Enquanto faz compras, o carro carrega discretamente em segundo plano - os parques de estacionamento dos supermercados estão a mudar o dia a dia de milhões de condutores.
Quem conduz um automóvel elétrico conhece bem a situação: a autonomia é suficiente, a condução é agradável, mas procurar o próximo local para carregar acaba por ser cansativo. É precisamente neste ponto que o retalho alimentar está a intervir. Cada vez mais supermercados estão a transformar os seus parques de estacionamento em hubs de carregamento modernos, uma mudança que poderá aliviar significativamente a «ansiedade de carregamento» de muitos condutores.
Porque é que os supermercados passaram a fornecer eletricidade
Os automóveis elétricos estão em forte crescimento. Em vários países europeus, incluindo a Alemanha, a percentagem de veículos elétricos nos novos registos aumenta rapidamente. A pressão política, as metas climáticas e os preços elevados dos combustíveis impulsionam a passagem dos motores de combustão para os carros elétricos. Ainda assim, mantém-se um obstáculo essencial: o quotidiano exige uma rede de postos de carregamento densa e prática.
É aqui que entram as grandes cadeias de retalho. Os seus parques de estacionamento têm grandes dimensões, boas acessibilidades e são visitados regularmente por clientes habituais. Quem se desloca para fazer as compras da semana dispõe geralmente de 20 a 40 minutos - exatamente o tempo de que os carregadores rápidos necessitam.
Os supermercados estão a converter os seus parques de estacionamento em zonas de carregamento, onde as compras e o reabastecimento da bateria se conjugam de forma ideal em termos de tempo.
Para as cadeias de retalho, esta solução não representa apenas um serviço, mas também uma estratégia: quem consegue carregar o automóvel comodamente enquanto faz compras terá maior probabilidade de voltar. O posto de carregamento torna-se um atrativo para clientes e, em certos casos, até uma fonte adicional de receita.
Parques de estacionamento em transformação: do betão ao nó energético
Em muitos países, os gigantes do retalho estão a avançar com projetos de grande dimensão. Também há exemplos conhecidos na Alemanha: cadeias de desconto e supermercados apostam há vários anos em pontos de carregamento nos seus parques de estacionamento. A tendência aponta claramente para a expansão da rede e para a modernização tecnológica.
Os objetivos habituais desta reconversão são:
- Carregar eletricidade durante as compras regulares
- Fidelizar os clientes à própria marca durante mais tempo
- Criar opções de carregamento em regiões onde quase não existem carregadores rápidos
- Reforçar a imagem de sustentabilidade da empresa
Sobretudo nas zonas rurais, onde existem poucos postos de carregamento rápido fora das autoestradas, os parques de estacionamento dos supermercados podem colmatar uma lacuna. Muitas lojas situam-se nas entradas das localidades ou junto a estradas nacionais, locais ideais para uma paragem rápida de carregamento.
Velocidade de carregamento: o tempo é mesmo compatível com as compras?
A ideia só resulta se a tecnologia acompanhar. Os carregadores rápidos, também designados por carregadores DC, conseguem normalmente elevar a carga da bateria de cerca de 10 para 80 por cento em aproximadamente meia hora, consoante o automóvel e o posto. Por coincidência, este intervalo corresponde precisamente ao tempo médio passado num supermercado.
Quem conclui as compras da semana em 30 minutos sai, no cenário ideal, do parque de estacionamento com a bateria consideravelmente mais carregada - sem uma paragem adicional noutro posto de carregamento.
Para que este modelo funcione, muitos estabelecimentos adotam uma solução mista:
- Carregadores rápidos para clientes que fazem apenas uma breve paragem
- Carregadores AC normais para permanências mais longas, por exemplo, em lojas especializadas ou restaurantes adjacentes
- Ofertas de carregamento parcialmente gratuitas ou eletricidade a preço reduzido para clientes habituais com cartão de cliente
Desta forma, vai surgindo gradualmente uma rede de carregamento mais densa, capaz de tornar o dia a dia consideravelmente mais tranquilo. Quem planeia os seus percursos percebe que o supermercado passa a ser um elemento fixo da sua estratégia de carregamento.
Uma rede de retalho na liderança: o que mais se destaca
Na comparação europeia, algumas cadeias revelam uma ambição particular. Um exemplo no retalho mostra que as lojas de uma conhecida associação estão a equipar regiões inteiras com carregadores especialmente potentes. Isto é possível graças a parcerias com empresas de energia e especialistas em infraestruturas, responsáveis por fornecer a tecnologia e assegurar a operação.
A dimensão técnica é particularmente interessante: alguns dos postos recentemente instalados atingem potências de até 600 kW - muito acima dos habituais 50–150 kW de muitos carregadores rápidos já existentes. Atualmente, apenas alguns modelos de automóveis conseguem aproveitar estes valores, mas os retalhistas estão claramente a planear a longo prazo.
Com potências de carregamento de várias centenas de quilowatts, os supermercados já se estão a preparar para futuras gerações de veículos que necessitam de paragens extremamente curtas.
Para os condutores, isto significa que, dentro de alguns anos, quem utilizar um modelo novo poderá carregar, durante as compras da semana, eletricidade suficiente para percorrer várias centenas de quilómetros em poucos minutos.
