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DNA de sementes de uva revela a história antiga da viticultura

Mulher a analisar uvas em laboratório com mesa de estudos e laptop, com vinhas e ruínas ao fundo ao pôr do sol.
Neste artigo
  1. O que revelaram os cientistas sobre as sementes antigas?
  2. Porque é que o DNA permite reconstruir a história do vinho?
  3. O que surpreendeu os investigadores?
  4. Como influenciaram os romanos e outros povos esta origem?
  5. Porque é importante esta descoberta hoje?

O estudo do DNA de sementes de uva recuperadas em sítios arqueológicos está a mostrar de que forma videiras antigas contribuíram para moldar parte da viticultura actual. A análise de vestígios com cerca de 2.000 anos permite aos investigadores comparar castas do passado com uvas hoje cultivadas e perceber como o comércio, a agricultura e a selecção humana influenciaram a história do vinho.

O que revelaram os cientistas sobre as sementes antigas?

As sementes examinadas foram recolhidas em contextos arqueológicos associados à produção agrícola antiga na Toscânia, em Itália. Apesar de serem pequenas e muito antigas, conservaram fragmentos genéticos que permitem identificar características das videiras então cultivadas.

Os resultados revelaram que algumas dessas uvas antigas tinham ligações genéticas a castas cultivadas noutras zonas da Europa. Esta evidência demonstra que a viticultura não se desenvolvia de forma isolada: plantas, técnicas e saberes circulavam entre diferentes povos.

Porque é que o DNA permite reconstruir a história do vinho?

O DNA pode ser entendido como um arquivo biológico. Ao confrontarem as sementes antigas com bancos genéticos de uvas contemporâneas, os cientistas conseguem detectar relações de parentesco, transformações e eventuais trajectos de dispersão das videiras.

  • Parentesco genético: indica que uvas antigas estão mais próximas de castas modernas.
  • Origem regional: contribui para determinar onde determinados tipos de videira eram cultivados.
  • Trocas agrícolas: evidenciam a circulação de plantas entre populações antigas.
  • As sementes guardam indícios mesmo depois de o vinho ter desaparecido.
  • A genética complementa as informações obtidas através de cerâmicas, ferramentas e registos históricos.

O que surpreendeu os investigadores?

Um dos aspectos mais curiosos foi a identificação de uma variedade de uva branca numa área actualmente muito ligada a vinhos tintos. Isto aponta para uma alteração considerável do perfil agrícola regional ao longo dos séculos.

  • As uvas cultivadas no passado nem sempre correspondiam às castas mais conhecidas actualmente.
  • A Toscânia antiga poderia apresentar maior diversidade de variedades e utilizações.
  • Algumas videiras podem ter sido preservadas durante períodos prolongados através da selecção humana.
  • Outras desapareceram ou foram trocadas por castas mais produtivas.
  • O vinho actual possui uma história genética mais complexa do que aparenta.

Como influenciaram os romanos e outros povos esta origem?

Na Antiguidade, romanos, etruscos e outros povos mediterrânicos alargaram o cultivo da uva, aperfeiçoaram os métodos agrícolas e transportaram plantas através de rotas comerciais. Esta dinâmica contribuiu para difundir castas e práticas de vinificação por vários territórios.

A genética das sementes confirma parte desse quadro. Quando uma uva antiga revela ligações a regiões afastadas, isso sugere que os agricultores já escolhiam, transportavam mudas e seleccionavam videiras muito antes do advento da agricultura moderna.

Porque é importante esta descoberta hoje?

Conhecer a origem genética das uvas contribui para proteger a diversidade agrícola. Num contexto de alterações climáticas, doenças das plantas e uniformização dos cultivos, o estudo de variedades antigas pode fornecer pistas sobre resistência, adaptação e história ambiental.

A descoberta altera também a forma como se observa o vinho enquanto produto cultural. Por detrás de cada variedade moderna há um longo percurso de migrações, decisões humanas e mudanças naturais, silenciosamente registado em sementes que sobreviveram durante milénios.

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Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

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