O pessegueiro floresce cedo e tolera mal qualquer atraso. Logo na primavera, alguns cuidados precisos determinam a qualidade dos frutos do verão.
Em muitos jardins, o pessegueiro chama a atenção pela floração rosa, que pode surgir logo em março. Contudo, esta beleza assinala também uma fase delicada para quem cultiva árvores de fruto. Geadas noturnas, humidade prolongada, doenças nas folhas e excesso de frutos jovens podem reduzir consideravelmente a colheita. Seguir apenas o calendário não chega: é indispensável acompanhar a árvore, o seu estádio de floração e as previsões meteorológicas locais.
O pessegueiro inicia a estação antes de muitas outras árvores
Depois do inverno, o pessegueiro retoma a atividade rapidamente. A seiva começa a circular, os gomos incham e, enquanto as noites ainda podem ser frias, as flores abrem. Esta precocidade explica a sua vulnerabilidade. Uma geada ocorrida no momento errado pode destruir os órgãos reprodutores da flor e impedir que se formem pêssegos.
Uma flor afetada pelo frio costuma apresentar o centro castanho ou preto. Pode manter-se presa durante alguns dias, dando a ideia de que está tudo bem, mas acaba por secar sem produzir fruto. As árvores conduzidas junto de uma parede virada a sul florescem ainda mais cedo: beneficiam de mais calor, mas ficam igualmente mais expostas quando o frio regressa.
“Uma noite clara, seca e sem vento merece atenção especial: é nestas condições que a temperatura pode descer bruscamente ao amanhecer.”
Proteger as flores nas noites frias
Uma manta de proteção leve pode proporcionar alguns graus suplementares em redor de um pessegueiro pequeno ou de uma árvore conduzida em palmeta. Deve ser colocada antes do anoitecer, sem apertar os ramos, e retirada assim que as temperaturas subirem. Se a cobertura permanecer demasiado tempo, a humidade acumula-se por baixo e os rebentos jovens ficam sem ventilação.
Num exemplar cultivado em vaso, a solução mais simples passa muitas vezes por aproximar o recipiente de uma parede abrigada. O vaso transmite o frio às raízes com grande rapidez. Aplicar uma camada de cobertura vegetal na base também ajuda a reduzir as variações bruscas da temperatura do solo.
- Consulte as previsões noturnas durante todo o período de floração.
- Proteja sobretudo as árvores jovens, baixas ou plantadas em vaso.
- Não faça podas imediatamente antes de uma vaga de frio prevista.
- Retire as proteções húmidas assim que regressar um dia ameno.
A cloque do pessegueiro exige vigilância desde cedo
A cloque está entre as doenças mais comuns nesta árvore. É provocada por um fungo que encontra condições favoráveis em primaveras amenas e húmidas. As folhas deformam-se, engrossam, adquirem tons avermelhados ou esverdeados e acabam por cair.
O problema vai além do aspeto da folhagem. Quando perde muitas folhas, a árvore produz menos reservas. Os frutos desenvolvem-se mal e o pessegueiro fica mais debilitado para a estação seguinte.
O que fazer quando as folhas ficam encarquilhadas
Remova as folhas mais afetadas assim que surgirem e apanhe também as que caírem no solo. Não as deixe na cobertura vegetal à volta da árvore. Esta ação não recupera as folhas já doentes, mas diminui a quantidade de esporos presentes nas proximidades do pessegueiro.
Regra geral, os tratamentos preventivos são planeados fora do período vegetativo, antes da abertura dos gomos, respeitando os produtos autorizados e as respetivas condições de utilização. Na primavera, pulverizar uma mistura qualquer sobre uma árvore em flor pode prejudicar os polinizadores ou queimar a folhagem. Uma poda ligeira, que permita a circulação de ar entre os ramos, continua a ser uma medida útil e de baixo risco.
“Perante a cloque, o objetivo não é salvar cada folha afetada: é necessário travar a propagação e ajudar a árvore a produzir folhagem saudável novamente.”
O desbaste dos frutos jovens altera o tamanho dos pêssegos
Depois de as flores fecundadas darem origem a pequenos pêssegos, é natural querer conservá-los todos. No entanto, este é um dos erros mais frequentes. Um ramo carregado de frutos não consegue alimentar cada um de forma adequada. Os pêssegos ficam pequenos, menos doces e, por vezes, deformados. Além disso, o peso pode partir um ramo em pleno verão.
A altura certa varia consoante o clima e a variedade. Após a queda natural de alguns frutos jovens, geralmente entre o final da primavera e o início do verão, torna-se necessário fazer o desbaste. Numa árvore muito adiantada, a primeira seleção pode ser feita mais cedo, quando os frutos já se distinguem facilmente.
A regra prática dos 15 a 20 centímetros
Deixe um pêssego por cada 15 a 20 centímetros nos ramos vigorosos. Num ramo fino ou ainda jovem, mantenha menos frutos. Comece por eliminar os pêssegos picados, manchados, malformados ou encostados uns aos outros. Segure cada pequeno pêssego entre dois dedos e retire-o com cuidado, sem arrancar o pedúnculo do fruto ao lado.
- Comece pelas pontas dos ramos, que tendem a ficar mais sobrecarregadas.
- Remova os frutos que se tocam ou que ficam totalmente escondidos.
- Mantenha os exemplares mais bem posicionados, sem favorecer apenas um lado da árvore.
- Confirme a resistência dos ramos antes de terminar a sessão de poda.
Este trabalho pode parecer severo, mas traz uma vantagem muito concreta: a árvore concentra a água e os açúcares num número equilibrado de pêssegos. Quando amadurecem, os frutos ganham calibre, aroma e tornam-se mais fáceis de colher.
A água e o solo também são importantes durante o crescimento
O pessegueiro reage mal a alternâncias extremas entre seca e regas abundantes. Quando os frutos começam a aumentar de tamanho, regue devagar junto ao pé, em vez de molhar a folhagem. Um solo mantido fresco com cobertura de folhas secas, aparas de relva bem secas ou estilha de madeira reduz a evaporação.
Evite aplicações excessivas de adubos ricos em azoto na primavera. Estes favorecem rebentos muito tenros, mais vulneráveis a pulgões e doenças, em prejuízo dos frutos. Num jardim familiar, uma fina camada de composto bem maturado espalhada sobre a zona das raízes é muitas vezes suficiente.
Um ramo carregado pode precisar de apoio
Mesmo depois do desbaste, alguns ramos curvam-se bastante à aproximação do verão. Coloque um tutor ou uma forquilha de madeira sob os ramos mais pesados, usando um pedaço de tecido entre o apoio e a casca para evitar ferimentos. Uma quebra cria uma porta de entrada para a gomose e outras infeções.
Um pêssego colhido no ponto ideal não se identifica apenas pela cor vermelha. Observe a zona que ficou à sombra: quando passa de verde para um tom amarelo ou creme, o fruto aproxima-se do estádio certo. Uma leve pressão junto ao pedúnculo deve revelar polpa macia, mas sem amolecimento excessivo.






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