Saltar para o conteúdo

Volvic condenada por greenwashing e vai recorrer

Pessoa a segurar garrafa de água mineral numa prateleira de supermercado com bebidas variadas.

A Volvic levou uma reprimenda em tribunal - mas a marca já fez saber que tenciona recorrer.

O caso caiu como uma bomba para a Volvic. Apontada como uma das águas engarrafadas mais saudáveis em França, segundo um inquérito da 60 Milhões de Consumidores, a marca acabou agora por ser visada pela justiça.

O Tribunal Judicial de Paris considerou a água mineral culpada de “práticas comerciais enganosas” devido a alegações presentes nas embalagens, nomeadamente “100% recicláveis” e “neutras em carbono”. Para a associação de consumidores CLCV, trata-se de um “julgamento histórico” - ainda assim, a Volvic garante que vai impugnar a decisão.

Volvic acusada de greenwashing?

Na óptica do Tribunal Judicial de Paris, as menções “neutro em carbono”, “100% reciclado”, “100% reciclável” e “sempre reciclável” colocadas nas garrafas de água mineral Volvic são “constitutivas de uma prática comercial enganosa”.

O tribunal sustenta que “a compensação das emissões produzidas ao fabricar uma garrafa de água Volvic não é integralmente compensada por absorções”. Por isso, afirmações como “neutro em carbono” ou “certificada como neutra em carbono” podem levar o consumidor ao engano.

E não se fica por aqui: as garrafas da marca são apenas parcialmente recicladas e, além disso, a conhecida indicação “100% reciclável” surge numa etiqueta que recorre a cola e tinta que, precisamente, não são recicláveis. Há algumas semanas, a Volvic tinha destacado o culminar de 9 anos de trabalho para chegar a uma garrafa de plástico 100% reciclado.

Decisão do Tribunal Judicial de Paris: 75 000 euros e publicação durante 6 meses

Perante estes factos, o Tribunal Judicial de Paris condenou a Volvic a pagar 75 000 euros de indemnização à CLCV e a divulgar a decisão na página inicial do seu site durante 6 meses. Para a associação, é uma vitória que “fixa um padrão que protege de forma útil os consumidores”.

A resposta da Danone e o recurso anunciado pela Volvic

Do lado da empresa - detida pelo gigante Danone -, o veredicto é contestado e foi anunciada a intenção de recorrer. Sobre a neutralidade carbónica, o grupo defende-se, sublinhando que “esta menção assentava numa certificação obtida em 2020 junto do organismo Carbon Trust, segundo uma metodologia reconhecida”.

O fim dessa certificação por parte da entidade levou a empresa a reformular a sua abordagem, garantindo que “faz tudo o que está ao seu alcance para reduzir em 35% em média [as suas] emissões globais de carbono até 2030 face a 2020, em todo o [seu] âmbito de actividade”. Neste contexto, a Volvic critica “o raciocínio e a conclusão a que chegou o tribunal” quanto a “práticas aplicadas no passado e que respeitavam, simultaneamente, os textos e os usos aplicáveis nesse período”.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário