A interrupção da pesca do linguado, depois de esgotada a quota nacional, deixou a frota polivalente à beira de uma paralisação nos portos de todo o país. Os armadores defendem que, sem reforço da quota ou apoios que compensem as perdas, muitas embarcações deixam de ter viabilidade para sair para o mar.
A captura de linguado está proibida desde a meia-noite de segunda-feira. Para os pescadores, esta é mais uma consequência dos cortes sucessivos nas quotas, que dizem estar a “asfixiar” a pesca polivalente. O apoio anunciado para compensar a subida dos combustíveis continua por chegar e permanece também por pagar a paragem “forçada” de dois meses, no início do ano, causada pelo mau tempo. O setor, que emprega mais de seis mil homens, exige “respeito”.
“Assim o setor não tem condições para andar ao mar. Não aguenta!”, afirmou, na sexta-feira, Carlos Cruz, presidente da Apropesca - Organização de Produtores da Pesca Artesanal, na abertura da reunião que reuniu, na Póvoa de Varzim, mais de 60 armadores da Apropesca, da Associação de Armadores de Pesca do Norte (AAPN) e da Vianapesca.
Desde 2020, explicou Manuel Marques, da AAPN, a quota de linguado caiu já 39%. Está agora fixada nas 305 toneladas para as três subespécies: legítimo, branco e de areia. Portugal foi particularmente “penalizado” este ano por ter excedido as capturas em 2024 e 2025. Com o ano ainda a meio, a quota já se encontra esgotada.
O presidente da AAPN recorda que as capturas de pescado em águas nacionais têm vindo a diminuir e que, só na última década, baixaram 15%, devido aos sucessivos cortes nas quotas negociadas com a União Europeia. A pesca polivalente, responsável por 66,9% dos pescadores nacionais e com mais de três mil embarcações, pesa cada vez menos no total das capturas: passou de 38,3% em 2024 para 37,6% em 2025. Em contrapartida, denunciam, a produção em aquicultura “quase duplicou nos últimos dez anos”.
Em 2025, a pescaria de tamboril encerrou dois meses antes do fim do ano e, segundo Carlos Cruz, este ano “vai pelo mesmo caminho”. Agora foi o linguado e, para o próximo ano, o cenário já é conhecido, uma vez que a quota para 2027 será igualmente de 305 toneladas. “Daqui a pouco não há espécies para pescar”, sublinha o presidente da Apropesca.
Data limite é 5 de Outubro
Cruz explica que o setor reuniu, na quarta-feira, com o secretário de Estado das Pescas. Salvador Malheiro pediu tempo para tentar encontrar uma solução. Nos próximos dias 20 e 21, terá uma reunião com o comissário europeu das Pescas, o cipriota Costas Kadis, tendo o linguado como um dos temas em discussão.
Os pescadores vão dar “o benefício da dúvida” e aguardar que o encontro produza resultados: “Ou um aumento da quota do linguado, ou uma compensação das perdas para os pescadores afetados”. Caso contrário, explica Manuel Marques, começarão a preparar a paralisação e, simbolicamente, a partir de 5 de Outubro - feriado que assinala a Implantação da República - vão “fechar todos os portos nacionais”.






Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário