Aberto há cerca de um ano e conduzido por uma mãe e duas filhas naturais de Casablanca, o Arady entra nos meses quentes com uma carta de verão, pensada para ser "mais leve e fresca", sem abdicar da fusão entre referências marroquinas e portuguesas, sob a direção do chef Hélder Martins. Até o Mundial 2026 serve de pretexto para vantagens na conta, com descontos associados a um passatempo nas redes sociais.
Arady: fusão luso-marroquina junto às Amoreiras
À frente da cozinha está um nome com percurso em casas de grande prestígio internacional, entre elas o britânico The Fat Duck e o espanhol Arzak, ambos com três estrelas Michelin. Em Lisboa, foi também chef executivo do Tavares, assumindo funções depois de José Avillez neste histórico da cidade - que, entretanto, se prevê que reabra no próximo ano.
Mais antiga do que a carreira é, contudo, a relação com a matéria-prima. "Eu venho de uma família de agricultores. Cresci no campo. Sempre tive uma ligação forte ao produto, já desde pequeno. A tirar os legumes da terra, a colher as frutas das árvores", recorda Hélder Martins, de Águas de Moura, no concelho de Palmela.
O lado profissional apenas reforçou essa forma de estar. Hoje, no Arady - restaurante em Lisboa, a poucos passos das Amoreiras, onde se cruzam sabores, técnicas e influências de Portugal e Marrocos - essa atenção ao produto continua a orientar decisões. "Sempre foi uma preocupação, em todos os sítios por onde passei, aproveitar os produtos de época e do raio de ação de onde estou, para haver um rasto de carbono mínimo", sublinha.
A carta de verão do Arady e as memórias do chef Hélder Martins
Com a carta de verão, disponível até ao fim de setembro, o chef procura trabalhar "das minhas memórias" com um registo assumidamente pessoal, procurando aproveitar "ao máximo produtos transversais às duas culturas e cozinhas". Entre os exemplos que aponta estão pêssegos, alperces, azeitonas e ervas aromáticas - como o poejo.
O restaurante é gerido em família e por mulheres: Mouna Soussane e as filhas Aya e Zeyna Bennani, todas de Casablanca. Antes da abertura, Hélder Martins viajou até Marrocos para se formar em pratos mais característicos do receituário local e aprofundar a ligação a uma gastronomia que descreve como "vibrante, saborosa, interessantíssima".
O que provar à mesa
Entradas
Nas entradas, surgem propostas novas como a dourada curada com citrinos, curgete braseada e especiarias do mar - quase um ceviche, com afinidades com o peixe alimado algarvio. Também entram na lista o escabeche de atum com bimis braseados e tapioca de ras-el-hanout, além do gaspacho de pimento assado com tosta de tomate marinado, evocando os sabores clássicos da nossa salada de tomate.
Peixe e carnes
Nos pratos de peixe, uma das novidades é o bacalhau confitado a baixa temperatuda com gengibre e açafrão, húmus cítrico, curgete assada e gema curada em msyer, ou limão lacto-fermentado marroquino. "É um prato que funde muito bem as duas gastronomias", descreve Hélder.
Nas carnes, a sugestão passa pela tagine de borrego: o animal é cozinhado a baixa temperatura com especiarias e hortelã, ficando particularmente macio e com apontamentos que fazem lembrar o nosso ensopado. Chega acompanhado por Pera Rocha do Oeste caramelizada, nozes torradas, palha de alho francês e pó de beterraba.
Sobremesas
Na parte doce, o destaque vai para a tarte de queijo de pêssego assado com amlou e limão, bem como para o gelado caseiro de flor de laranjeira, finalizado com mel de açafrão e crocante de pistácio - uma opção especialmente fresca para dias de calor.
Menus, bar e campanha do Mundial 2026
A garrafeira reúne cerca de três dezenas de rótulos nacionais, e no bar há uma carta renovada de cocktails de autor, com propostas como o Amanhecer Marroquino (rum infusionado com amêndoa, hortelã, lima) e o No Jardim (bourbon, ameixa, água de rosas, canela).
Desde outubro, ao jantar, existe ainda a possibilidade de escolher um menu de degustação surpresa, com sete momentos e alguns pratos exclusivos. Já aos almoços, o restaurante apresenta um menu executivo com pratos próprios (massada de peixes e marisco com lima e coentros; lasanha de carne com legumes assados foram exemplos durante a nossa visita), incluindo água, couvert, prato, sopa ou sobremesa e ainda café.
Durante o Mundial 2026, há um incentivo adicional para visitar o Arady: até ao final da competição, decorre no Instagram um passatempo em todos os jogos. Quem acertar, nos comentários de cada publicação, o resultado final desse jogo recebe 20% de desconto na carta. O restaurante aceita animais e tem cerca de uma centena de lugares, entre sala interior e esplanada. Ao lado, está também a ganhar forma um jardim marroquino, com espaço, por exemplo, para jasmim-comum e jasmim-da-noite.
Arady
Avenida Conselheiro Fernando de Sousa, 5, Condomínio Lx Living, Loja B, Lisboa
Tel.: 218 209 295
Web: instagram.com/arady_lisbon
Das 12h às 15h e das 19h às 23h, de segunda a sábado. Encerra domingo.
Preço médio ao jantar: 40 euros. Menu de degustação a 60 euros. Menu executivo, nos dias úteis, a 15 euros.
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