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Tábuas de plástico: porque a madeira maciça volta às cozinhas francesas

Mãos a salpicar sal num limão cortado em cima de uma tábua de madeira numa cozinha iluminada.
Neste artigo
  1. Os riscos das ranhuras nas tábuas de plástico
  2. A madeira maciça regressa às cozinhas
  3. Como cuidar de uma tábua de madeira
  4. O essencial para as cozinhas francesas

Nos Estados Unidos, trabalhos científicos voltam a levantar questões sobre as tábuas de plástico, muito presentes nas cozinhas francesas.

Publicado em 31 de maio de 2025, o artigo de origem - cujo meio de comunicação não é identificado no excerto disponibilizado - chama a atenção para o desgaste das tábuas de cortar de plástico. Com as sucessivas utilizações de facas, a superfície fica marcada e pode libertar partículas minúsculas. Neste contexto, a madeira maciça surge como uma opção duradoura, desde que receba os cuidados adequados.

Os riscos das ranhuras nas tábuas de plástico

Práticas, leves e habitualmente acessíveis, as tábuas de cortar de plástico foram durante muito tempo uma escolha privilegiada nas cozinhas. Adaptam-se bem ao uso diário e podem, muitas vezes, ser lavadas na máquina. Contudo, o seu principal inconveniente torna-se evidente à medida que são utilizadas: as lâminas deixam marcas, por vezes bastante fundas.

Estas ranhuras não são apenas desagradáveis à vista. Tornam a limpeza mais difícil, uma vez que podem reter restos de alimentos. Também favorecem o desgaste gradual do material. O polipropileno e o polietileno são os plásticos mais comuns neste tipo de utensílio.

O artigo baseia-se num estudo realizado nos Estados Unidos e publicado numa revista científica especializada da Sociedade Americana de Química. Esta investigação aponta para a possibilidade de a utilização repetida de tábuas de plástico contribuir para a ingestão de microplásticos.

"Os cortes sob pressão, o picar e as facas serrilhadas estão entre as utilizações suscetíveis de intensificar o desgaste de uma tábua de plástico."

Os microplásticos são partículas de plástico de dimensão muito reduzida. A sua presença no ambiente e nos alimentos é alvo de numerosos estudos. O artigo não permite definir um risco específico para a saúde associado a uma determinada tábua, mas recomenda que se acompanhe o estado deste equipamento quotidiano.

A madeira maciça regressa às cozinhas

Perante estas preocupações, o artigo aconselha a escolha de tábuas fabricadas em madeira de boa qualidade. A nogueira, o carvalho e o bambu são referidos entre os materiais possíveis. Uma tábua de madeira maciça pode durar muito tempo se for lavada, seca e protegida regularmente.

A madeira é frequentemente considerada menos higiénica do que o plástico, por não ter uma superfície totalmente lisa. No entanto, o artigo recorda que as bactérias podem manter-se durante vários dias nos sulcos das tábuas de plástico. Já a madeira é apresentada como um material cujas propriedades naturais dificultam o desenvolvimento de determinadas bactérias.

Esta particularidade não elimina a necessidade de lavar a tábua depois de cada utilização. Uma tábua suja, rachada, muito danificada ou guardada húmida pode tornar-se uma má superfície de trabalho, independentemente do material de que é feita.

Porque é que o estado da superfície é tão importante

Uma tábua com muitos riscos apresenta dois problemas. O primeiro prende-se com os fragmentos de material que se podem soltar durante o corte. O segundo está relacionado com a higiene: restos de carne, peixe, legumes ou sucos alimentares podem acumular-se nas incisões.

Antes de optar por um material, é por isso importante avaliar o estado efetivo da tábua. Uma superfície muito sulcada, empenada ou fissurada deve ser substituída. Esta medida de precaução aplica-se tanto ao plástico como à madeira.

  • Destinar uma tábua aos alimentos crus e outra aos alimentos prontos a consumir ajuda a limitar as contaminações cruzadas.
  • Lavar a tábua imediatamente após a utilização impede que os resíduos sequem nas ranhuras.
  • Recorrer a uma faca bem afiada reduz a pressão desnecessária durante o corte.
  • Não guardar uma tábua húmida contribui para prevenir maus cheiros e deformações.

Como cuidar de uma tábua de madeira

A madeira exige alguns cuidados simples. O artigo recomenda lavá-la com água quente e uma pequena quantidade de produto de limpeza, secando-a de imediato com um pano limpo. Deve evitar-se deixá-la de molho, pois a água pode penetrar nas fibras e provocar o inchaço do material.

A tábua também não deve ficar junto de uma fonte de calor nem exposta diretamente ao sol. Estas condições favorecem a secagem excessiva e os empenos. Para conservar a superfície, o artigo aconselha a aplicação regular de óleo mineral ou de um óleo próprio para contacto alimentar.

"Uma tábua de madeira bem seca e cuidada pode manter-se utilizável durante anos sem manchar nem deformar."

O óleo não serve para limpar a tábua. A sua função é alimentar as fibras da madeira e reduzir a absorção excessiva de humidade. A superfície deve ser sempre devidamente lavada e seca antes da aplicação.

Cuidados a ter com a carne crua

O artigo aconselha a não utilizar uma tábua de madeira para carne crua caso não seja possível lavá-la logo a seguir. Esta precaução destina-se a reduzir a transferência de bactérias para outros alimentos.

Numa cozinha familiar, uma organização simples pode ser útil: uma tábua para fruta, legumes, pão e alimentos cozinhados, e outra destinada aos produtos crus. Lavar as mãos, as facas e a bancada continua a ser tão importante como escolher a tábua adequada.

O essencial para as cozinhas francesas

Em França, as regras de higiene alimentar assentam, nomeadamente, na prevenção das contaminações cruzadas. Em casa, isto passa por separar, tanto quanto possível, os alimentos crus das preparações prontas a comer, lavar os utensílios após a utilização e conservar as superfícies de trabalho em boas condições.

Assim, a escolha entre plástico e madeira não substitui estes cuidados. Uma tábua de plástico pouco desgastada e bem lavada continua a ser um utensílio habitual. Em contrapartida, uma tábua de madeira negligenciada pode degradar-se. A principal vantagem da madeira maciça reside na sua potencial longevidade e na possibilidade de ser mantida ao longo do tempo.

O bambu também merece uma análise particular. Embora seja frequentemente incluído na categoria das tábuas «de madeira», tem uma estrutura diferente e pode ser mais duro. Esta rigidez pode acelerar o desgaste de uma faca, consoante o modelo escolhido. Para quem cozinha com frequência, o conforto de corte, a estabilidade da tábua e a facilidade de limpeza são critérios concretos a considerar antes da compra.

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Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

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