Entre duas fileiras de feijões, os horticultores de antigamente colocavam frequentemente uma pequena planta de folhagem densa, quase impercetível. Não era manjericão, nem um capricho para dar aroma às saladas: era a segurelha, esta aromática algo esquecida que desempenhava uma função real na horta.
Todos conhecemos aquele momento em que os feijões jovens finalmente despontam da terra, alinhados e ainda frágeis, e hesitamos em mexer no mais pequeno pedaço de solo à sua volta. Na horta do meu avô, porém, havia sempre tufos de segurelha entre as filas, plantados sem cerimónia, num gesto rápido. Limitava-se a dizer: «Os feijões gostam de companhia.» Na altura, pensei que se referia ao sabor ou à tradição. Com os anos, percebi que esta associação obedecia a uma lógica muito concreta, feita de aromas, insetos, sombra ligeira e observação. É um hábito antigo que merece mais do que um sorriso nostálgico.
A segurelha, a companheira de que os feijões nunca se esqueceram
Em muitas hortas familiares, os feijões crescem isolados, numa terra nua que por vezes seca num único dia de calor. Os antigos, pelo contrário, semeavam ou transplantavam segurelha entre as linhas, sem tentarem ocupar cada espaço, como hoje se faz tantas vezes com flores decorativas. Esta aromática baixa, de folhas pequenas verde-escuras e flores discretas, criava uma presença viva junto das culturas. O seu aroma, mais apimentado do que o do tomilho, liberta-se mal se roça na folhagem. E, numa horta, um cheiro nunca é totalmente inofensivo.
A tradição é especialmente forte com o feijão-verde, o feijão-anão e o feijão-de-trepar. Em algumas zonas rurais, a segurelha era até conhecida como a «erva dos feijões», uma designação bastante elucidativa. Os horticultores colocavam uma planta a cada 30 a 40 centímetros entre as filas, ou semeavam algumas sementes em pequenos grupos. Um só tufo pode desenvolver-se ao longo do verão, sem se tornar tão invasivo como a hortelã. Acompanha a colheita de julho a setembro, naquela época em que os cestos se enchem depressa e acabamos por oferecer feijões aos vizinhos.
A sua função não se resume a afastar milagrosamente todas as pragas, como prometem por vezes alguns conselhos de jardinagem demasiado bons para serem verdade. A segurelha liberta compostos aromáticos que confundem parcialmente as referências olfativas de certos insetos, ao mesmo tempo que atrai pequenos polinizadores e auxiliares quando floresce. Também cobre ligeiramente a terra, reduz os salpicos de solo nas folhas após um aguaceiro e introduz uma diversidade útil numa parcela muitas vezes excessivamente uniforme. Uma horta viva raramente é uma horta onde cada planta cresce isolada no seu canto.
Porque é que os antigos colocavam a segurelha entre as filas de feijões
A localização certa faz toda a diferença. É possível instalar segurelha na ponta da fila, mas aí funcionará sobretudo como uma orla perfumada; no meio dos feijões, a folhagem espalha o aroma onde os insetos circulam e onde as folhas permanecem húmidas durante mais tempo, de manhã cedo. Semeie-a quando o solo já estiver aquecido, habitualmente entre abril e junho, consoante a região. Para feijões-anões, prefira um pequeno grupo de segurelha a cada duas linhas, em vez de uma planta colocada ao acaso. O objetivo não é apertar as culturas, mas quebrar o efeito de «grande mesa posta» para as pragas.
Um erro comum é plantar com demasiada densidade, sobretudo quando se compra um vaso de segurelha já bem composto. Pensamos que uma aromática não ocupará muito espaço e, depois, em pleno verão, os feijões ficam sem circulação de ar e a humidade permanece retida entre as folhas. Deixe cerca de 25 centímetros entre cada tufo e os primeiros pés de feijão, ou mais se cultivar uma variedade muito vigorosa. Sejamos honestos: ninguém mede todos os dias cada distância ao pormenor. Basta verificar se consegue passar a mão entre as plantas sem deitar tudo abaixo.
A segurelha anual, também chamada segurelha-das-hortas, adapta-se muito bem a esta prática porque acompanha o ciclo dos feijões e desaparece com os primeiros frios. A segurelha perene, mais rústica, merece antes um lugar fixo na extremidade de um canteiro, pois ao longo dos anos forma um pequeno arbusto lenhoso.
«A segurelha é uma excelente companheira dos feijões, desde que se lhe dê espaço e não se espere que faça milagres.»
- Segurelha anual: ideal entre as fileiras de feijões durante o verão.
- Segurelha perene: útil junto da horta, mas geralmente demasiado duradoura para ser semeada no centro de uma rotação.
- Espaçamento recomendado: 25 a 40 centímetros, conforme o vigor dos feijões.
- Colheita: corte alguns caules antes da floração plena para incentivar a planta a ramificar-se.
Um gesto simples que também muda a forma de observar a horta
Talvez o mais interessante nesta antiga associação não seja a promessa de uma colheita perfeita. Haverá sempre um pulgão que encontra o caminho, chuva a mais ou uma fileira de feijões que nasce mal sem se perceber bem porquê. A segurelha não substitui um solo bem alimentado, a rega junto ao pé nem a rotação de culturas. Acrescenta, isso sim, uma nuance, uma camada adicional de vida num espaço que por vezes tendemos a tornar demasiado arrumado. Os horticultores antigos usavam menos produtos, mas observavam mais atentamente o que acontecia entre as plantas.
Esta pequena combinação recorda-nos também que a horta não é uma sucessão de compartimentos independentes. Um feijão faz sombra no solo, uma aromática atrai insetos, uma flor alimenta um polinizador, e tudo isto acaba por desenhar uma parcela menos vulnerável aos desequilíbrios. Alguns horticultores continuam a preferir a chagas, a calêndula ou o manjericão junto dos seus legumes: cada um constrói os seus hábitos ao longo das estações. Mas a segurelha tem o encanto das soluções modestas, aquelas que se transmitem sem discursos complicados, colocando algumas sementes na mão de uma criança.
Se decidir experimentar este ano, não procure uma prova imediata logo na primeira semana. Observe as suas fileiras ao longo dos dias, sinta o aroma que fica nos dedos depois de tocar na planta e repare nos insetos que visitam as pequenas flores brancas ou malva. Poderá ter menos feijões danificados ou, simplesmente, um canteiro mais agradável de tratar. E isso já não é pouco. Entre duas filas, esta aromática conta outra forma de cultivar: menos solitária, mais paciente, quase instintiva.
| Aspeto essencial | Pormenor | Valor acrescentado para o leitor |
|---|---|---|
| A planta a escolher | A segurelha anual acompanha muito bem os feijões durante uma estação. | Uma associação simples, económica e fácil de experimentar. |
| O local adequado | Coloque alguns tufos entre as fileiras, sem sufocar os pés de feijão. | O aroma circula no centro da cultura e o solo mantém-se mais vivo. |
| A expectativa realista | A segurelha ajuda a diversificar a horta, sem garantir a ausência total de pragas. | Uma abordagem realista, baseada na observação e não em promessas milagrosas. |






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