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Com que frequência deve lavar a roupa desportiva de ginásio?

Mulher a pegar roupa da cesta para estender num estendal dentro de um quarto bem iluminado.
Neste artigo
  1. Roupa desportiva e transpiração
  2. É seguro voltar a usar roupa de ginásio?
  3. Cuidados com a roupa entre utilizações
  4. Em resumo

Quando regressa a casa depois de uma corrida ou de uma sessão intensa no ginásio, põe logo a roupa na máquina para um programa quente? Ou deixa-a numa cadeira - ou no chão do quarto - para a voltar a usar no dia seguinte?

No início deste ano, o governo francês gerou polémica ao aconselhar sobre a frequência com que se deve lavar a roupa. No caso da roupa desportiva, recomenda que possa ser usada até três vezes antes de ser lavada.

Esta recomendação resulta de preocupações ambientais legítimas: cada ciclo de lavagem consome quantidades consideráveis de água e energia. Lavar com demasiada frequência também pode deteriorar os tecidos mais depressa, contribuindo para o desperdício têxtil.

Mas que consequências poderá isto ter para a saúde? Se a ideia de voltar a vestir uma t-shirt malcheirosa ou um soutien desportivo húmido lhe causa desconforto, eis o que importa saber.

Roupa desportiva e transpiração

No passado, a roupa para exercício era geralmente fabricada com fibras naturais, sobretudo algodão. Actualmente, é maioritariamente produzida com tecidos sintéticos de elevado desempenho. Estes materiais são concebidos para gerir a humidade, regular a temperatura, melhorar a respirabilidade e controlar os odores.

Ainda assim, estudos demonstram que este tipo de vestuário de treino, em especial os tecidos sintéticos, pode acumular quantidades significativas de bactérias após uma única utilização.

O poliéster retém a humidade, criando microambientes quentes e húmidos, precisamente as condições de que as bactérias mais gostam.

Quando uma peça está húmida, incluindo devido ao suor, as bactérias multiplicam-se muito mais depressa. Existe uma relação directa entre a quantidade de bactérias presente e a intensidade do odor.

Por outro lado, a investigação indica que inovações têxteis - como a incorporação de nanopartículas de prata nas fibras, tratamentos à base de óleos essenciais, tratamentos antimicrobianos duradouros e inovações na estrutura das fibras - estão a tornar as peças mais resistentes e mais eficazes no controlo das bactérias.

É seguro voltar a usar roupa de ginásio?

A resposta depende de vários factores.

Tipo de tecido

As fibras naturais, como o algodão, favorecem menos a multiplicação das bactérias responsáveis pelos odores do que os materiais sintéticos. Por isso, se fizer exercício com estes tecidos, poderá usá-los algumas vezes antes de os lavar.

Intensidade do exercício e nível de transpiração

Actividades de baixa intensidade que provocam pouco ou nenhum suor, incluindo ioga suave ou caminhadas, podem permitir mais utilizações entre lavagens do que treinos intensos. Isto acontece porque a proliferação bacteriana está directamente relacionada com os níveis de humidade nos tecidos.

De facto, as recomendações do governo francês reconhecem que a frequência com que lava a roupa desportiva depende da quantidade de suor produzida.

Estação do ano

O clima - temperatura, humidade e circulação de ar - influencia significativamente o crescimento de bactérias nos tecidos. Assim, poderá ser mais razoável lavar a roupa com menos frequência nos meses frios, quando se transpira menos.

Saúde pessoal

Algumas pessoas devem ter maior cuidado ao voltar a usar roupa de ginásio. É o caso de quem tem problemas de pele, sistemas imunitários debilitados ou tendência para infecções cutâneas.

Assim, se vestir uma t-shirt e calções de algodão para fazer uma actividade ligeira, como uma caminhada no ar fresco da manhã, poderá usá-los novamente uma ou duas vezes, sobretudo se os arejar devidamente entre utilizações.

No entanto, a roupa técnica sintética, ou qualquer peça usada em treinos moderados ou intensos, deve ser lavada após cada utilização; um ciclo de lavagem a frio é suficiente. Isto é particularmente importante para peças que contactam com zonas de elevada concentração bacteriana, como as axilas, a virilha ou os pés.

Cuidados com a roupa entre utilizações

  1. Vire as peças do avesso - para expor as bactérias ao ar - e pendure-as imediatamente após o exercício.
  2. Certifique-se de que estão totalmente secas antes de as guardar.
  3. Guarde-as em espaços bem ventilados, nunca em recipientes fechados, como um cesto de roupa suja ou um saco.
  4. Sempre que possível, pendure a roupa ao sol: uma breve exposição aos raios UV proporciona benefícios antimicrobianos naturais.
  5. Mantenha as peças já usadas afastadas da roupa limpa.

Em resumo

No fim de contas, trata-se de uma escolha pessoal: cada pessoa terá de equilibrar os benefícios ambientais, as possíveis preocupações de saúde e os seus hábitos de exercício.

Contudo, algumas peças devem ser sempre lavadas depois de cada utilização: soutiens desportivos e roupa interior, meias, qualquer artigo visivelmente sujo ou com mau cheiro, bem como toda a roupa usada em treinos de alta intensidade ou com tempo quente.

Carolina Quintero Rodriguez, Professora Sénior e Gestora do Programa de Licenciatura em Moda (Empreendedorismo), Universidade RMIT

Este artigo é republicado de The Conversation ao abrigo de uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

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