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5 sabores de gelado esquecidos dos anos 70 que os fãs pedem de volta

Gelado caseiro com nozes, pepitas de chocolate e pedaços crocantes, em tabuleiros metálicos numa bancada de cozinha.
Neste artigo
  1. Porque é que estes sabores parecem ter desaparecido?
  2. 1. Caramelo crocante, inspirado no Butter Brickle
  3. 2. Passas ao rum: um clássico para adultos
  4. 3. Pastilha elástica cor-de-rosa, sem exageros
  5. 4. Chocolate, amêndoa e marshmallows
  6. 5. Ácer e noz: uma combinação de outono
  7. Erros comuns ao fazer gelados com pedaços
  8. Segurança e conservação

Os balcões de gelados mudaram muito nas últimas décadas. Hoje, há combinações com bolachas, cremes, caramelo salgado e muitas coberturas; ainda assim, alguns sabores mais simples, marcados por frutos secos, passas, caramelo ou chocolate, continuam a despertar curiosidade. O truque para os recuperar em casa é simples: preparar uma base pouco enjoativa e adicionar os elementos crocantes ou húmidos apenas quando estiverem frios e bem preparados.

Nem todos estes sabores tiveram a mesma presença em Portugal, e as receitas variavam de gelataria para gelataria. Mas são boas ideias para sair da habitual baunilha, morango ou chocolate. Com ingredientes que se encontram em supermercados e lojas de produtos a granel, é possível criar gelados caseiros com sabor nostálgico e textura equilibrada.

Porque é que estes sabores parecem ter desaparecido?

As tendências alimentares favorecem, muitas vezes, sabores imediatos e visualmente chamativos. Misturas como noz e xarope de ácer, passas com rum ou caramelo crocante podem parecer menos familiares perante gelados carregados de bolachas, cremes e recheios.

Há também uma razão prática. Ingredientes húmidos, como fruta macerada, podem formar cristais de gelo. Já os crocantes perdem textura quando ficam demasiado tempo em contacto com uma base húmida. Em produção caseira, porém, é mais fácil controlar as quantidades e servir o gelado no seu melhor.

Um gelado memorável não precisa de muitos extras: basta uma base cremosa e um contraste bem escolhido.

1. Caramelo crocante, inspirado no Butter Brickle

O nome Butter Brickle é associado, nos Estados Unidos, a gelados com sabor a caramelo amanteigado e pequenos pedaços de toffee crocante. Não é uma receita única e fixa, mas a ideia é fácil de adaptar: uma base de nata ou baunilha, enriquecida com caramelo e amêndoa torrada.

O resultado pode ser menos doce do que parece, desde que a base não leve açúcar em excesso. O crocante deve entrar no final, para não se dissolver nem perder o estaladiço.

Como o recriar em casa

  1. Prepare uma base de gelado de nata ou baunilha e deixe-a arrefecer completamente antes de a levar ao congelador ou à máquina de gelados.
  2. Faça um crocante com açúcar derretido até ficar âmbar, uma pequena noz de manteiga e amêndoa laminada ou avelã torrada.
  3. Espalhe-o sobre papel vegetal ou um tapete de silicone e deixe-o arrefecer totalmente.
  4. Parta-o em pedaços irregulares e envolva a maior parte no gelado já quase congelado.
  5. Reserve alguns fragmentos para colocar no momento de servir.

Nunca junte caramelo quente ao gelado. Além de derreter a base, o açúcar quente pode causar queimaduras graves e endurecer em fios desconfortáveis de comer.

2. Passas ao rum: um clássico para adultos

A combinação de passas, baunilha e rum aparece em várias sobremesas europeias e americanas há muitas décadas. Num gelado, as passas acrescentam uma textura mastigável e o rum dá uma nota aromática que contrasta com a base fria e cremosa.

Para evitar que as passas fiquem rijas, hidrate-as primeiro. Coloque-as numa taça, cubra-as com rum e deixe-as repousar algumas horas no frigorífico. Escorra-as muito bem e seque-as ligeiramente com papel de cozinha antes de as incorporar.

Pode juntar uma tira de casca de laranja à infusão para um aroma mais fresco. Se preferir uma versão sem álcool, hidrate as passas em sumo de laranja, chá preto frio ou água com baunilha.

As passas devem estar macias, mas não molhadas: líquido a mais cria cristais de gelo e prejudica a cremosidade.

O álcool não desaparece por completo no congelador. Por isso, esta versão não é adequada para crianças, para quem evita bebidas alcoólicas ou para situações em que o seu consumo não seja apropriado.

3. Pastilha elástica cor-de-rosa, sem exageros

O gelado de sabor a pastilha elástica ficou associado a gelatarias, festas de infância e cores intensas. É um sabor divisivo: há quem o procure pela memória e quem o considere demasiado artificial.

