Conhece a história dos M&M’s? Embora tenham sido inspirados nos famosos Smarties, no início foram pensados para uso militar.
Hoje estão entre os doces mais populares do planeta, mas a maioria das pessoas desconhece o percurso agitado que deu origem aos M&M’s - um caminho que começa na década de 30. Nessa altura, Forrest Mars entra em conflito com o pai por causa da direcção estratégica do negócio familiar e decide partir para o Reino Unido, onde cria a sua própria empresa, a Mars Confectionery Ltd. É aí que nasce a célebre barra Mars.
A inspiração nos Smarties durante a Guerra Civil Espanhola
Em 1938, em plena Guerra Civil Espanhola, Forrest Mars depara-se com voluntários britânicos a petiscar pequenas esferas de chocolate protegidas por uma camada dura de açúcar: Smarties, já então produzidos pelo confeiteiro britânico Rowntree. O detalhe que o impressiona é simples e decisivo: resistiam ao calor sem derreter. A partir daí, fica com a ideia de desenvolver uma versão própria, ajustada ao mercado norte-americano.
A parceria com a Hershey’s e o nascimento dos M&M’s
Quando regressa aos Estados Unidos, surge um entrave importante. Com a aproximação da Segunda Guerra Mundial, o açúcar e o chocolate passam a ser racionados. No entanto, havia uma empresa que conseguia contornar a escassez: a Hershey’s, fornecedora oficial do exército norte-americano. Percebendo que precisava de acesso garantido a chocolate para avançar, Forrest Mars conclui rapidamente que tinha de se associar a esse concorrente.
Propõe então um acordo a Bruce Murrie, filho do presidente da Hershey’s: Murrie entra com capital e com o acesso ao chocolate e, em troca, fica com uma participação no projecto. Assim nascem os M&M’s, iniciais de Mars e Murrie. A patente é registada a 3 de Março de 1941, e a produção arranca pouco depois em New Jersey. Ainda assim, estes doces não foram concebidos, de início, para o público em geral.
Das rações militares às prateleiras do supermercado
Embaladas em tubos de cartão - fáceis de transportar e de meter no bolso -, as pequenas bolas de chocolate eram perfeitas para o exército norte-americano. Assim que os Estados Unidos entram na guerra, passam a integrar as rações dos soldados com uma promessa clara: não derreter. No terreno, onde o calor fazia derreter qualquer quadrado de chocolate, isso era uma vantagem crucial. Até ao final da guerra, os M&M’s mantêm-se, aliás, reservados exclusivamente às tropas.
Com o fim do conflito, Mars aproveita o momento e inicia a venda ao público em 1945. Mais tarde, compra a parte de Murrie e fica sozinho ao comando da marca. O pequeno “m”, impresso em cada doce, surge em 1950 para combater as falsificações. Depois, chegam os M&M’s de amendoim em 1954, ano em que também aparece o slogan que se tornaria icónico: “Derrete na boca, não na mão”.
Ao longo do tempo, a gama de cores vai-se alargando: o vermelho, o amarelo e o verde juntam-se ao castanho original em 1960. Em 1971, as mascotes Vermelho e Amarelo ganham vida e, mais tarde, passam a aparecer nas embalagens. Já o azul nasce de uma votação popular realizada nos Estados Unidos em 1995. É uma história de sucesso que, mais de 80 anos depois da patente inicial, continua a reinventar-se ao ritmo das tendências e das preferências do público.
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