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Ervas frescas: retire o elástico para as conservar mais tempo

Mãos a apanhar coentros de um frasco com elástico num tabuleiro de madeira numa cozinha luminosa.
Neste artigo
  1. O elástico: o pequeno detalhe que esmaga e apodrece as folhas
  2. A arrumação certa das ervas frescas depende da variedade comprada
  3. Este pequeno hábito também pode mudar a forma como cozinha

O gesto é de uma simplicidade quase ridícula: tirar o elástico que prende o molho assim que se chega das compras. Salsa, coentros, hortelã ou manjericão ficam frequentemente apertados, húmidos e frágeis dentro da embalagem. Passados poucos dias, acabam transformados numa massa escura no fundo da gaveta dos legumes. No entanto, este pequeno hábito pode mesmo prolongar a conservação das ervas frescas.

A situação é conhecida: ao domingo compra-se um bonito molho de coentros, com a ideia de preparar tacos caseiros, um tabule ou talvez uma sopa aromática. Na quarta-feira, o saco continua esquecido atrás dos iogurtes e as folhas começam a colar-se, acompanhadas daquele cheiro algo desolador a vegetal molhado. Surge então a pergunta: porque é que as ervas frescas custam tanto para acabarem tão depressa no lixo? A culpa nem sempre é do frigorífico, nem sequer da frescura inicial do molho. Por vezes, tudo começa num simples pedaço de borracha. Bastam cinco segundos para mudar o resultado.

O elástico: o pequeno detalhe que esmaga e apodrece as folhas

Tanto no mercado como no supermercado, as ervas são habitualmente vendidas em molhos muito apertados. O elástico segura os caules durante o transporte, algo prático, mas também comprime as folhas umas contra as outras. Quando existe alguma humidade, esta fica retida nas dobras do molho, onde o ar quase não circula. As folhas amassadas deterioram-se, ganham manchas castanhas e tornam-se viscosas muito mais depressa. Uma erva fresca não gosta de ficar sufocada nem de permanecer molhada. Parece óbvio, mas é comum deixar esta fita no lugar até ao momento de cozinhar.

Claire, que cozinha bastante aos fins de semana, tinha acabado por deixar de comprar hortelã fresca: «Durava dois dias, não mais.» Certo dia, ao reparar que as folhas escureciam sempre no centro do molho, passou a retirar o elástico mal tirava as compras do saco. Separou os caules com cuidado, sem os lavar, e colocou-os sobre um pano de cozinha limpo antes de os arrumar. A hortelã conservou-se durante quase uma semana. Não se trata de uma solução milagrosa para todos os molhos, sobretudo se as ervas já estiverem cansadas na prateleira, mas a diferença costuma notar-se logo nos primeiros dias.

A explicação é bastante simples: uma folha danificada liberta água e decompõe-se com maior facilidade. Ao tocar nas folhas ao lado, espalha rapidamente a humidade e os microrganismos pelo molho compacto. Ao remover o elástico, reduz-se essa pressão, identificam-se os caules que já estão moles e deixa-se o conjunto respirar. É um gesto que demora, literalmente, o tempo de abrir uma gaveta. Sejamos sinceros: ninguém faz isto todos os dias com disciplina de laboratório. Ainda assim, adoptar este reflexo logo depois das compras ajuda a evitar aquele célebre embrulho esverdeado que, dois dias depois, ninguém quer tocar.

A arrumação certa das ervas frescas depende da variedade comprada

Depois de tirar o elástico, não lave automaticamente o molho inteiro. Se as folhas estiverem limpas, mantenha-as secas até à utilização: a água acelera muitas vezes o amolecimento quando fica presa dentro de um saco. Para salsa, coentros, endro ou hortelã, corte uma pequena ponta na base dos caules e coloque-os num copo com um pouco de água fresca. Cubra ligeiramente a parte superior com um saco limpo, sem apertar, e guarde tudo no frigorífico. O método lembra um mini-jarro, mas convém não exagerar na quantidade de água.

O manjericão exige cuidados diferentes. Muitas pessoas guardam-no no frigorífico por hábito e encontram folhas pretas no dia seguinte. Esta erva sensível ao frio costuma preferir um copo com água à temperatura ambiente, afastado do sol directo e de fruta muito madura. Já o alecrim, o tomilho, a salva e os orégãos toleram melhor uma embalagem solta em papel absorvente apenas ligeiramente humedecido, dentro de uma caixa ou de um saco entreaberto no frio. Um erro habitual é acondicionar todas as ervas da mesma forma. Nem todas têm o mesmo temperamento, e o manjericão deixa isso bem claro.

Uma verificação rápida durante a arrumação também pode preservar o resto do molho: retire as folhas amarelas, pegajosas ou já escurecidas antes que afectem as restantes.

«A melhor forma de arrumar é aquela que mantém os caules hidratados sem transformar as folhas numa pequena estufa tropical.»

  • Retire o elástico assim que chegar a casa.
  • Afaste as folhas danificadas antes de as guardar.
  • Nunca deixe as folhas de molho em água.
  • Mude a água do copo de dois em dois dias, caso fique turva.
  • Sempre que possível, lave apenas a porção que vai usar ao cozinhar.

Este pequeno hábito também pode mudar a forma como cozinha

Conservar ervas vivas durante mais tempo não serve apenas para reduzir algum desperdício. Significa encontrar, numa terça-feira banal, salsa ainda viçosa para dar sabor a ovos, alguns raminhos de hortelã para uma salada ou coentros para animar legumes assados. Cozinha-se, assim, com mais espontaneidade, sem esperar por uma receita ambiciosa ou por um jantar com convidados. Um punhado de ervas frescas faz um prato simples parecer mais pensado. E esse prazer vale muitas vezes mais do que o preço do molho.

Há também algo gratificante nestes pequenos hábitos domésticos. Tirar um elástico, observar o estado dos caules ou renovar um pouco de água são gestos sem glamour e quase imperceptíveis. Ainda assim, recordam que um alimento fresco continua vivo, ou quase, depois de passar pela caixa. Da próxima vez que um molho chegar à cozinha, olhe para o centro antes de o colocar no frigorífico. Talvez bastem cinco segundos, um copo e um pouco de atenção para que as ervas deixem de acabar esquecidas no fundo da gaveta dos legumes.

Ponto essencial Pormenor Valor acrescentado para o leitor
Retirar o elástico O molho fica mais solto e as folhas deixam de permanecer comprimidas. Menos humidade retida e menos folhas a escurecer.
Manter as folhas secas A lavagem pode ficar para o momento da preparação. As ervas mantêm-se firmes durante mais tempo.
Adaptar a arrumação Salsa em água no frio, manjericão preferencialmente à temperatura ambiente. Cada variedade preserva melhor o aroma e a textura.

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Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

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