Todos sabemos que os produtos frescos fazem bem à saúde, mas a fruta, os legumes e as ervas aromáticas tendem a estragar-se depressa quando não são consumidos.
Isto acontece porque, mesmo depois de colhidos, os produtos provenientes de plantas vivas continuam os seus processos biológicos. Um deles é a respiração: produzem energia a partir dos hidratos de carbono, proteínas e gorduras armazenados, libertando simultaneamente dióxido de carbono e vapor de água. (Já encontrou uma batata a germinar na despensa?)
Além disso, os produtos frescos deterioram-se facilmente devido a vários micróbios - tanto os inofensivos como os que podem provocar doenças, designados por agentes patogénicos.
Guardá-los simplesmente no frigorífico não resolve a questão, pois cada tipo de planta reage de forma diferente às condições de conservação.
Então, como reduzir o desperdício alimentar e conservar os produtos frescos durante mais tempo? Felizmente, há algumas recomendações úteis.
A frescura e a qualidade começam na exploração agrícola
Os agricultores procuram sempre colher os produtos no estado ideal, mas há factores anteriores e posteriores à colheita que afectam a frescura e a qualidade antes mesmo de os comprar.
Os factores anteriores à colheita são de natureza agrícola, como as condições climáticas, o tipo de solo e a disponibilidade de água. Já os factores posteriores incluem a lavagem e limpeza depois da colheita, o transporte e a distribuição, o processamento e a embalagem, bem como o armazenamento.
Enquanto consumidores, não conseguimos controlar directamente estes factores - por vezes, os legumes que compramos simplesmente não terão a melhor qualidade. Ainda assim, podemos estar atentos a aspectos que afectarão os produtos quando chegarem a casa.
Um dos principais sinais a procurar são produtos amolgados, feridos ou danificados. Estes danos podem ocorrer em qualquer etapa do manuseamento após a colheita e aceleram consideravelmente a deterioração da fruta e dos legumes.
A perda de humidade através de uma casca danificada acelera a degradação e a perda de nutrientes. Além disso, os danos facilitam a entrada de micróbios responsáveis pela deterioração.
Lavar ou não lavar os produtos frescos?
Não é necessário lavar os produtos antes de os guardar. Muitos dos alimentos que compramos já foram lavados comercialmente. Aliás, se os lavar e não conseguir secá-los completamente, a humidade adicional pode acelerar a deterioração no frigorífico.
No entanto, é importante lavar os produtos imediatamente antes de os utilizar, para remover sujidade e micróbios patogénicos.
Apesar do que aparece nas redes sociais, não use vinagre na água de lavagem. Os estudos indicam que o vinagre não reduz a carga microbiana dos produtos frescos.
Pelo mesmo motivo, não utilize bicarbonato de sódio. Embora existam algumas evidências de que pode remover resíduos de pesticidas da superfície de certos produtos, não é aconselhável fazê-lo em casa. Use apenas água da torneira.
O local certo para cada alimento
O essencial é escolher a embalagem e o local de armazenamento adequados, para controlar a perda de humidade, a deterioração e o amadurecimento.
As três principais opções de conservação são a bancada da cozinha, o frigorífico ou um local fresco, seco e escuro, como a despensa. Seguem-se alguns exemplos habituais de produtos e do melhor local para os guardar.
Bananas, cebolas, alho, batatas, batata-doce e abóbora inteira conservam-se melhor numa despensa ou armário escuro. Não guarde batatas e cebolas juntas: as cebolas libertam um gás chamado etileno, que faz as batatas estragarem-se mais depressa, enquanto a elevada humidade das batatas deteriora as cebolas.
Na verdade, também não deve guardar juntas frutas como maçãs, peras, abacate e bananas, pois estas libertam gás etileno enquanto amadurecem. Esse gás faz com que as frutas próximas amadureçam - e possam estragar-se - muito mais rapidamente. A excepção é quando pretende acelerar o amadurecimento da fruta.
Todas as verduras de folha, cenouras, pepinos, couve-flor e brócolos conservam-se melhor na gaveta de baixa humidade do frigorífico. Pode colocá-los em sacos de plástico perfurados, para reter a humidade sem impedir a circulação de ar.
No entanto, evite sacos totalmente fechados, porque podem retardar o amadurecimento e, ao mesmo tempo, reter dióxido de carbono, causando deterioração e maus odores.
Algumas frutas também beneficiam do frigorífico. Por exemplo, as maçãs e os citrinos, como as laranjas, podem manter-se frescos durante mais tempo no frigorífico, na gaveta de legumes, embora possam permanecer à temperatura ambiente durante períodos curtos.
Contudo, não guarde melancia no frigorífico durante demasiado tempo: se ficar refrigerada por mais de três dias, perderá sabor e a sua cor vermelha intensa.
A maioria das ervas aromáticas e alguns vegetais de folha - como aipo, cebolinho e espargos - podem ser mantidos com os caules em água para permanecerem estaladiços. Deixe-os numa zona bem ventilada, longe da luz solar directa, para que não aqueçam demasiado nem murchem.
Combata o desperdício alimentar e faça experiências
Não compre em excesso. Sempre que possível, adquira apenas pequenas quantidades, para não ter de se preocupar em mantê-las frescas. Se tenciona conservar os produtos por mais de um dia, nunca compre fruta ou legumes amolgados, feridos ou danificados.
Prepare os legumes para serem guardados. Se comprar uma quantidade grande - talvez porque uma opção em volume estava em promoção -, pondere transformar os produtos em algo que possa conservar durante mais tempo. Por exemplo, o puré de banana preparado com bananas muito maduras pode ser guardado até 14 dias a 4 °C. Para a maioria dos legumes, pode recorrer à congelação, ao branqueamento, à fermentação e à conserva.
Pondere embalar a vácuo. A embalagem a vácuo de legumes e frutos vermelhos também pode prolongar a frescura. Por exemplo, os feijões embalados a vácuo podem conservar-se até 16 meses no frigorífico, mas sem embalagem durarão apenas cerca de quatro semanas no frigorífico.
Mantenha-se atento. Organize o frigorífico de modo a conseguir ver facilmente os produtos e utilizá-los todos antes de perderem a frescura.
Experimente truques de armazenamento. As redes sociais estão cheias de conselhos e truques sobre a melhor forma de guardar produtos frescos. Transforme a cozinha num laboratório e teste as sugestões que lhe despertarem curiosidade - podem resultar. Estas experiências podem também ser uma forma de ensinar às crianças a importância de reduzir o desperdício alimentar.
Cultive alguns produtos. Isto não é viável para todos, mas pode tentar ter algumas ervas aromáticas em vasos, evitando assim a preocupação de as conservar ou de gastar um enorme molho de hortelã de uma só vez. Cultivar os seus próprios microvegetais também pode ser útil.
Senaka Ranadheera, Professor Associado, Universidade de Melbourne
Este artigo é republicado de The Conversation ao abrigo de uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.






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