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Doação alimentar: supermercados poupam mais do que ao eliminar alimentos

Voluntária entrega caixa de vegetais e pães a homem, com outra pessoa a transportar caixa ao fundo, armazém aberto.

Os supermercados gastam frequentemente mais a eliminar alimentos próprios para consumo do que a doá-los quando deixam de poder ser vendidos, revela uma nova análise.

Em vez de encararem os excedentes alimentares como uma perda inevitável, os supermercados podem optar por soluções que reduzem simultaneamente os custos e o desperdício.

O destino dos alimentos

À medida que os produtos se aproximam da data de validade nos supermercados dinamarqueses, os artigos não vendidos seguem um conjunto limitado de caminhos que decide se o seu valor é recuperado ou perdido.

Jørgen Dejgård Jensen, professor da Universidade de Copenhaga, registou que, quando a venda já não é uma hipótese realista, essas decisões favorecem sistematicamente a doação em detrimento da eliminação.

Mais perto da data-limite de venda, os alimentos que antes geravam receita passam a implicar custos de manuseamento, alterando a reação das lojas.

A variação destes custos estabelece um ponto de viragem claro para os retalhistas: evitar as taxas de eliminação torna-se mais valioso do que esperar por uma venda.

Agir antes da validade

Baixar os preços alguns dias antes do fim da validade deu a muitos alimentos a melhor oportunidade financeira.

Um desconto de 15% permitia muitas vezes vender os produtos enquanto os compradores ainda confiavam na sua qualidade, fazendo com que as lojas recuperassem valor em vez de suportarem custos de desperdício.

“Enquanto os produtos ainda tiverem algum tempo de prateleira, faz mais sentido vendê-los com desconto”, afirmou Jensen.

Os lacticínios líquidos e os produtos secos constituíram exceções, pois o reduzido valor por quilograma deixava menos margem para que os descontos compensassem.

Porque a doação é melhor do que a eliminação

Quando se aproxima o fim da validade, os alimentos deixam de ser um artigo à venda e tornam-se um problema de manuseamento com um custo associado.

Eliminar excedentes custava cerca de 0,29–0,37 dólares por quilograma, enquanto a doação de alimentos rondava 0,15–0,24 dólares por quilograma.

Na maioria dos grupos de produtos, a doação permitia poupar aproximadamente 0,11–0,22 dólares por quilograma, porque as lojas evitavam uma parte da fatura associada ao desperdício.

“Mas os nossos números mostram que, em muitos casos, esta é também a opção mais sensata do ponto de vista financeiro para os retalhistas, depois de terem perdido a esperança de vender os produtos”, afirmou Jensen.

Pão, fruta e legumes predominam

Determinadas categorias originavam a maior parte dos excedentes antes de ser tomada qualquer decisão. O pão fresco e embalado, a fruta e os legumes representavam 65% do total de excedentes alimentares no retalho dinamarquês.

Estes artigos deterioram-se depressa e são vendidos em grandes volumes, pelo que pequenas alterações na gestão diária podem afetar grandes quantidades de alimentos.

Pelo menos metade dos excedentes alimentares acabava ainda como desperdício ou em utilizações não alimentares, de menor valor, como ração animal ou energia.

As plataformas alteram as decisões

As aplicações criaram uma via adicional quando as lojas ainda conseguiam encontrar compradores fora das prateleiras habituais.

A Too Good To Go, uma aplicação que vende sacos de excedentes a preços reduzidos, gerava cerca de 0,55–0,77 dólares por quilograma de pão, fruta e legumes.

No caso de alimentos de elevado valor, como a carne, plataformas semelhantes podem ser promissoras, embora o modelo esteja menos consolidado.

Sempre que as vendas através destas plataformas funcionavam, a doação geralmente não conseguia igualar a receita direta, pelo que o momento da decisão determinava a melhor opção.

Valor dos alimentos face ao custo de manuseamento

As doações continuavam a criar valor depois de os alimentos saírem da loja. As organizações de redistribuição alimentar, instituições de solidariedade que recolhem e distribuem excedentes, obtinham cerca de 1,08–5,47 dólares por quilograma para a maioria dos alimentos que chegavam a pessoas vulneráveis.

A carne, o marisco e os lacticínios sólidos ofereciam aos destinatários mais valor utilizável, pois cada quilograma tinha maior valor alimentar do que custo de manuseamento.

Os líquidos de baixo valor e os produtos secos por vezes desequilibravam essa relação, sobretudo quando se contabilizavam os custos de transporte e triagem.

Limitações do estudo

A Dinamarca torna este caso relevante, mas não transforma a resposta numa regra universal. Dados oficiais do serviço nacional de estatística dinamarquês registaram 118.700 toneladas norte-americanas de desperdício alimentar no retalho e na distribuição em 2023, o equivalente a cerca de 107.700 toneladas métricas.

Noutros países, os custos de mão de obra, as redes de solidariedade, as regras de segurança alimentar e as taxas de eliminação podem ser diferentes.

Essas diferenças podem alterar as poupanças, mesmo que a escolha básica entre doar e eliminar permaneça familiar.

As taxas de doação alimentar são baixas

As baixas taxas de doação mostram que o dinheiro, por si só, não muda automaticamente o comportamento das lojas.

Apenas 0,1%-0,2% dos alimentos armazenados pelas lojas entravam nos canais de doação, apesar de muitos artigos custarem menos a doar do que a eliminar.

Os funcionários podem continuar a recorrer às rotinas habituais de desperdício quando ninguém definiu quais os produtos que devem, em alternativa, seguir para uma palete.

Relações claras com instituições de solidariedade locais reduzem os obstáculos, pois a recolha passa a ser uma prática regular e não um favor adicional.

Como as lojas podem reduzir o desperdício alimentar

Os trabalhadores necessitam de regras simples para separar alimentos seguros e comestíveis dos produtos que devem seguir para desperdício ou biogás, combustível produzido a partir de matéria orgânica.

Os gestores também precisam de sistemas nas prateleiras que sinalizem os produtos com antecedência suficiente para aplicar descontos antes de a doação se tornar a melhor alternativa.

Sem esses sinais, alimentos em boas condições podem desaparecer por força do hábito, e não por o desperdício ser a opção mais barata.

Regras mais inteligentes para os excedentes ligam o dinheiro aos resultados: aplicar descontos cedo, doar quando as vendas diminuem e eliminar apenas os alimentos impróprios para consumo.

“Reduzir o desperdício alimentar e melhorar a rentabilidade não são objetivos incompatíveis”, afirmou Jensen.

O próximo desafio é ajudar as lojas a agir antes que as rotinas antigas encaminhem alimentos comestíveis para o desperdício.

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