Enquanto a macieira, a cerejeira e outras árvores sofrem com a falta de água, solos queimados e ondas de calor, um exótico resistente ganha destaque. Trata-se de uma árvore de fruto que, na sua região de origem, há séculos enfrenta invernos gelados e verões extremamente secos e que está agora a afirmar-se nos países de língua alemã como uma esperança para jardins secos e pomares tradicionais.
Uma árvore de fruto asiática quase indestrutível
A árvore em causa chama-se jujube ou árvore de jujuba (Ziziphus jujuba). Em alemão, também é conhecida como “tâmara-chinesa”. É originária do Norte da China e da Mongólia, zonas onde os invernos podem chegar aos 25 graus negativos e os verões ultrapassam facilmente os 40 graus, com ar muito seco.
É precisamente esta origem que torna a árvore tão interessante perante verões cada vez mais secos. Está habituada a contrastes extremos: geadas tardias na primavera, períodos de calor intenso no verão e solos pobres ou pedregosos. No Sul de França existem exemplares com mais de cem anos que sobrevivem praticamente sem rega, o que demonstra a durabilidade e a frugalidade que esta árvore de fruto pode ter.
A árvore de jujuba é há muito considerada nos círculos especializados como a “árvore de fruto do futuro” para jardins secos.
Porque é que a árvore de jujuba tolera tão bem a seca e o calor
Ao longo do tempo, a árvore desenvolve um sistema radicular profundo, capaz de alcançar reservas de água mesmo em anos secos. Depois de estar bem enraizada, necessita de consideravelmente menos água do que as árvores de fruto tradicionais. Esta vantagem revela-se sobretudo em regiões sujeitas a proibições de rega ou com solos muito arenosos.
Os jardineiros valorizam, acima de tudo, três características:
- Baixa necessidade de água: depois da fase de instalação, em muitas localizações a chuva é inteiramente suficiente.
- Elevada resistência: até agora, quase não são conhecidas doenças ou pragas relevantes.
- Colheita anual: regra geral, a árvore produz todos os anos, sem longos períodos sem frutos.
Há, contudo, um requisito essencial: o local deve ter boa drenagem. A jujube não tolera de todo o encharcamento nem solos permanentemente húmidos. Em contrapartida, adapta-se muito bem a solos secos, arenosos ou até compactados, desde que a água consiga escoar para as camadas inferiores.
Como plantar a árvore de jujuba na primavera
A primavera é a melhor altura para plantar uma árvore de jujuba. Nessa fase, o solo começa a aquecer, as geadas fortes tornam-se menos frequentes e as raízes dispõem de vários meses para se estabelecerem antes do primeiro calor de verão.
A plantação é semelhante à de outras árvores de fruto que apreciam calor, como a romãzeira. Um pátio interior pouco sujeito a geadas, uma parede sul protegida ou um jardim frontal quente representam claras vantagens, embora também seja possível cultivá-la em locais mais expostos. Estes são os passos mais importantes:
- Abra uma cova de plantação claramente mais larga e ligeiramente mais profunda do que o torrão.
- Misture a terra retirada com composto maduro ou estrume bem curtido.
- Coloque a árvore de modo a que o colo fique ao nível da superfície do solo.
- Volte a encher a cova com a terra melhorada e calque ligeiramente, para não deixar bolsas de ar.
- Regue abundantemente após a plantação e, durante o primeiro ano, mantenha o solo uniformemente ligeiramente húmido.
Nos primeiros um a dois anos, a árvore de jujuba ainda não pode ficar sem água. É neste período que a planta jovem forma o seu sistema radicular. Depois disso, torna-se visivelmente mais frugal. Uma camada de cobertura morta feita de restos de poda triturados ou folhas ajuda a conservar a humidade no solo e estimula a vida do solo.
Sabor e utilizações dos frutos da jujube
Pela forma, os frutos da jujube fazem lembrar pequenas azeitonas ou mini-maçãs. Consoante a variedade, podem ser amarelados, castanho-avermelhados ou acastanhados. Quando maduros, têm um sabor adocicado com uma ligeira nota de maçã, razão pela qual alguns jardineiros os descrevem como uma mistura de maçã e tâmara.
Podem ser consumidos de várias formas:
- frescos, diretamente da árvore, como snack doce;
- secos, à semelhança de tâmaras ou passas;
- em compotas de fruta, chutneys ou doces;
- como ingrediente de muesli ou salada de fruta.
Na Ásia, as jujubes são consideradas há muito tempo um alimento valioso. Os frutos contêm vitamina C, diversos antioxidantes e fibras. Para os jardineiros amadores de regiões secas, porém, o aspeto mais interessante é que a colheita tende a ser relativamente segura mesmo em anos pouco generosos.
Ideal para um “pomar seco”
Quem pretende, ou precisa, de manter o jardim com menos água pode usar a árvore de jujuba como elemento de um pomar pensado especificamente para tolerar a seca. Em conjunto com outras espécies robustas, cria-se um pequeno ecossistema que não depende constantemente da mangueira.
Combinação inteligente: jujube, espinheiro-marítimo e romãzeira
A combinação da jujube com o espinheiro-marítimo e a romãzeira é particularmente interessante. As três espécies lidam surpreendentemente bem com solos pobres, por vezes arenosos, e com períodos de seca, complementando-se ainda quanto à época de colheita e ao equilíbrio de nutrientes.
| Espécie | Exigências de localização | Particularidade | Época de colheita |
|---|---|---|---|
| Jujube | Seco, pleno sol, boa drenagem | Resistente ao calor e à geada, pouca manutenção | Outubro a novembro |
| Espinheiro-marítimo | Muito pobre, arenoso, soalheiro | Fixa azoto atmosférico, fornece muitas vitaminas | Final do verão ao início do outono |
| Romãzeira | Quente, protegida do vento, solo permeável | Gosta de calor, tolera bem a poda | Final de setembro a outubro |
O espinheiro-marítimo possui uma capacidade especial: graças às bactérias presentes nos nódulos das raízes, consegue fixar azoto do ar. A longo prazo, as plantas vizinhas também beneficiam desse processo. Assim, forma-se gradualmente uma estrutura de solo mais rica em nutrientes e mais viva, sem necessidade de adubar constantemente.
A romãzeira acrescenta outra dimensão ao sistema. Prefere pleno sol, solos calcários ou ligeiramente ácidos e, consoante a variedade e o microclima, suporta temperaturas negativas de forma surpreendentemente eficaz. Num pátio abrigado ou junto a uma parede virada a sul, os seus frutos brilhantes também prosperam em muitas zonas dos países de língua alemã.
Aspetos do local a levar realmente a sério
Embora a árvore de jujuba perdoe muita coisa, há alguns fatores que devem ser ponderados cuidadosamente:
- Sol: pelo menos seis horas de sol direto por dia favorecem o crescimento e a qualidade dos frutos.
- Vento: as árvores jovens agradecem um local protegido, por exemplo, perto de um muro ou de uma sebe.
- Solo: deve evitar-se argila pesada e encharcada. O ideal é um substrato permeável com gravilha ou areia.
- Espaço necessário: consoante a variedade, a árvore pode atingir entre três e cinco metros de altura e uma largura semelhante.
Quem tiver apenas um jardim pequeno pode optar por variedades menos vigorosas ou por uma forma arbustiva cultivada. Com uma poda direcionada, é possível manter a copa aberta, facilitando a colheita e permitindo que a luz solar alcance todos os frutos.
Para quem vale realmente a pena plantar uma árvore de jujuba
Esta árvore é especialmente interessante para jardineiros amadores que disponham de condições como encostas secas, solos arenosos, terrenos situados em ilhas de calor urbanas, restrições de rega mais severas ou simplesmente o desejo de regar menos a longo prazo. Em cenários deste tipo, as variedades clássicas de maçã ou cereja só conseguem muitas vezes manter-se saudáveis com grande esforço.
Quem escolhe a árvore de jujuba aposta na resistência a longo prazo, em vez de procurar colheitas recorde imediatas. Em muitos locais, as árvores arrancam de forma algo lenta, mas compensam-no com uma longevidade notável e produções estáveis. Numa época em que cada verão traz novos recordes de calor, isto parece subitamente muito mais apelativo do que a enésima macieira sensível.
Há ainda uma vantagem adicional: jujubes, espinheiro-marítimo e romãzeiras dão estrutura ao jardim, atraem insetos e fornecem frutos comestíveis desde o final do verão até ao fim do outono. Quem planeia um pomar capaz de lidar com as alterações climáticas dificilmente poderá ignorar este “corredor de longa distância” asiático.
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