Saltar para o conteúdo
Notícias

Os percevejos diabólicos estão de volta: eis como fazê-los sair da sua casa

Mão a usar papel para apanhar percevejo numa janela com gotas de chuva no vidro.
Neste artigo
  1. Inofensivo, mas nunca o esmague
  2. Como fazê-los sair de casa sem cheiro
  3. Como reconhecer o percevejo-asiático
  4. Porque aparecem agora dentro de casa
  5. Vedar as entradas: a medida mais eficaz
  6. E as armadilhas?
  7. Quando chamar um profissional

Chegam as primeiras noites frias e, de repente, aparece um inseto castanho, achatado e com forma de escudo pousado no caixilho da janela da sala, na cortina ou no teto do quarto. No dia seguinte já são dois ou três. Quase toda a gente faz o mesmo gesto: pega num lenço de papel e esmaga o inseto. Esse é o erro. Pouco depois a divisão fica com um cheiro intenso e desagradável, difícil de tirar.

O inseto chama-se percevejo-asiático ou percevejo-marmoreado-asiático (Halyomorpha halys). Na imprensa francesa e belga tem sido apelidado de "percevejo diabólico", e o outono é a época em que procura abrigo dentro das casas. A boa notícia é que é inofensivo e que há dois gestos simples para o pôr fora de casa sem deixar rasto de cheiro: uma folha de papel e o aspirador com uma meia de vidro na ponta do tubo.

Inofensivo, mas nunca o esmague

O percevejo-asiático não pica, não morde, não se alimenta de sangue e não transmite doenças, segundo a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).

A DGAV indica também que não é perigoso para pessoas nem para animais domésticos. E não estraga móveis nem a estrutura da casa. O verdadeiro problema é o cheiro: quando se sente ameaçado ou é esmagado, liberta um odor forte, que muitos comparam ao cheiro de coentros.

Esmagá-lo é, por isso, a forma mais rápida de encher a divisão de mau cheiro. O líquido que liberta pode ainda deixar marcas em cortinados, paredes claras e tecidos, e há pessoas mais sensíveis que podem ter irritação na pele ou nos olhos ao contactar com ele.

Há outros erros a evitar:

  • agarrá-lo com as mãos nuas, porque, se se sentir ameaçado, liberta o odor de imediato;
  • usar inseticidas em spray dentro de casa, sobretudo no quarto ou perto de alimentos; matam os que estão à vista, mas outros continuam a sair dos esconderijos, e a família e os animais ficam expostos a produtos desnecessários;
  • deixar insetos mortos nos esconderijos, como caixas de estore ou sótãos, onde podem atrair outros pequenos insetos que se alimentam de restos.

Como fazê-los sair de casa sem cheiro

1. O método da folha de papel

É o mais simples e o mais "pacífico". Encoste uma folha de papel, um cartão ou uma revista ao inseto e deixe-o subir. Se for preciso, toque-lhe suavemente por trás com a ponta de outra folha. Depois, abra a janela e sacuda-o para o exterior.

Outra versão: coloque um copo por cima do percevejo, deslize uma folha por baixo e leve-o lá para fora. Faça movimentos lentos: quanto menos o assustar, menor é a probabilidade de libertar o cheiro.

2. O aspirador com uma meia de vidro

Quando são vários, o aspirador é o melhor aliado, mas com um truque. Se os aspirar diretamente para o saco ou para o depósito, o aparelho pode ficar a cheirar a percevejo durante dias.

  • Arranje uma meia de vidro (de nylon) ou corte uma perna de uns collants velhos.
  • Introduza a meia no tubo do aspirador, com a parte do pé virada para dentro, dobre a abertura sobre a borda do tubo e prenda-a com um elástico.
  • Aspire os percevejos com a potência no mínimo: ficam presos na meia, sem chegar ao interior do aspirador.
  • No fim, desligue o aparelho e retire a meia com cuidado, segurando a abertura fechada. Sacuda os insetos para o exterior, longe de casa, ou passe-os diretamente para o frasco do método seguinte. Se preferir deitá-la fora, dê um nó à meia e coloque-a no lixo.

3. O frasco com água e detergente

Se não quiser simplesmente devolvê-los ao exterior (onde podem tentar entrar outra vez), coloque-os num frasco com água e umas gotas de detergente da loiça. O detergente quebra a tensão superficial da água e o inseto não consegue sair. Enquanto o estiver a usar, mantenha o frasco tapado e fora do alcance de crianças e animais; no fim, deite o conteúdo fora.

