Saltar para o conteúdo
Notícias

Vinhos para acompanhar o cozido à portuguesa: uma seleção especial

Família reunida à mesa com vinho, pão, azeitonas e um prato tradicional português de carne e legumes.
Neste artigo
  1. Casa de Paços Loureiro Vinhas Velhas para o cozido à portuguesa
  2. Petrichor Branco de Curtimenta
  3. Dona Anca Grande Reserva Fernão Pires
  4. Defesa
  5. Gradil Saltimbancos Vital
  6. Ameal Oito
  7. Soalheiro Alvarinho Granit
  8. Barroca da Malhada
  9. Scala Coeli
  10. Suavis 3 Castas

Com a chegada do outono e do frio, que convida ao recolhimento, os cozidos voltam a ganhar lugar à mesa. Há saudades de um bom cozido e de o partilhar com quem mais amamos. A seleção de vinhos desta edição da Evasões é inteiramente dedicada ao cozido à portuguesa e reúne sobretudo brancos. Ficam as nossas sugestões para começar da melhor forma a temporada que se aproxima.

Um cozido digno desse nome inclui enchidos, partes moles e legumes cozidos. Cada casa tem a sua receita e, tanto nas famílias como nos restaurantes, procura-se servir o melhor de todos. Embora saibamos que esse objetivo é, por definição, impossível de alcançar, continuamos a tentar. A variedade de legumes e o magnífico caldo são os grandes elementos diferenciadores: por isso, procuramos os melhores enchidos da época e temos tendência para servir o cozido num prato fundo, de sopa.

A acidez do vinho é decisiva para uma boa harmonização, razão pela qual privilegiamos os brancos. A seleção inclui dois estremes de Loureiro, um de Ponte de Lima e outro de Barcelos. Encontrámos também um tesouro num branco alentejano de curtimenta, que acompanhou muito bem o cozido, e um Fernão Pires do Tejo que não ficou atrás. Pelo Alentejo e por Lisboa descobrimos frescura e tonalidades vibrantes muito bem-vindas. Na Quinta do Gradil, uma verdadeira pérola feita apenas com Vital deixou-nos felizes pela sintonia com este grande prato nacional. Há ainda um branco genial da Beira Interior, que resultou muito bem. Há muito para provar e harmonizar. Que o cozido nunca nos falte. Boas provas!

Casa de Paços Loureiro Vinhas Velhas para o cozido à portuguesa

Verdes branco 2023 (11,5%) | Quinta de Paços 14€
Pontuação*: 18,5

Para encontrar uma sintonia absoluta com o magnífico caldo de um cozido bem preparado, o ponto de partida deve ser um vinho branco. A sopa do cozido é a essência de um prato popular que todos veneramos, embora nem sempre lhe prestemos a devida homenagem. As partes moles merecem tanta ou mais atenção, sendo a acidez fixa fundamental para cortar a proteína. Este Loureiro estreme é perfeito para a tarefa e vai ainda mais longe, integrando na perfeição o conjunto de enchidos e carnes.

Petrichor Branco de Curtimenta

Alentejo branco 2025 (12,5%) | JP Ramos 33€
Pontuação*: 18

Este produtor clássico do Alentejo continua a surpreender-nos, como demonstra o seu branco de curtimenta. Apesar de não pertencer a um dos estilos mais populares, é um vinho com lugar de destaque à mesa portuguesa, desde que o consideremos entre as possibilidades. Feito com Arinto e Verdelho, apresenta grande frescura. A acidez fixa, bem trabalhada, permite-lhe interagir na perfeição com as carnes do cozido e criar um ambiente brilhante à mesa.

Dona Anca Grande Reserva Fernão Pires

Tejo branco 2023 (13,5%) | Casal Martins 18€
Pontuação*: 18

Anca Poiana Martins é um nome que qualquer enófilo sério deve ter em conta nas suas escolhas. Com uma capacidade de trabalho invulgar, demonstra ano após ano o seu enorme talento enológico no seu reduto, perto de Tomar. Este vinho passou oito meses em barricas de carvalho francês, estágio durante o qual adquiriu uma textura notável. Enfrenta com avidez todos os elementos do cozido e, apoiado numa excelente acidez, consegue envolver e resolver o prato na sua totalidade.

Defesa

Alentejo branco 2025 (13%) | Esporão 7€
Pontuação*: 17

Esta marca, uma das mais antigas do grande produtor alentejano, foi também a primeira a revelar a mudança radical do portefólio de vinhos para o modo biológico. A edição de 2025 aqui apresentada dá mais um passo radical no caminho da sustentabilidade: não tem cápsula nem qualquer elemento que não diga estritamente respeito ao néctar. Delicado e requintado, este branco acompanha bem uma boa sopa de cozido, fria ou quente, e cumpre igualmente a sua função à mesa com as partes moles do prato.

Gradil Saltimbancos Vital

Lisboa branco 2024 (12%) | Quinta do Gradil 35€
Pontuação*: 17

A Quinta do Gradil junta mais um Vital estreme ao seu brilhante conjunto de vinhos brancos. Ao promover a casta e utilizá-la numa perspetiva pedagógica, tem prestado um verdadeiro serviço público. O resultado é um vinho excecional, preparado para enfrentar os maiores desafios à mesa. O mosto fermentou primeiro em inox e passou depois oito meses em pote de barro, onde ganhou notas especiadas e untuosas, com sugestões de frutos secos e laivos de mel. O fundo terroso torna-o perfeito para acompanhar um bom e substancial cozido à portuguesa.

Ameal Oito

Verdes branco 2023 (8%) | Quinta do Ameal 11€
Pontuação*: 17,5

Como é habitual na marca, este vinho é produzido exclusivamente com Loureiro. Vem de Ponte de Lima, considerada a capital da casta por ser aí que se encontram o seu berço e a sua designação. O nome remete para o grau alcoólico, alcançado através de opções de vinificação destinadas a contê-lo, sem recurso a manipulação química. Com os enchidos do cozido, produz um efeito curioso e eficaz, harmonizando sem dificuldade os restantes elementos. Também os legumes se integram muito bem com o vinho.

Soalheiro Alvarinho Granit

Verdes branco 2025 (12,5%) | Vinusoalleirus 15€
Pontuação*: 17,5

As uvas Alvarinho são próprias e provêm de vinhas plantadas em solos graníticos, a 400 metros de altitude. A fermentação decorre em inox, seguindo-se o estágio sobre borras finas, com remuagem. No nariz e na boca, a mineralidade é marcada e um conjunto atraente de amargos prepara o vinho para acompanhar um bom cozido à portuguesa. Para quem, como eu, tem o hábito de servir os legumes cozidos com mostarda de Dijon, a ligação é sublime e evoca os cozidos do Norte da Europa. A belíssima acidez deste Alvarinho exemplar resolve praticamente o prato inteiro.

Barroca da Malhada

Beira Interior branco 2023 (13%) | Barroca da Malhada 16,5€
Pontuação*: 18,5

Vindo do Brasil, Fernando Camargo investiu já de forma significativa em vinhas e numa adega perto de Castelo Branco. Com o enólogo Fábio Fernandes, tem desenvolvido uma gama de vinhos brilhante e diferenciada, enriquecendo assim o já notável património vínico da Beira Interior. O estágio durou oito meses: 80% em inox, 10% em barricas novas de carvalho nacional e 10% em ânfora. O resultado foi muito feliz e deu origem a um branco muito original, produzido com uvas próprias de Arinto, Fernão Pires e Bical. A harmonização com o cozido à portuguesa é primorosa.

Scala Coeli

Alentejo branco 2023 (13,5%) | Fundação Eugénio de Almeida 35€
Pontuação*: 19

Os Scala Coeli são feitos com castas de outras regiões, plantadas nos solos graníticos da Fundação Eugénio de Almeida. A Encruzado teve um desempenho feliz e, apesar das adversidades climáticas desse ano, foi possível produzir este branco fascinante. Muito profundo, com aromas cítricos e corpo assinalável, tornou-se um vinho único e irrepetível graças a um trabalho aturado de remuagem das borras. Enfrenta sem dificuldades o cozido no seu conjunto e é, acima de tudo, um grande Encruzado.

Suavis 3 Castas

Alentejo tinto 2023 (13,5%) | Top Wines 18€
Pontuação*: 18

João Tique é um viticultor de mão cheia e o autor integral deste vinho, o único tinto da seleção dedicada ao cozido à portuguesa. É feito com uvas próprias de Alicante Bouschet (75%), Syrah (15%) e Petit Verdot (10%). Fermenta em pequenas cubas de inox, a temperatura controlada, e estagia durante dois anos em cubas de inox e três meses em garrafa. Fiel ao nome, apresenta uma suavidade desarmante e uma ligação autêntica à terra. O perfil alcançado é fantástico e a ligação sublime com o cozido é espantosa.

Pontuação de 0 a 20

Últimos artigos

Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário