Saltar para o conteúdo
Notícias

Programa Eco da máquina de lavar roupa: porque demora mais e poupa energia

Pessoa a operar máquina de lavar roupa com cesta de roupa e fatura de energia ao lado numa divisão iluminada.
Neste artigo
  1. O programa Eco parece demasiado longo, mas aquece muito menos
  2. Como usar o programa Eco sem sentir que o dia fica parado
  3. O melhor hábito nem sempre é o que parece mais rápido

Numa terça-feira à noite, o cesto da roupa transborda, as crianças pedem uma camisola lavada para o dia seguinte e a máquina exibe aquele conhecido botão «Eco» que quase contornamos sem pensar. Muitas pessoas optam pelo programa rápido, pelo ciclo de algodão a 40 °C ou pela opção que promete roupa limpa numa hora, porque o tempo escasseia e deixar uma máquina de lavar roupa a funcionar durante três horas parece absurdo. No entanto, este hábito pode pesar bastante ao longo do ano. O programa Eco, evitado por quase 9 em cada 10 franceses, segundo vários inquéritos sobre hábitos domésticos, pode gastar até menos metade da energia dos ciclos convencionais. Não faz milagres: lava de outra forma.

O programa Eco parece demasiado longo, mas aquece muito menos

Todos conhecemos aquele momento em que o tempo no visor da máquina de lavar roupa parece não avançar: passa uma hora, depois duas e, por vezes, quase três horas para algumas toalhas e t-shirts. No ecrã, o programa Eco parece exigir uma paciência infinita, enquanto o ciclo «Mistos» ou «Diário» promete terminar muito antes do jantar. É precisamente esta duração que o torna pouco popular. No imaginário coletivo, um programa demorado consome necessariamente mais. Mas a realidade é quase a oposta: a maior parte da eletricidade gasta por uma máquina de lavar roupa serve para aquecer a água, e não para rodar lentamente o tambor.

Os valores podem surpreender: em alguns aparelhos recentes, um ciclo Eco 40-60 °C consome cerca de 0,5 kWh, enquanto um programa clássico de algodão pode ultrapassar 1 kWh, consoante a carga, a temperatura escolhida e a antiguidade da máquina. Com três lavagens por semana, a diferença parece reduzida no início, mas acaba por se fazer sentir na fatura anual. Numa casa com quatro pessoas, esta escolha pode traduzir-se em várias dezenas de euros poupados, sem mudar de detergente nem comprar um eletrodoméstico novo. E isso tem importância quando todas as despesas domésticas são analisadas ao pormenor.

O programa Eco prolonga o tempo de molho e de agitação, limitando ao mesmo tempo os picos de temperatura. A roupa permanece mais tempo em contacto com a água e o detergente, permitindo obter um resultado satisfatório com menos calor: a máquina trabalha devagar para não ter de trabalhar com força. O paradoxo é bastante simples: um ciclo mais longo não significa que o motor funcione à potência máxima durante três horas. Durante grande parte do programa, o tambor roda em sequências curtas, com um consumo muito mais moderado do que se imagina.

Como usar o programa Eco sem sentir que o dia fica parado

A solução mais simples é iniciar o programa Eco numa altura em que ninguém precisa daquela roupa na hora seguinte: antes de sair para o trabalho, depois do jantar ou mesmo antes de deitar, desde que o ruído não incomode ninguém. A máquina pode funcionar enquanto se vive a rotina normal, sem complicações. Se o seu contrato de eletricidade tiver períodos de vazio, o início diferido permite ainda juntar a vantagem energética à poupança financeira. Pode parecer uma dica banal, mas altera a forma como se encaram aquelas duas ou três horas indicadas no visor: deixam de ser um incómodo.

Outra regra prática passa por guardar o programa Eco para roupa com sujidade normal, que representa a maior parte das lavagens familiares. Lençóis, roupa usada durante um dia no escritório, pijamas ou toalhas pouco manchadas são perfeitamente adequados a este ciclo. Já roupa de desporto muito impregnada, uma nódoa de molho seca ou peças de uma criança que regressou de uma brincadeira na lama podem exigir pré-lavagem ou tratamento localizado. Sejamos realistas: ninguém esfrega cuidadosamente todas as nódoas todos os dias. Ainda assim, tratar apenas as zonas afetadas evita aquecer excessivamente uma carga inteira.

Um erro habitual é encher o tambor até não sobrar espaço, por receio de «desperdiçar» uma lavagem. A referência mais útil é a mão: deve conseguir passá-la por cima da roupa sem esforço, para que a água circule e a agitação cumpra a sua função. Um tambor bem cheio não é um tambor comprimido. Os fabricantes recordam-no regularmente, e esta regra aplica-se até ao programa mais económico.

«O programa Eco foi concebido para roupa de algodão com sujidade normal; a sua duração mais longa permite reduzir o consumo de energia associado ao aquecimento da água.»

  • Separe a roupa sobretudo pela cor e pelo grau de sujidade, em vez de o fazer apenas por hábito.
  • Utilize a quantidade de detergente adequada à dureza da água e ao volume de roupa.
  • Limpe regularmente o filtro e a gaveta do detergente para manter a eficiência da máquina.
  • Evite meias cargas repetidas: sempre que possível, espere até ter roupa suficiente.

O melhor hábito nem sempre é o que parece mais rápido

A popularidade dos ciclos rápidos revela algo muito humano: queremos riscar depressa uma tarefa da lista. Ligar uma lavagem às 19 horas e vê-la terminar às 20 horas dá a sensação reconfortante de retomar o controlo de um dia já preenchido. Contudo, essa conveniência imediata pode implicar um consumo maior, sobretudo quando os programas curtos a 40 °C ou 60 °C são usados várias vezes por semana. O ciclo rápido continua a ser útil para uma necessidade ocasional; apenas não deve tornar-se na definição automática da casa.

Escolher o programa Eco não significa lavar pior nem aceitar roupa baça, apesar de ser uma ideia persistente. Os aparelhos medem e adaptam frequentemente a quantidade de água, o movimento do tambor e a duração conforme o programa selecionado, enquanto os detergentes modernos são formulados para atuar a baixas temperaturas. O calor já não é a única garantia de limpeza. Naturalmente, no caso de roupa interior, têxteis para a casa ou determinados tecidos delicados, é necessário respeitar a etiqueta e as recomendações sanitárias. Porém, para a maioria das peças do dia a dia, 30 ou 40 °C são mais do que suficientes.

No fundo, o programa Eco coloca uma questão simples: preferimos ganhar uma hora esta noite ou reduzir um pouco as despesas e o consumo durante todo o ano? Ninguém precisa de ser perfeito para mudar um hábito. Passar apenas uma lavagem em cada duas para o modo Eco e observar o resultado já é um bom teste em casa. Também se pode verificar a duração real, o ruído, o estado da roupa e, alguns meses mais tarde, a fatura. Estas pequenas escolhas domésticas passam despercebidas, mas ajudam a criar uma rotina diferente: menos apressada e, muitas vezes, mais inteligente.

Ponto essencial Detalhe Vantagem para o leitor
O ciclo Eco é longo, mas económico Reduz sobretudo a energia usada para aquecer a água. Um consumo que pode ser até metade, consoante os programas e os aparelhos.
O Eco é indicado para a roupa do dia a dia É adequado para vestuário e têxteis com sujidade normal. Uma alteração fácil de adotar, sem transformar os hábitos de lavagem.
O momento certo faz diferença O início diferido permite ligar a máquina quando o tempo de espera não é um problema. Menos stress diário e, conforme o contrato, uma fatura de eletricidade mais controlada.

Neste momento

Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário