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Como a carpa-comum turva a água e prejudica os lagos

Peixe com escamas grandes a mexer no fundo lamacento de um lago com plantas e marcador de profundidade.
Neste artigo
  1. Porque é que a carpa-comum remexe o fundo dos lagos?
  2. De que forma este comportamento torna a água mais turva?
  3. O que sucede às plantas submersas?
  4. Porque é que a perda de plantas favorece as algas?
  5. Como controlar o impacto da carpa-comum em ambientes onde é invasora?

A carpa-comum é cultivada para consumo e pesca em vários países, mas pode causar alterações significativas quando é introduzida em lagos e albufeiras onde não existe naturalmente. Ao alimentar-se junto ao fundo, este peixe remexe os sedimentos, turva a água e afecta a vegetação submersa da qual dependem inúmeras formas de vida aquática.

Porque é que a carpa-comum remexe o fundo dos lagos?

A espécie alimenta-se de larvas, moluscos, vermes, sementes e outros organismos presentes nos sedimentos. Para os alcançar, recorre à boca orientada para baixo e revolve repetidamente a camada superficial do fundo, colocando em suspensão partículas que estavam depositadas.

  • Procura invertebrados ocultos na lama;
  • Arranca plantas enquanto procura alimento;
  • Coloca em suspensão argila, matéria orgânica e partículas finas;
  • Liberta nutrientes acumulados nos sedimentos;
  • Altera zonas que servem de abrigo a outros animais.

De que forma este comportamento torna a água mais turva?

A carpa-comum, cientificamente designada Cyprinus carpio, pode passar várias horas a procurar alimento no fundo. Quando muitos exemplares ocupam um lago pouco profundo, a agitação contínua impede que as partículas voltem a assentar, aumentando a turbidez da água.

O impacto depende do número de peixes, da profundidade, do tipo de sedimento e da acção do vento. Assim, a presença de uma única carpa não torna automaticamente um lago barrento, mas populações abundantes podem tornar-se uma das principais razões para a perda de transparência em certos ecossistemas.

O que sucede às plantas submersas?

As partículas em suspensão absorvem e dispersam a luz solar, diminuindo a quantidade de luz que chega ao fundo. Sem luminosidade bastante para efectuar a fotossíntese, as plantas submersas desenvolvem-se menos, enfraquecem ou desaparecem. Algumas podem ainda ser arrancadas directamente enquanto as carpas se alimentam.

  • Chega menos luz às folhas submersas;
  • Raízes e rebentos podem ser arrancados do fundo;
  • Os peixes pequenos perdem locais de abrigo;
  • Os insectos aquáticos ficam sem parte do seu habitat;
  • As aves encontram menos plantas e invertebrados de que se alimentar;
  • As margens tornam-se mais vulneráveis à movimentação dos sedimentos.

Porque é que a perda de plantas favorece as algas?

Ao revolver os sedimentos, a carpa pode libertar fósforo e outros nutrientes para a coluna de água. Estes compostos ficam disponíveis para algas microscópicas e cianobactérias, sobretudo quando o lago também recebe fertilizantes, esgotos ou matéria orgânica proveniente de outras fontes. Estudos experimentais já associaram a presença deste peixe ao aumento do fósforo e da turbidez, bem como à redução da cobertura de plantas aquáticas.

A redução da vegetação desencadeia um ciclo difícil de travar: menos plantas significam menor estabilização dos sedimentos e menos concorrência pelos nutrientes. A água mantém-se turva, a luz continua limitada e o ambiente pode mudar de um estado transparente, dominado por plantas, para outro mais barrento, dominado por fitoplâncton.

Como controlar o impacto da carpa-comum em ambientes onde é invasora?

A remoção controlada de carpas, a protecção das zonas de reprodução e a instalação de barreiras podem integrar projectos de recuperação. Em alguns lagos, a diminuição da população foi acompanhada por maior transparência da água e pelo regresso das plantas submersas, embora o resultado também dependa da redução de esgotos, fertilizantes e sedimentos transportados pela drenagem.

A espécie não deve ser transportada nem libertada em rios, albufeiras ou lagoas sem autorização. Tal como noutros casos em que peixes introduzidos se converteram numa invasão difícil de controlar, uma solução destinada à piscicultura pode ameaçar o equilíbrio ecológico quando a espécie escapa e se reproduz fora da sua área natural.

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Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

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