Se quiser reproduzir a ideia em casa, use aroma alimentar próprio para esse fim em quantidade mínima e, se desejar, algumas gotas de corante alimentar rosa. Comece sempre com pouco, prove a mistura antes de congelar e ajuste gradualmente. É mais fácil intensificar o aroma do que corrigir uma base excessivamente perfumada.

Uma alternativa mais natural é preparar um gelado de morango e baunilha, com pepitas de chocolate branco ou cubos pequenos de merengue seco. Não imita o sabor original, mas mantém o aspeto divertido e a surpresa de encontrar pequenos pedaços na colher.

O que não deve colocar no gelado

Evite congelar pastilha elástica comum na base. Torna-se muito dura, perde a textura habitual e pode ser desagradável de mastigar. Prefira merengue seco, pepitas de açúcar próprias para decoração ou pequenos pedaços de rebuçados adequados para uso alimentar.

4. Chocolate, amêndoa e marshmallows

Em algumas receitas norte-americanas antigas, o nome Heavenly Hash foi usado para misturas doces com combinações variáveis de fruta, natas, frutos secos, chocolate e marshmallows. As versões em gelado também não eram todas iguais, mas chocolate, amêndoa e marshmallows surgem com frequência.

É uma combinação rica, pelo que convém conter o açúcar. Uma base de chocolate feita com cacau em pó e chocolate negro dá mais profundidade e evita que o resultado fique excessivamente doce.

Uma versão equilibrada

Quando o gelado estiver quase congelado, incorpore:

  • amêndoas torradas e picadas grosseiramente;
  • lascas ou pepitas de chocolate negro;
  • mini-marshmallows, cortados ao meio se forem grandes;
  • uma pequena pitada de sal fino, opcional.

Os marshmallows ficam firmes no congelador. Retire o recipiente alguns minutos antes de servir, apenas o tempo necessário para o gelado amolecer ligeiramente. Não o deixe muito tempo fora do frigorífico, sobretudo em dias quentes.

5. Ácer e noz: uma combinação de outono

O xarope de ácer e a noz são uma combinação habitual em sobremesas da América do Norte. O xarope puro tem notas tostadas e caramelizadas que funcionam bem com o sabor ligeiramente amargo da noz.

Em Portugal, encontra xarope de ácer puro em algumas grandes superfícies, lojas de produtos naturais e mercearias especializadas. Leia o rótulo: um produto designado simplesmente como xarope pode conter açúcar, aromas ou outros xaropes, dando um resultado diferente.

Torre as nozes durante poucos minutos numa frigideira seca ou no forno. Deixe-as arrefecer por completo antes de as juntar ao gelado. Esta etapa melhora o aroma e ajuda a preservar uma textura mais crocante.

A combinação resulta com uma base de nata e gema, semelhante a um creme inglês. Para uma solução mais rápida, misture xarope de ácer numa base de iogurte grego e natas, prove e ajuste com parcimónia antes de congelar.

Erros comuns ao fazer gelados com pedaços

Pequenos pormenores fazem uma diferença considerável na textura final. Evite os erros mais frequentes:

  • Juntar ingredientes quentes à base fria. Deixe arrefecer por completo caramelo, compotas e frutos secos torrados.
  • Adicionar demasiados pedaços. O gelado deve continuar fácil de servir com uma colher.
  • Usar frutos secos sem os torrar. Uma torra breve reforça o sabor e reduz a sensação crua.
  • Incorporar fruta ou passas com líquido em excesso. Escorra e seque bem antes de juntar.
  • Guardar o gelado num recipiente mal fechado. O contacto com o ar favorece cristais de gelo e a absorção de odores do congelador.
  • Servir diretamente do congelador. Deixe o recipiente repousar poucos minutos à temperatura ambiente para facilitar o serviço.

Segurança e conservação

Ao fazer caramelo, trabalhe com especial cuidado. O açúcar derretido atinge temperaturas muito elevadas. Use uma panela estável, mantenha crianças e animais afastados e nunca toque no caramelo antes de arrefecer.

Se a receita incluir ovos, aqueça a base de forma adequada ou utilize ovos pasteurizados. Não prove misturas com ovo cru. Depois de preparada, mantenha a base fria e congele-a sem demoras desnecessárias.

Guarde o gelado num recipiente limpo, bem fechado e identificado com a data. Para melhor sabor e textura, procure consumi-lo nas duas ou três semanas seguintes. Se apresentar cheiro estranho, sinais de descongelação repetida ou cristais excessivos após uma falha de frio, não o consuma.

Faça primeiro meia receita. Assim, pode descobrir se prefere o estaladiço do caramelo, a intensidade das passas ao rum, a riqueza do chocolate com amêndoa ou a combinação suave de ácer e noz. O melhor sabor antigo pode não ser o mais extravagante, mas aquele que apetece repetir numa tarde quente.

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Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

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