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Como a água do degelo da Cordilheira dos Andes molda a cerveja artesanal de Bariloche

Homem a servir cerveja artesanal ao ar livre com montanhas e rio ao fundo numa tarde ensolarada.

Quando a neve se instala nas montanhas da Patagónia Argentina, dá também início a um ciclo que, meses mais tarde, acaba por chegar aos copos de cerveja produzidos em Bariloche. À medida que a Cordilheira dos Andes começa a derreter, o degelo alimenta rios, lagos e nascentes da região - e fornece uma das matérias-primas centrais da produção artesanal local: a água.

A água do degelo e a base da cerveja

Com uma baixa concentração de minerais, a água resultante do degelo é escolhida pelos mestres cervejeiros por oferecer um ponto de partida mais neutro na elaboração da bebida. Essa neutralidade faz com que ingredientes como os maltes, os lúpulos e as leveduras sobressaiam com maior clareza nos vários estilos produzidos na cidade.

A água corresponde a cerca de 90% da composição da cerveja e tem impacto directo no resultado final no copo. Em Bariloche, as condições naturais da zona cruzam-se com técnicas trazidas por imigrantes alemães, suíços e austríacos, que ajudaram a consolidar a tradição cervejeira local.

Tradição europeia e estilos de cerveja artesanal de Bariloche

A cidade argentina concentra dezenas de cervejarias artesanais, com produções que incluem estilos como Pilsen, IPA, APA, Porter e Stout. Para lá das receitas clássicas, há também criações que integram ingredientes característicos da Patagónia, como frutas vermelhas, mel e variedades de lúpulo cultivadas na região.

Cerveja artesanal entra no roteiro turístico

Com o tempo, a produção local passou a integrar as experiências propostas a quem visita o destino. Brewpubs espalhados por Bariloche permitem provar diferentes rótulos enquanto os clientes experimentam pratos típicos da gastronomia patagónica, como cordeiro, truta, enchidos artesanais e tábuas de queijos.

A cerveja artesanal acompanha, igualmente, os momentos mais marcantes de uma viagem pela região. No inverno, depois de actividades como esqui no Cerro Catedral ou passeios por paisagens cobertas de neve, bares e cervejarias transformam-se em pontos de encontro tanto para turistas como para moradores.

E não é só na época de neve: ao longo de todo o ano, a produção cervejeira entra em roteiros combinados com passeios pelos lagos, trilhos e áreas naturais nos arredores da cidade.

De acordo com o Emprotur Bariloche, o turismo gastronómico tem atraído visitantes brasileiros interessados em experiências que ligam natureza, cultura e cozinha local. Neste contexto, a cerveja artesanal passou a ocupar um lugar dentro da identidade gastronómica do destino.

Com origem na água do degelo da Cordilheira dos Andes e marcada pela influência da tradição europeia, a produção cervejeira de Bariloche junta elementos naturais e culturais da Patagónia numa das principais experiências gastronómicas da cidade.


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