Calma e movimentos lentos: um percevejo que não se sente ameaçado raramente liberta o mau cheiro.

Como reconhecer o percevejo-asiático

Convém confirmar que se trata mesmo dele e não de um percevejo-da-cama, que é um problema muito diferente.

  • Tamanho: cerca de 1,2 a 1,7 cm, bastante maior do que um percevejo-da-cama.
  • Forma: corpo achatado em forma de escudo, castanho acinzentado e com um padrão "marmoreado".
  • Antenas: têm faixas claras, quase brancas, bem visíveis.
  • Bordos do corpo: alternam manchas claras e escuras.
  • Comportamento: anda devagar, voa com um zumbido e aparece sobretudo junto a janelas e fontes de luz.

O percevejo-asiático foi confirmado em Portugal no final de 2018. Desde então, investigadores da Universidade de Coimbra têm registado uma expansão rápida, sobretudo no Norte e no Centro do país, embora já haja registos noutras regiões.

Porque aparecem agora dentro de casa

Este percevejo passa o inverno em repouso. Quando as temperaturas descem, procura locais abrigados e secos onde possa ficar até à primavera. Na natureza, escolhe cascas de árvores e fendas. Junto às habitações, prefere sótãos, caixas de estore, frinchas de janelas e portas, e o espaço por baixo das telhas.

É por isso que costuma ser encontrado:

  • nos caixilhos de alumínio e nas calhas das janelas;
  • dentro ou junto das caixas de estore;
  • atrás de cortinados e quadros;
  • nos tetos e cantos das divisões mais quentes e soalheiras;
  • em roupa estendida no exterior, que depois entra em casa.

Em dias de sol, mesmo no inverno, alguns "acordam" com o calor e começam a andar pela casa ou a voar em direção às lâmpadas. Não significa que se estejam a reproduzir lá dentro: segundo os serviços de extensão agrícola norte-americanos, que acompanham esta praga há anos, este percevejo não se reproduz no interior das habitações.

Vedar as entradas: a medida mais eficaz

Retirar os percevejos resolve o momento; impedir que entrem resolve a estação. Os especialistas em controlo de pragas consideram a vedação das frinchas a forma mais eficaz de manter estes insetos fora de casa.

  • Janelas de alumínio e de vidro simples: verifique as borrachas e as escovas das calhas. Se estiverem gastas, substitua-as ou reforce a vedação com fita vedante, à venda em lojas de bricolage.
  • Caixas de estore: são uma das principais portas de entrada. Vede as frestas com fita de espuma ou escovas próprias para estores.
  • Frinchas e juntas: preencha fendas à volta de caixilhos, tubos e cabos que atravessam paredes com silicone ou massa acrílica.
  • Portas: coloque um vedante ou uma escova na parte inferior das portas que dão para o exterior.
  • Redes mosquiteiras: confirme que não têm rasgões, sobretudo nas janelas da cozinha e dos quartos.
  • Roupa estendida: antes de a recolher, sacuda-a bem, em especial nos dias soalheiros de outono.

O ideal é tratar disto no início do outono, antes de os percevejos se instalarem. Se já houver vários dentro de casa, retire-os primeiro e vede depois, para não os fechar lá dentro.

E as armadilhas?

Há à venda armadilhas próprias para percevejos, algumas com feromonas. Devem ser usadas com prudência: as que têm atrativos podem chamar mais insetos para perto da casa, e no interior costumam ter pouca eficácia. Se optar por elas, coloque-as no exterior e afastadas de portas e janelas.

Quando chamar um profissional

Na maioria das casas, alguns percevejos por dia são um incómodo passageiro. Mas, se encontrar dezenas de insetos todos os dias, se estiverem concentrados num sótão ou num vão do telhado, ou se o cheiro se tornar persistente, vale a pena pedir ajuda a uma empresa de controlo de pragas. Um técnico pode identificar os pontos de entrada e tratar o exterior da casa em segurança. O impacto mais sério desta praga verifica-se na agricultura, onde ataca fruta, hortícolas e vinha: se tiver horta ou árvores de fruto e suspeitar da sua presença, pode também informar os serviços regionais de agricultura da sua zona (as antigas DRAP, hoje integradas nas CCDR) ou a DGAV.

Com as noites a arrefecer, os próximos dias são o momento certo para verificar as janelas e as caixas de estore. Tenha à mão uma folha de papel e uma meia velha junto ao aspirador, e lembre-se da regra de ouro: nunca esmague um percevejo. Assim, ele sai de casa e o cheiro fica lá fora.

Neste momento

Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário