos fixos, e um candeeiro de inspiração modernista do século XX.

Carnes da Casa Arouquesa no menu do Gare Restaurant

A atmosfera marítima fica, sobretudo, entregue aos murais. Ao ler a carta, percebe-se que houve a intenção de fugir à habitual oferta de peixe e marisco associada à zona. No Gare, a identidade constrói-se à volta das carnes - maioritariamente bovina, proveniente de animais criados em pasto extensivo no norte do país. Entre bifes de alcatra e de vazia e a vitela assada no forno, os cortes variam para diferentes gostos e combinações de acompanhamentos.

O destaque vai para o bife à Jefferson, um clássico da Casa Arouquesa, servido com tagliatelle e azeite trufado. Ainda assim, a ementa não se fecha a outras propostas: há camarão-tigre à chef, bacalhau à Arouquesa, além de risotos e massas.

Vinhos Casa da Ínsua e o Martini Terrazza ao fim da tarde

Para acompanhar, os vinhos Casa da Ínsua, produzidos na Região Demarcada do Dão e integrados na esfera do grupo, surgem como escolha natural em branco, tinto, rosé e espumante. Da cozinha chegam também sobremesas de feitura caseira, como tarte de queijo com caramelo, tarte de amêndoa e mousse de chocolate.

Já fora da sala, o Martini Terrazza convida a prolongar a visita - ou até a começá-la por ali -, com sugestões para partilhar, como carpaccio de novilho e croquetes, enquanto o vermute italiano entra em cocktails. Às sextas-feiras e aos sábados, a partir das 17h, o DJ Gonçalo Ferro dá som à gare lisboeta, recuperando-lhe o espírito de passagem e de encontro.

Gare Restaurant
Gare Marítima de Alcântara, 1, Lisboa
Tel.: 967 505 320
Web: garerestaurant.pt
Das 11h às 23h, de terça a quinta; até à 1h à sexta e sábado; até às 18h ao domingo
Preço médio: 55 euros/pessoa; cocktails de autor, 10 euros

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