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Itália avança com contratorpedeiros DDX de nova geração

Homem com colete de segurança aponta para modelo de navio de guerra ao ar livre, com navio real ao fundo.
Neste artigo
  1. Novos contratorpedeiros assinalam uma viragem para a Marinha Italiana
  2. Do estudo ao aço: um programa preparado há anos
  3. Dimensões, tripulação e desempenho: como será o DDX
  4. Armamento e sensores do DDX: defesa aérea e ataque terrestre
  5. Custos, indústria e vertente política
  6. Porque continuam os contratorpedeiros a ser relevantes em mares saturados de mísseis
  7. Termos e conceitos essenciais do projecto

O Governo italiano vai avançar com um plano de vários milhares de milhões de euros para adquirir uma nova geração de contratorpedeiros, um projecto que transformará a capacidade da Marinha Italiana para operar com parceiros da NATO e defender o Mediterrâneo central até à década de 2050.

Novos contratorpedeiros assinalam uma viragem para a Marinha Italiana

A 18 de Fevereiro, Itália iniciará formalmente o processo de aquisição de dois contratorpedeiros DDX de nova geração, num programa avaliado em cerca de 2,7 mil milhões de euros, ou 3,17 mil milhões de dólares. Os navios serão construídos pela Orizzonte Sistemi Navali, uma empresa conjunta com vasta experiência em navios de combate de superfície italianos.

Estes grandes navios de guerra substituirão os contratorpedeiros da classe Durand de la Penne, que entraram ao serviço no início da década de 1990 e se aproximam do fim da sua vida operacional. A substituição resulta tanto da idade dos navios mais antigos como das crescentes exigências para que as marinhas da NATO assegurem defesa aérea em camadas, defesa antimíssil e capacidades de ataque terrestre.

“O programa DDX pretende dar à Itália menos navios no papel, mas plataformas muito mais capazes no mar.”

A decisão de Roma surge num período de maior atenção ao Mediterrâneo, onde a actividade russa, a instabilidade no Norte de África e a pressão sobre as rotas do comércio marítimo se intensificaram nos últimos anos.

Do estudo ao aço: um programa preparado há anos

As origens do projecto DDX remontam a 2020, quando o Ministério da Defesa italiano encomendou um estudo preliminar para uma nova classe de contratorpedeiros. O calendário inicial era ambicioso: dois anos de trabalho de redução de riscos, um contrato de produção em 2023 e a entrega cerca de cinco anos depois.

Esse prazo acabou por derrapar. O órgão de comunicação italiano especializado em defesa Infodifesa noticiou que as dificuldades em definir os requisitos operacionais exactos adiaram o contrato de produção em aproximadamente três anos. As discussões centraram-se no peso a atribuir à defesa contra mísseis balísticos, às missões de ataque terrestre e à integração nas redes da NATO.

Esses debates parecem agora suficientemente resolvidos para o Governo avançar com a aquisição, sinalizando que o projecto atingiu maturidade e que o financiamento foi assegurado.

Evolução da família FREMM

O DDX não será um projecto inteiramente novo. Em vez disso, evoluirá a partir da fragata FREMM “Evolution”, actualmente em construção para a Marinha Italiana, que por sua vez deriva da fragata multifunções FREMM, amplamente utilizada.

“Os novos contratorpedeiros prolongam a linhagem FREMM, mas aumentam a escala em dimensão, poder de fogo e capacidade de comando e controlo.”

A adopção de uma forma de casco comprovada transmite um certo grau de confiança à indústria e à marinha, reduzindo o risco técnico e permitindo que os projectistas se concentrem nos sensores, armamento e sistemas de energia adequados a um conflito de alta intensidade e em rede.

Dimensões, tripulação e desempenho: como será o DDX

Com base em declarações oficiais e em apresentações anteriores do vice-almirante Aurelio De Carolis, prevê-se que o DDX seja um navio de combate de grandes dimensões.

  • Comprimento: cerca de 175 metros
  • Boca: aproximadamente 24 metros
  • Calado: cerca de 9 metros
  • Tripulação: mais de 300 militares
  • Velocidade máxima: superior a 30 nós, cerca de 56 km/h

Estas dimensões colocam claramente os navios na categoria dos contratorpedeiros: serão maiores do que as actuais fragatas FREMM italianas e disporão de muito mais espaço para sensores, células de lançamento vertical e instalações de comando.

A propulsão assentará numa configuração CODOGAL - Diesel ou Gás Combinado e Eléctrico. Isto permite ao navio recorrer a turbinas a gás para acelerar a alta velocidade, e a motores diesel e propulsão eléctrica para uma navegação mais eficiente e um melhor desempenho acústico. A solução equilibra economia de combustível, autonomia e rapidez de resposta.

Armamento e sensores do DDX: defesa aérea e ataque terrestre

O sistema de combate constitui o elemento central do projecto DDX. Prevê-se que os navios recebam seis módulos de sistema de lançamento vertical, com oito células cada, totalizando 48 células destinadas sobretudo a mísseis superfície-ar Aster.

“Com até 48 células de lançamento vertical, os novos contratorpedeiros foram concebidos para actuar como escoltas de defesa aérea de alta capacidade para grupos de porta-aviões e anfíbios.”

A família Aster oferece protecção em camadas contra aeronaves, drones e mísseis em aproximação. Em conjunto com radares avançados, o DDX deverá conseguir proteger navios italianos e aliados em ambientes contestados.

Os navios deverão também dispor de capacidade de ataque terrestre. As autoridades italianas apontaram para uma possível variante naval do míssil de cruzeiro SCALP, ou para o míssil antinavio Teseo Mk2/E, que oferece opções de ataque terrestre em zonas costeiras. Isto dará a Roma uma capacidade de precisão de longo alcance para atingir radares, postos de comando ou centros logísticos em terra.

As operações de helicópteros continuam a ser fundamentais no conceito. Uma grande plataforma de voo à popa e o respectivo hangar poderão acolher dois helicópteros navais EH101 ou dois SH90. Estas aeronaves alargam o alcance do navio em guerra antissubmarina, busca e salvamento e designação de alvos além do horizonte.

Funções prováveis nas operações da NATO

Quando entrarem ao serviço, os navios da classe DDX serão candidatos naturais a missões de navio-almirante e de escolta de grupos-tarefa. As missões previstas incluem:

  • Defesa aérea de área para navios italianos e aliados
  • Defesa contra mísseis balísticos e de cruzeiro, em coordenação com meios da NATO
  • Apoio de ataque terrestre durante respostas a crises ou conflitos limitados
  • Operações antissubmarinas com recurso aos sensores de bordo e aos helicópteros embarcados
  • Plataforma de comando para grupos-tarefa marítimos multinacionais

O calendário coincide com esforços mais amplos da NATO para reforçar a defesa aérea e antimíssil integrada no flanco sul da Europa.

Custos, indústria e vertente política

Com um custo estimado de 2,7 mil milhões de euros para dois cascos, o programa DDX representa um compromisso significativo por parte de Roma. O valor abrange os navios, os sistemas de bordo e uma parte do trabalho de desenvolvimento e integração.

A Orizzonte Sistemi Navali, que reúne a Fincantieri e a Leonardo, liderará a construção e a integração dos sistemas. Espera-se que o projecto sustente empregos qualificados nos estaleiros italianos e gere trabalho posterior nas áreas da manutenção, formação e futuras modernizações.

“O contrato DDX liga a indústria naval italiana a uma longa cadeia de produção e apoio, reforçando o seu papel no mercado naval europeu.”

No plano político, a decisão indica que Itália está disposta a investir em poder militar naval, e não apenas em meios de guarda costeira e patrulha. Também coloca o país como potencial parceiro para variantes de exportação, perante a crescente procura mundial por contratorpedeiros modernos e navios de defesa aérea.

Porque continuam os contratorpedeiros a ser relevantes em mares saturados de mísseis

As marinhas enfrentam a proliferação de drones baratos, mísseis antinavio de longo alcance e submarinos cada vez mais capazes. Os grandes navios de combate de superfície podem parecer alvos evidentes. Ainda assim, mantêm-se essenciais porque podem albergar radares potentes, mísseis de longo alcance e centros de comando que os navios mais pequenos não conseguem transportar com facilidade.

Numa crise em torno de pontos de estrangulamento estratégicos, como o Estreito da Sicília ou o Mediterrâneo oriental, um grupo-tarefa liderado por um DDX poderia garantir cobertura aérea à navegação mercante, interceptar mísseis hostis e apoiar forças terrestres com ataques de precisão. Os exercícios dos últimos anos demonstraram que navios multimissão deste tipo são frequentemente a espinha dorsal das operações conjuntas.

Termos e conceitos essenciais do projecto

Várias expressões técnicas associadas ao programa DDX podem parecer pouco claras. Duas merecem uma explicação particular.

O que significa CODOGAL na prática

CODOGAL, ou Diesel ou Gás Combinado e Eléctrico, descreve a forma como os motores do navio e os motores eléctricos se ligam às hélices. Nas patrulhas diárias, a tripulação pode recorrer aos eficientes motores diesel e à propulsão eléctrica, reduzindo o consumo de combustível e o ruído - uma vantagem importante para a guerra antissubmarina.

Quando é necessária uma aceleração rápida, por exemplo para interceptar um contacto desconhecido ou reposicionar o navio perante uma ameaça de mísseis, as turbinas a gás podem ser activadas, proporcionando um forte aumento de velocidade. A possibilidade de alternar entre modos dá flexibilidade táctica aos comandantes sem exigir o redesenho de toda a disposição da maquinaria.

Sistemas de lançamento vertical e a sua importância

Um sistema de lançamento vertical consiste numa grelha de células integrada no convés do navio. Os mísseis ficam alojados nessas células e são lançados verticalmente antes de mudarem de trajectória em direcção ao alvo. Esta configuração permite transportar diversos tipos de mísseis na mesma área.

Para o DDX, isto significa uma combinação de armamento Aster de defesa aérea e, potencialmente, de mísseis de ataque terrestre ou antinavio no futuro. A marinha obtém a opção de reconfigurar a carga de cada navio entre missões, consoante a prioridade seja a defesa aérea, o ataque ou uma combinação de ambas.

À medida que Itália avança com a aquisição dos DDX, permanecem dúvidas sobre as datas exactas de entrega, as escolhas finais de armamento e a integração nas redes de defesa antimíssil da NATO em evolução. O que é claro é que Roma optou por investir fortemente em capacidades navais de alta gama, apostando que os contratorpedeiros avançados continuarão a ser um instrumento central do poder estatal no mar nas próximas décadas.

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Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

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