Muitos jardineiros amadores recorrem de imediato a pulverizações quando surgem pragas. No entanto, existe uma alternativa muito mais simples e inteiramente natural: pequenos auxiliares coloridos e alados, à espera do alimento certo. É precisamente aqui que entra uma fruta frequentemente esquecida.
Porque os chapins são ajudantes tão valiosos no jardim
Ter chapins no jardim é como dispor de uma patrulha antipragas gratuita. O chapim-azul e o chapim-real inspeccionam ramos um a um, procurando insectos, larvas e ovos. Sobretudo no início da primavera, quando a natureza começa lentamente a despertar, conseguem consumir quantidades consideráveis de pragas.
Uma única família de chapins come vários milhares de lagartas, pulgões e outras pragas durante uma época de reprodução.
Desta forma, prestam um serviço que é muitas vezes subestimado: protegem roseiras, árvores de fruto, plantas perenes e a horta, sem ser necessária uma gota de químicos. Quem atrai estas aves de forma intencional promove não só a biodiversidade como pode também evitar a compra de produtos fitofarmacêuticos dispendiosos.
A fruta subestimada a que os chapins dificilmente resistem
Quando as temperaturas ainda são baixas e quase não há insectos activos, os chapins podem ficar rapidamente sem energia. É então que um alimento ignorado por muitos proprietários de jardins ganha importância: as bagas.
As bagas fornecem açúcares de absorção rápida e, por isso, a energia de que estas aves tanto necessitam. No final do inverno e no começo da primavera, tornam-se particularmente atractivas para os chapins, uma vez que as fontes naturais de alimento escasseiam. Ao dar-lhes esta ajuda na altura certa, o seu jardim pode tornar-se subitamente mais apelativo para as aves do que o jardim vizinho.
As bagas de que os chapins mais gostam
Em vez de disponibilizar apenas sementes de girassol ou bolas de gordura para chapins, vale a pena considerar espécies de bagas autóctones. Entre as opções mais procuradas encontram-se, por exemplo:
- Sabugueiro-preto: as pequenas bagas escuras são ricas em energia e muito apreciadas por diversas espécies de aves.
- Tramazeira (sorveira-brava): uma escolha clássica para jardins naturais, cujos cachos de frutos vistosos atraem repetidamente os chapins.
- Bagas de zimbro: são especialmente úteis em jardins de inspiração natural e em sebes, pois permanecem no arbusto durante bastante tempo.
Estas bagas podem ser oferecidas directamente nos arbustos do jardim ou, quando disponíveis, colocadas em pequenas quantidades num ponto de alimentação protegido, na varanda ou no terraço. É essencial usar apenas frutos sem tratamentos e o mais naturais possível.
As bagas dão aos chapins energia imediata nas épocas mais pobres em alimento - quem as disponibiliza terá visitas mais frequentes no alimentador.
Como transformar o seu jardim num íman para chapins
Só as bagas raramente bastam. Para que as aves regressem com regularidade, é necessária uma combinação de comida, abrigo e água. Ao respeitar estes aspectos, pode transformar o jardim num pequeno paraíso para chapins.
Instalar correctamente os pontos de alimentação
Para que a alimentação beneficie realmente as aves, convém planear alguns pormenores:
- Localização: coloque sempre os comedouros ou dispensadores de sementes de forma a que os chapins possam refugiar-se rapidamente em arbustos ou árvores.
- Altura: uma instalação a cerca de 1,5 a 2 metros do solo ajuda a manter os gatos curiosos à distância.
- Higiene: retire com frequência os restos de comida e os dejectos, evitando a propagação de doenças.
- Período: alimente sobretudo no inverno e nas estações de transição; durante a época de nidificação, evite uma alimentação abundante durante todo o ano com alimentos gordos.
Além das bagas, nos meses frios também pode incluir misturas tradicionais de sementes, flocos de aveia ou frutos secos picados. O mais importante é garantir que a comida se mantém seca e não cria bolor.
Caixas-ninho e água: o complemento ideal
Quem pretende atrair chapins para o jardim não apenas para comerem ocasionalmente, mas de forma duradoura, deve também disponibilizar-lhes um local para nidificar. Uma caixa-ninho simples é muitas vezes suficiente.
