O anúncio foi divulgado nas redes sociais. Na conta de Instagram do restaurante Bica do Sapato, em Lisboa, surge a seguinte mensagem: "A mesma morada. Uma nova forma de a viver. A Bica do Sapato deixou de funcionar como restaurante e passou a receber eventos em exclusivo. Jantares, apresentações, casamentos, encontros de equipa, conferências e celebrações: agora, a casa inteira pode mudar consigo. A Bica do Sapato é toda sua."
Assim, a menos de um ano da abertura oficial, o restaurante que foi um dos grandes símbolos da restauração lisboeta durante quase 20 anos fecha este breve novo ciclo.
Em agosto de 2025, a reabertura, depois de uma década de portas encerradas, era apresentada no artigo Bica do Sapato 2.0: a difícil tarefa de fazer renascer um restaurante icónico de Lisboa.
Antes do regresso, Francisco Lacerda, um dos sócios do projeto, afirmava: "A Bica do Sapato é uma marca que não pode morrer, ligada à arte, cultura, com um posicionamento único, comida portuguesa moderna, que teve uma história e pela qual as pessoas têm um carinho enorme”.
O Boa Cama Boa Mesa procurou ouvir Francisco Lacerda, um dos proprietários da Bica do Sapato, situada na Avenida Infante D. Henrique - Armazém B, Cais da Pedra, em Santa Apolónia, Lisboa. Contudo, o empresário não esteve disponível para comentar esta nova etapa do espaço.
Apogeu e queda
A versão mais recente da Bica do Sapato, reaberta em dezembro de 2025, estava aberta entre as 10h00 e as 2h00. Reunia restaurante, esplanada, balcão de take-away "À Beira do Sapato", um bar com curadoria da Red Frog e uma cervejaria no piso de cima, chamada "Trinca o Sapato". O chef Milton Anes assegurava a cozinha principal, enquanto o chef Hugo Guerra comandava a cervejaria. Havia ainda uma sala privada para eventos, o "Escritório", sempre voltada para o Tejo.
Após a morte de José Miranda, em 2016, e de Manuel Reis, em 2018, a Bica do Sapato encerrou em 2019, oficialmente para obras.
Nesse mesmo ano, os empresários Celso Assunção e Francisco Lacerda compraram a concessão do espaço. Seguiu-se uma intervenção profunda no edifício, acompanhada pela tentativa de recuperar uma das marcas mais emblemáticas da restauração portuguesa.
A renovação da Bica do Sapato
Ao fim de seis anos sem atividade, o restaurante voltou a abrir em 2025 sob uma nova perspetiva. Os responsáveis pretendiam manter a essência original da casa, através de uma identidade marcadamente associada ao design e à criatividade portugueses.
A arquitetura e a decoração foram entregues ao ateliê FSSMGN Arquitectos, liderado por Francisco Tojal. No mobiliário, participaram Marco Sousa Santos e Daciano da Costa; já Maria Appleton criou as cortinas que separam os vários ambientes do restaurante. A valorização do talento nacional estendia-se aos talheres, concebidos por Manuel Aires Mateus, e à loiça desenvolvida por Filipe Alarcão para a Molde Ceramics.
Um restaurante cosmopolita em Lisboa
A Bica do Sapato nasceu em junho de 1999. Fernando Fernandes e José Miranda, fundadores do Pap'Açorda, abriram o restaurante com Manuel Reis, criador do Frágil e do Lux, e o ator John Malkovich como sócio. Instalado no antigo Armazém B, no Cais da Pedra, junto a Santa Apolónia, depressa ganhou uma dimensão cosmopolita. Juntava restaurante, sushibar, cafetaria, fine dining e esplanada, numa altura em que vários destes conceitos ainda eram raros em Lisboa.
O espaço distinguiu-se rapidamente por reunir restaurante, sushibar, cafetaria, fine dining e esplanada, propostas que, à época, eram ainda pouco habituais na cidade.
Pela cozinha passaram alguns dos nomes mais relevantes da gastronomia nacional. Joaquim Figueiredo foi o primeiro chef da casa, seguindo-se Fausto Airoldi, João Rodrigues, Alexandre Silva, Bertílio Gomes, Henrique Mouro e Pedro Rezende Pereira.
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