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Casa Januário na Baixa do Porto comemora o centenário na segunda-feira e convida todos para a festa

Loja tradicional portuguesa com homem a organizar latas de conserva em prateleiras e balança antiga.

A histórica Casa Januário, na Baixa do Porto, faz 100 anos esta segunda-feira e deixa o convite aberto para que toda a gente participe na celebração. O negócio permanece nas mãos da família do fundador e já segue na terceira geração.

Casa Januário: centenário na Baixa do Porto com festa aberta a todos

Chegar ao marco dos cem anos - que se assinala esta segunda-feira - não é, na Casa Januário, sinal de desgaste. É, isso sim, a prova de um percurso consolidado, iniciado pela ambição e pela coragem de Januário Mendes Ferreira, que veio de uma aldeia do Fundão para o Porto e começou a trabalhar aos 14 anos como marçano.

Tal como acontece com um vinho do Porto que ganha com o tempo, também a mercearia foi crescendo e apurando-se. Quando o filho, Nuno Manuel, começou a conduzir o dia a dia da empresa, alargou a atividade à venda de vinho do Porto e de decorações para bolos. Hoje, já entregue à terceira geração, a casa apresenta-se ainda mais cuidada e “rejuvenescida”, apesar do século de vida que vai sendo comemorado ao longo do dia. Os parabéns ouvem-se por volta do meio-dia, momento em que o bolo de aniversário será aberto e servido a todos os visitantes.

Três gerações e o regresso aos detalhes originais da mercearia

Os netos de Januário - Nuno Torgal e as duas irmãs - mantêm o projeto em andamento com a mãe, insistindo tanto na qualidade do que vendem (café, artigos para bolos e vinhos) como na preservação da memória da casa. Nos últimos anos, têm procurado repor características que marcavam a traça original do espaço, devolvendo-lhe pormenores que se tinham perdido.

Um dos exemplos é a fachada em madeira, recolocada há mais de dez anos, depois de a original ter sido trocada por alumínio. Outro é o conjunto de estantes também em madeira, instalado no início deste ano logo à entrada, seguindo o modelo das que existiam na época de Januário.

"Temos feito tudo à imagem dessa época, para tentar recuperar o que havia na origem da mercearia. No tempo do meu avô, as montras eram numeradas, e nós trouxemos a numeração outra vez. Acho que tanto o avô como o pai ficariam orgulhosos do trabalho que estamos a fazer", sorri Nuno Torgal, que entrou para a loja há quatro décadas, quando tinha 20 anos.

Memória, futuro e a garrafeira com zona de degustação

O espaço, no seu todo, funciona quase como uma homenagem constante ao passado. Ali, a ideia de avançar não passa por cortar com o que foi feito, mas por integrar essa herança e construir a partir dela.

"Temos muito orgulho de onde vimos. Se hoje estamos cá é porque houve um passado e porque o nosso avô e o nosso pai permitiram que a casa fosse construída", sublinha Nuno Torgal. Foi ele, recorde-se, quem desenhou há anos uma garrafeira para o fundo da loja, aumentando a oferta e criando uma área de degustação que se tornou particularmente procurada por turistas que entram para provar os vinhos.

Loja classificada

"É preciso ter sempre esta imaginação e o pensamento de que as coisas não podem parar. É uma evolução da Casa Januário que, no tempo do meu avô e do meu pai, estava longe de ser imaginada. E esse é um dos segredos da loja, que é descobrir, dentro de um negócio, outros pequenos negócios que nos permitem melhorar e estar ativos", afirma o gerente da loja, distinguida em 2017 com a classificação Porto de Tradição.

A lógica de procurar novas ideias dentro do próprio negócio, explica Nuno Torgal, foi aprendida com o avô e com o pai. Na comemoração do centenário, essa ligação é assinalada nas montras da Rua Formosa, dedicando uma a cada um, com fotografias: Januário associado ao café, a sua grande paixão, e Nuno Manuel ligado ao vinho. Afinal, foi o avô quem pegou na antiga mercearia Flor da China e a converteu na Casa Januário, onde se afirmou como negociante de café; e foi o pai quem iniciou ali a venda de vinho e de artigos para bolos.

"Fomos buscar tudo isto; a parte do meu pai e a do meu avô, e percebemos que uma mercearia não tem de ser imutável", aponta Nuno Torgal. Agora, admite ter "a expectativa" de que a 4.ª geração da família "tome gosto" pela atividade e assegure a continuidade. No dia em que se celebra o trabalho começado com a dedicação de Januário, deixa também um agradecimento a quem reconhece o percurso feito - incluindo o voto de saudação pelo centenário proposto pelos vereadores do PS, algo que o deixou "muito contente".

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