- Altura da caixa-ninho: pendure-a a, pelo menos, 2 a 3 metros do chão.
- Orientação: de preferência para este ou sudeste, para evitar que fique exposta à chuva persistente.
- Orifício de entrada: para chapins, um diâmetro inferior a 28 milímetros tem dado bons resultados, impedindo a entrada de predadores maiores.
As aves necessitam igualmente de água para beber e tomar banho. Basta um recipiente pouco fundo, reabastecido diariamente com água fresca. Se estiver ligeiramente elevado e afastado de vegetação densa, os animais ficam mais protegidos dos gatos enquanto se banham.
Que pragas os chapins gostam especialmente de comer
No que respeita a insectos, os chapins não são particularmente selectivos. Para os jardineiros amadores, isto representa uma grande vantagem:
- Pulgões: são retirados directamente dos rebentos e dos botões, algo especialmente útil para quem cultiva roseiras.
- Lagartas: são importantes quando hortícolas, árvores de fruto ou plantas perenes são repetidamente desfolhadas.
- Larvas de escaravelhos e outros pequenos animais: os chapins procuram-nos metódicamente nas fendas da casca e entre os ramos.
Quem favorece os chapins reduz a pressão das pragas e reforça, ao mesmo tempo, o equilíbrio natural do jardim.
Este efeito é particularmente evidente em jardins mais naturais: as plantas parecem mais vigorosas, as colónias de pulgões aumentam mais devagar e muitos danos provocados pela alimentação nas folhas mantêm-se dentro de limites aceitáveis.
Perigos no jardim: do que deve proteger os chapins
Para que os chapins se sintam realmente seguros, ter alimento em abundância não chega. O jardim deve ser também um espaço protegido. Há dois perigos recorrentes: os gatos domésticos e as aves da família dos corvídeos.
Gatos e pegas: como proteger as aves canoras
Os gatos domésticos são considerados uma séria ameaça para as aves pequenas. Raramente é possível eliminar este risco por completo, mas algumas medidas podem ajudar:
- Nunca instale pontos de alimentação e caixas-ninho junto ao solo.
- Não monte apoios densos para trepadeiras, como grades, imediatamente por baixo das caixas-ninho.
- Plante arbustos espinhosos, como a bérberis ou a roseira-brava, sob os locais onde as aves pousam.
Corvídeos como as pegas ou os corvos gostam de pilhar ninhos alheios e de apanhar restos de comida. Neste caso, os elementos visuais dissuasores podem ser úteis:
- Espantalhos simples de palha ou tecido na horta.
- CDs antigos ou tiras de metal que reflictam a luz solar.
- Caixas-ninho com orifício de entrada pequeno e frente resistente, para que não possam ser abertas à força.
Os montes de alimento deixados a descoberto no chão atraem ainda mais visitantes indesejados. É preferível optar por dispensadores fechados, nos quais os chapins se conseguem agarrar, mas onde as aves maiores têm dificuldade em pousar.
Como um jardim favorável aos chapins compensa a longo prazo
Um jardim que atrai chapins altera-se visivelmente ao longo do tempo. O chilrear matinal torna-se mais intenso, há mais movimento nos ramos e, simultaneamente, a vegetação parece mais saudável. Muitos jardineiros relatam que, após poucos anos, precisam de recorrer muito menos a produtos biológicos contra pragas.
Ao apostar também numa plantação diversificada - com arbustos autóctones, flores silvestres e recantos pouco arrumados com madeira morta - estará a apoiar toda uma rede de auxiliares naturais. Os chapins são apenas os representantes mais visíveis de uma equipa muito maior, composta por joaninhas, vespas parasitóides e aranhas.
Um jardim assim pode ser particularmente interessante para as crianças: junto ao comedouro, conseguem observar as diferenças de comportamento entre o chapim-azul e o chapim-real, percebem a ligação entre as lagartas e as aves e aprendem, de forma natural, que um jardim vivo nunca está perfeitamente «arrumado».
Quem começar agora, no final do inverno ou no início da primavera, a disponibilizar bagas e pontos de alimentação adequados estará a lançar as bases certas. Quando os chapins passam a visitar o local com regularidade, mantêm-se muitas vezes fiéis ao território e tornam-se, ano após ano, habitantes indispensáveis do seu espaço verde.
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