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Mini-formatos nos supermercados: o fenómeno em França segundo a TF1 e a NielsenIQ

Mulher jovem a comparar duas garrafas de azeite no corredor de supermercado.

Um fenómeno que salta à vista nas prateleiras dos nossos supermercados.

Num recente trabalho do telejornal da TF1, vários consumidores franceses explicaram porque estão a optar por mini-formatos. Uma das pessoas entrevistadas resumiu assim a lógica: “É para aproveitar um pequeno prazer, mas não em grande quantidade”. Entre os motivos apontados surgem argumentos muito variados, desde a conveniência até ao preço.

Porque é que os mini-formatos estão a ganhar terreno

Para muitos clientes, os formatos mais pequenos encaixam melhor no dia a dia: são fáceis de transportar, ocupam menos espaço e evitam sobras. Ao mesmo tempo, cresce o desinteresse por formatos maiores - incluindo as conhecidas embalagens de 16 unidades.

Quando se olha para os preços, porém, os nossos colegas sublinham um ponto essencial: esta preferência pelos tamanhos reduzidos nem sempre representa um bom negócio. Em muitos casos, o custo por quilo acaba por ser mais elevado do que nos formatos maiores.

O impacto para a indústria: adaptação e investimento

Esta mudança de hábitos está também a obrigar os fabricantes a reagirem. A TF1 foi até ao departamento do Loire, a uma fábrica do grupo Aoste - líder francês na charcutaria seca. O seu CEO, Patrick Bombart, referiu que a empresa investiu em novas máquinas para reforçar a capacidade de produção de mini-salsichões, que representam 50 das vendas da companhia.

Uma explosão do número de agregados familiares em França

Christophe Dejob, responsável de um Intermarché, descreve em duas frases o que tem observado um pouco por todo o país: “Antes, vendíamos embalagens de iogurtes de 16, isso já quase não se vende. Hoje, vendem-se mais iogurtes em packs de dois, vá, de quatro”.

Para compreender este fenómeno, vale a pena olhar para os dados demográficos franceses. Em 2025, a NielsenIQ (NIQ) publicou um estudo particularmente relevante sobre o tema. Na ocasião, Maxime Sbaihi, economista, ensaísta e especialista em questões económicas e demográficas, explicava:

A França está a viver uma crise de queda da natalidade. Em 2024, nasceram 663 000 bebés em França. É o número de nascimentos mais baixo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A taxa de fecundidade situa-se em 1,62 filhos por mulher, ou seja, o nível mais baixo desde 1919. Isto representa um verdadeiro desafio para o modelo social e económico francês.

Estas tendências alteram o contexto para consumidores e supermercados, até porque se regista também uma forte subida do número de agregados familiares (31 milhões em 2025 contra 23 em 1995).

Madline Sandevoir, Directora do Painel de Consumidores na NielsenIQ, comenta assim este efeito:

A redução da dimensão dos agregados implica, de forma lógica, uma despesa anual mais baixa por agregado. Por exemplo, são necessários 3 lares unipessoais para compensar a despesa anual de um agregado de 5 pessoas. As marcas terão, por isso, de se adaptar para compensar esta descida, seja captando mais compradores, seja trabalhando a frequência de compra quando possível, ou ainda valorizando a sua oferta na medida certa.

Para consultar este estudo, é por aqui.


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