Reconhecida internacionalmente como um dos grandes símbolos do México, a tequila é uma bebida abrangida por Denominação de Origem Controlada (DOC). Isto significa que só pode usar esta designação quando é produzida em zonas específicas do país e de acordo com regras estabelecidas.
Nos últimos anos, este destilado ganhou um lugar diferente junto de consumidores e profissionais da cocktailaria. Deixou de estar ligado apenas ao tradicional «shot com sal e limão» e passou a integrar provas, harmonizações e cartas de bares especializados.
Esta evolução acompanha a crescente valorização das tequilas feitas com 100% de agave, bem como das categorias premium e super premium. A alteração é igualmente visível no mercado: de acordo com a consultora Grand View Research, prevê-se que o segmento mundial da tequila cresça, em média, 8,6% ao ano entre 2026 e 2033, impulsionado pela procura de destilados de maior valor acrescentado.
A nova percepção da tequila está também relacionada com a forma como é bebida. Na segunda-feira, durante o 1800 Experience, no AVLA Bar e Cozinha, em São Paulo, acompanhei uma prova orientada por Michel Felicio, embaixador da marca e proprietário do espaço.
Promovida pela Aurora Fine Brands, importadora e distribuidora das bebidas Casa Cuervo no Brasil, a iniciativa apresentou outra forma de apreciar o destilado: bem fresco, sem sal nem limão, para manter intactos os aromas e os sabores das várias expressões da bebida.
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Durante a prova, experimentei as referências Reposado, Añejo e Cristalino numa análise sensorial centrada na identificação de aromas, textura e sabor. O programa incluiu ainda um workshop de cocktailaria, no qual preparei um Añejo Old Fashioned: uma interpretação do clássico que troca o whisky pela tequila 1800 Añejo e exemplifica a aplicação da bebida em receitas contemporâneas.
De bebida para shots à protagonista dos bares
A tequila tem também uma data própria no calendário. Assinalado a 24 de julho, o Dia Internacional da Tequila sublinha a relevância cultural e económica deste destilado mexicano, produzido sob as normas da Denominação de Origem Controlada (DOC). A celebração coincide com uma fase de expansão da categoria, alimentada pelo crescimento das tequilas premium e pela curiosidade dos consumidores em descobrir os diversos estilos da bebida.
Para Michel Felicio, esta mudança continua, contudo, a enfrentar ideias que se foram disseminando ao longo dos anos. Uma das mais frequentes é a crença de que a tequila tem uma graduação alcoólica superior à de outros destilados.
“É comum ouvirmos que tequila é ‘forte demais’, mas isso é mais uma percepção do que realidade. A maior parte das tequilas tem 40% de teor alcoólico, o mesmo que vodca, uísque ou rum. A diferença é que muita gente consome tequila em shots, o que intensifica a sensação de impacto”, afirma. Segundo ele, rótulos como Jose Cuervo e 1800 Reposado apresentam equilíbrio e complexidade, mantendo a mesma graduação alcoólica de outros destilados.
Segundo Michel, a alteração na forma como a tequila é vista acompanha a evolução da própria categoria. As tequilas produzidas com 100% de agave e sujeitas a diferentes métodos de envelhecimento passaram a revelar um perfil sensorial mais vasto do que aquele que muitos consumidores conheciam.
“Durante muitos anos, a tequila exportada era, em sua maioria, de perfil mais simples, o que consolidou o hábito de consumi-la em shots com sal e limão. Hoje, as tequilas premium revelam uma riqueza de aromas e sabores que permite apreciá-las tanto puras quanto em coquetéis sofisticados”, diz.
O interesse cada vez maior na origem dos ingredientes e nos processos de produção levou igualmente bares e restaurantes a alargar as suas cartas. Assim, disponibilizam estilos distintos da bebida, quer para cocktails, quer para provas. Consoante a expressão e o período de envelhecimento, a tequila pode revelar notas vegetais, cítricas, minerais, florais, frutadas ou amadeiradas, permitindo combinações com fruta, ervas, especiarias, café, chocolate, vermutes e espumantes.
Entre os cocktails mais conhecidos, a Margarita continua a ser uma das grandes referências da categoria. A Paloma ganha igualmente espaço em vários mercados, enquanto receitas como Tommy’s Margarita, Rosita e Añejo Old Fashioned demonstram como a tequila passou a integrar releituras de clássicos da cocktailaria.
As diferenças entre os estilos de tequila
As distinções entre os estilos de tequila dependem sobretudo do tempo de envelhecimento. A Blanco é engarrafada imediatamente após a destilação, conservando as características do agave e revelando notas cítricas, vegetais e minerais. Por essa razão, é habitualmente usada em cocktails como a Margarita e a Paloma.
A Reposado estagia entre dois meses e um ano em barricas de carvalho, desenvolvendo notas de baunilha, caramelo e especiarias. O seu perfil adapta-se tanto à preparação de cocktails como ao consumo simples.
Por sua vez, a Añejo envelhece entre um e três anos em barricas de carvalho. Este estágio confere-lhe aromas e sabores mais marcantes, com notas amadeiradas, de chocolate, frutos secos e especiarias, sendo muitas vezes apreciada simples ou com gelo.
Os principais mitos sobre a Tequila
“Tequila tem teor alcoólico maior do que outros destilados”?
MITO: É comum ouvirmos que tequila é “forte demais”, mas isso é mais uma percepção do que realidade”, diz o especialista. “A maior parte das tequilas tem 40% de teor alcoólico, o mesmo que vodca, uísque ou rum. A diferença é que muita gente consome tequila em shots, o que intensifica a sensação de impacto”. Rótulos como a popular Jose Cuervo ou 1800 Reposado oferecem equilíbrio e complexidade, com o mesmo teor de outras bebidas destiladas.
“ A Tequila só pode ser produzida no México?”
VERDADEIRO: “Assim como o champanhe só pode ser produzido na região de Champagne, na França, a tequila só pode ser feita no México. Esse controle de origem é o que garante a autenticidade da bebida e protege toda uma herança cultural”, pontua Michel.
De acordo com a legislação mexicana, apenas as bebidas produzidas numa das cinco regiões autorizadas - Jalisco, Nayarit, Guanajuato, Michoacán e Tamaulipas - e que incluam, no mínimo, 51% de agave-azul podem ser oficialmente classificadas como tequila.
O nome da bebida presta homenagem à povoação de Tequila, situada nas imediações de Guadalajara. É aí que se encontra a histórica Destilaria La Rojeña, da Jose Cuervo, considerada a mais antiga da América Latina ainda em actividade.
“Tequila boa é a mais envelhecida?”
MITO: O envelhecimento influencia a cor, o aroma e o sabor da tequila, mas não define a sua qualidade. “Existe uma valorização muito grande das tequilas envelhecidas, como as reposado e añejo, mas isso não significa que as jovens sejam inferiores. Na verdade, muitas das inovações mais interessantes vêm de tequilas envelhecidas”.
É o que acontece com as chamadas tequilas cristalinas, que conservam o sabor e o aroma próprios de uma tequila maturada, mas apresentam o aspecto límpido e transparente das versões não envelhecidas - como a Maestro Dobel Diamante, a primeira tequila cristalina da história. Trata-se de uma tequila reposado que repousa durante sete meses em barricas de carvalho da Europa de Leste e, depois, é submetida a uma filtragem com carvão activado, capaz de remover a cor sem afectar a complexidade sensorial da bebida.
“Tequila se bebe com sal e limão?”
MEIO VERDADE: “Essa prática surgiu fora do México e não faz parte da tradição local”, esclarece Michel Felício. “No México, a tequila é consumida pura e em pequenos goles, É uma forma muito mais rica de apreciar os aromas e sabores da bebida. E claro, ela também brilha nos coquetéis, não só na margarita, mas em diversas receitas autorais que valorizam sua complexidade”.
“Tequila causa ressaca mais forte?”
MITO: “A ressaca não está ligada ao tipo de bebida, e sim ao excesso e à qualidade do que se consome”, afirma Michel. Tequilas de qualidade, com processo limpo costumam ser mais leves nesse sentido. A dica é: escolha bem o que está no seu copo e se mantenha sempre bem hidratado. Isso faz toda diferença no dia seguinte!
“A tequila ainda atinge o público jovem?”
VERDADEIRO: Ao contrário do que muitas pessoas supõem, a tequila tem conquistado cada vez mais espaço entre os jovens e os entusiastas da cocktailaria. Nas redes sociais, em bares e em festivais, a bebida surge em destaque nas tendências globais, impulsionada por referências premium e por uma cultura que privilegia experiências mais autênticas e sofisticadas.
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