Na primeira sexta-feira de agosto - que este ano acontece a 7 de agosto - assinala-se o Dia Mundial da Cerveja, uma das bebidas mais consumidas e apreciadas pelos brasileiros. A efeméride é um bom pretexto para brindar, mas também para perceber que a experiência vai muito além de escolher o rótulo de eleição.
A forma como se serve, a temperatura a que chega ao copo e até o tipo de copo usado conseguem alterar a forma como sentimos aromas e sabores. Para que cada gole seja aproveitado ao máximo, Yuri Freire, líder de cultura cervejeira da Estrella Galicia, reuniu três recomendações essenciais para uma prova bem feita.
“ A cerveja não está pronta na garrafa, na lata ou no barril. Ela só estará pronta quando chegar ao copo do consumidor da maneira correta, da forma que preserve todos os seus sabores. A escolha do copo, a temperatura adequada e o ritual feito na hora de servir uma cerveja fazem toda a diferença para que a experiência seja exatamente como foi pensada na cervejaria”, explica o mestre cervejeiro.
O copo em que bebo faz diferença?
Ao escolher o copo, vale ter em conta o estilo da cerveja. De acordo com o especialista, rótulos mais leves e refrescantes tendem a ser melhor apreciados em copos de maior capacidade e com boca mais larga, porque incentivam goles mais generosos e intensificam a sensação de frescura. Em contrapartida, cervejas mais encorpadas - com teor alcoólico mais elevado e maior intensidade aromática - costumam resultar melhor em taças mais pequenas e de boca mais fechada, que ajudam a concentrar os aromas e a realçar as suas notas sensoriais.
“ O copo faz parte da experiência. Cada formato foi pensado para destacar atributos específicos da cerveja, seja a refrescância, seja a intensidade dos aromas e sabores“, explica Yuri Freire.
Para lá do formato, a limpeza do copo também é decisiva. O ideal passa por usar detergente neutro e uma esponja exclusiva para lavar copos de cerveja, evitando a transferência de resíduos de gordura vindos de outros utensílios da cozinha. Mesmo pequenas partículas de gordura podem prejudicar a formação da espuma e interferir na leitura de aromas e sabores da bebida.
Depois da lavagem, o copo deve ser bem passado por água e deixado a secar ao ar num local ventilado. Também não é aconselhável guardá-lo ainda húmido em armários fechados, uma vez que isso pode originar odores indesejáveis.
Cuidado ao congelar o copo
Um hábito muito frequente, mas que convém evitar, é colocar o copo no congelador antes de servir. A película de gelo que se forma pode absorver cheiros presentes no congelador - quer do próprio equipamento, quer de outros alimentos - e passá-los para a bebida. Além disso, o frio excessivo diminui a perceção dos aromas e sabores e pequenos pedaços de gelo podem soltar-se durante o serviço, afetando a espuma e até a apresentação da cerveja.
“ A cerveja já está na temperatura ideal para ser consumida. Quando colocamos um copo congelado, arrefecemos ainda mais a bebida e reduzimos a perceção das características que o cervejeiro trabalhou para entregar. Além disso, o gelo pode carregar odores do freezer e comprometer tanto a espuma quanto a experiência sensorial”, afirma o sommelier de cervejas.
Cada cerveja na temperatura ideal
A temperatura tem, igualmente, um papel determinante na degustação. Regra geral, cervejas mais leves e refrescantes pedem serviço a temperaturas mais baixas, ao passo que rótulos mais encorpados e complexos mostram melhor os seus aromas e sabores quando são consumidos um pouco menos gelados.
“ Quando diminuímos a temperatura, ressaltamos algumas características da cerveja. Por isso, estilos leves pedem temperaturas mais baixas, enquanto cervejas mais complexas ganham expressão quando servidas em temperaturas um pouco mais altas”, explica Yuri Freire.
Por Gabriela Gimenes
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