Como é, na prática, carregar enquanto se faz compras
Atualmente, uma visita típica decorre muitas vezes da seguinte forma:
- Chegada ao parque de estacionamento do supermercado, com a navegação a indicar diretamente os postos de carregamento.
- Ligação do automóvel e início do carregamento através de uma aplicação, cartão de carregamento ou código QR.
- Cerca de 20–30 minutos dentro da loja: compras e, talvez, uma breve passagem pela padaria ou pelo café.
- Regresso ao automóvel: terminar o carregamento, desligar o cabo, devolver o carrinho de compras e seguir viagem.
Com carregadores rápidos modernos, pode entrar na bateria, durante esse período, energia suficiente para toda a semana de trabalho, dependendo da distância diária de deslocação. Quem utiliza regularmente o mesmo supermercado deixa praticamente de ter de se preocupar com postos de carregamento separados.
Oportunidades para zonas rurais e pequenas cidades
Este modelo tem um potencial enorme, sobretudo fora das grandes áreas metropolitanas. Muitas aldeias e pequenas cidades dispõem de poucos pontos de carregamento públicos, muitas vezes situados junto à garagem da câmara municipal ou na praça principal. Já os supermercados possuem áreas amplas e ligação à rede suficiente para operar carregadores rápidos adicionais.
Assim, podem beneficiar regiões que até agora parecem ficar para trás na infraestrutura de carregamento. Os trabalhadores pendulares carregam durante as compras de fim de semana, enquanto os visitantes abastecem a bateria ao mesmo tempo que compram provisões. O supermercado transforma-se num ponto central de mobilidade, não apenas para os residentes, mas também para quem está de passagem.
Aspetos a ter em conta pelos condutores
Embora a proposta seja apelativa, vale a pena analisar atentamente as condições existentes no local. Entre os pontos importantes contam-se:
- Tarifas: o carregamento é gratuito, tem preço reduzido ou é cobrado ao valor normal?
- Limite de tempo: existem tempos máximos de estacionamento ou carregamento para evitar bloqueios?
- Acesso: os postos estão disponíveis 24 horas por dia ou apenas durante o horário de abertura do supermercado?
- Tipos de ficha: são disponibilizados padrões comuns, como o CCS?
Em postos particularmente rápidos, o preço da eletricidade pode ser superior ao praticado em carregadores AC mais lentos. Em contrapartida, poupa-se tempo. Quem dispõe de várias alternativas na zona deve compará-las previamente através de uma aplicação.
Porque fazem sentido potências de carregamento tão elevadas
Algumas pessoas questionam por que razão os retalhistas investem em caros carregadores ultrarrápidos com potências de 300 kW ou mais, quando os automóveis atuais ficam frequentemente bastante abaixo desses valores. A resposta está na evolução prevista para os próximos anos. Os fabricantes trabalham em baterias capazes de suportar correntes muito superiores sem se degradarem rapidamente.
Quanto mais avançada for a tecnologia, mais curtas serão as paragens. Permanências prolongadas no parque de estacionamento não combinam com compras rápidas, pelo que são necessários postos capazes de transferir grandes quantidades de energia em dez a quinze minutos. Desta forma, os supermercados preparam-se atempadamente para a próxima geração de veículos.
Mais do que carregamento: novos serviços em torno do automóvel
O aumento da frota de veículos elétricos abre novas áreas de negócio para o retalho e os seus parceiros. Entre as possibilidades, algumas já parcialmente concretizadas, encontram-se:
- Lugares de carregamento reserváveis nas horas de maior afluência através de uma aplicação
- Descontos especiais nas compras quando o carregamento é efetuado em simultâneo
- Integração com energia fotovoltaica nas coberturas dos parques de estacionamento
- Sistemas de armazenamento que acumulam energia excedentária e reduzem a pressão sobre a rede
Deste modo, surgem pequenos centros de energia precisamente nos locais por onde as pessoas passam várias vezes por semana. Isto desempenha um papel que não deve ser subestimado na transição energética, pois permite distribuir de forma mais flexível a procura de eletricidade.
O que esta tendência significa para o futuro da mobilidade elétrica
Se um número crescente de supermercados seguir este caminho, o quotidiano dos condutores de automóveis elétricos poderá mudar profundamente. O carregamento passa a integrar-se em tarefas rotineiras, como fazer compras ou comer algo rapidamente. A tradicional deslocação à estação de serviço perde importância.
Quem está atualmente a considerar mudar para um automóvel elétrico deve já incluir os supermercados próximos no seu planeamento pessoal de carregamento. Cada novo projeto num parque de estacionamento aumenta a independência face a um lugar de estacionamento doméstico com wallbox. Isto pode também facilitar a vida a inquilinos de edifícios multifamiliares, para quem as possibilidades de carregamento próprias têm sido frequentemente difíceis de concretizar.
Assim, o simples parque de estacionamento de supermercado, durante muito tempo apenas uma área funcional de betão, transforma-se gradualmente numa peça decisiva para o sucesso da mobilidade elétrica - prático, adequado ao quotidiano e mais próximo das pessoas do que muitas estações de carregamento convencionais alguma vez estiveram.
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