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Como evitar que o peixe pegue à frigideira

Fazer peixe grelhado numa frigideira com óleo numa cozinha luminosa e moderna.
Neste artigo
  1. Porque é que a humidade faz o peixe pegar com maior facilidade?
  2. Como perceber se a frigideira está suficientemente quente?
  3. Porque é que mexer no peixe demasiado cedo faz a carne desfazer-se?
  4. Mais óleo impede realmente que o filete pegue?
  5. Uma boa crosta de peixe começa antes de chegar à frigideira

Para impedir que o peixe pegue à frigideira, não é necessário aumentar a dose de óleo. O essencial é eliminar a humidade da superfície do filete, aquecer correctamente a frigideira antes de juntar o peixe e não o mexer antes do tempo. Quando uma superfície seca entra em contacto com metal quente, começa a criar-se uma crosta que ajuda o peixe a desprender-se naturalmente.

Porque é que a humidade faz o peixe pegar com maior facilidade?

Quando o filete é colocado húmido na frigideira, parte do calor é inicialmente consumida a transformar essa água em vapor. Como consequência, a superfície demora mais tempo a alourar e a desenvolver a camada que permite separar o peixe do metal.

É por isso que secar o filete com papel absorvente antes de o temperar e cozinhar tem um efeito tão importante. Há alguns cuidados simples a adoptar:

  • Retire a água em excesso com papel absorvente;
  • Se o peixe tiver pele, seque também esse lado;
  • Não deixe escorrer marinada líquida para a frigideira;
  • Tempere imediatamente antes de cozinhar;
  • Evite colocar muitos filetes ao mesmo tempo, pois isso baixa a temperatura da frigideira.

Como perceber se a frigideira está suficientemente quente?

A frigideira deve ser aquecida previamente antes de receber o óleo e o peixe. Em lume médio ou médio-alto, bastam normalmente alguns minutos, consoante a espessura e o material da frigideira. O óleo deve apresentar um aspecto fluido e brilhante, sem precisar de atingir o ponto de fumo.

Porque é que mexer no peixe demasiado cedo faz a carne desfazer-se?

Nos primeiros momentos após entrar em contacto com a frigideira, as proteínas da superfície do peixe continuam aderidas ao metal. À medida que o alouramento se desenvolve, essa ligação enfraquece e o filete começa a soltar-se com muito mais facilidade.

Tentar virá-lo antes dessa fase pode retirar a crosta e partir uma carne que é, por natureza, delicada.

  • Coloque o peixe na frigideira e não o mexa durante os primeiros minutos;
  • Não pressione nem empurre constantemente com a espátula;
  • Antes de virar, experimente soltar uma das extremidades com cuidado;
  • Se sentir muita resistência, aguarde mais um pouco;
  • Sempre que a preparação o permitir, vire o peixe apenas uma vez.

Mais óleo impede realmente que o filete pegue?

Uma camada fina de óleo contribui para transmitir o calor e para preencher pequenas irregularidades entre a frigideira e o alimento. No entanto, deitar uma grande quantidade não resolve o problema de um filete húmido ou de uma frigideira fria. O excesso pode apenas tornar a preparação numa fritura mais gordurosa, sem assegurar uma crosta superior.

  • Use só a quantidade de óleo necessária para cobrir ligeiramente a superfície;
  • Opte por uma gordura adequada à temperatura de cozedura;
  • Não compense uma frigideira fria com mais óleo;
  • Baixe o lume se a gordura começar a queimar;
  • Remova os resíduos queimados antes de preparar outra leva.

Uma boa crosta de peixe começa antes de chegar à frigideira

O resultado depende de uma sequência simples: peixe seco, frigideira quente e tempo sem mexer. Esta combinação deixa a superfície alourar antes de o interior cozinhar em demasia e diminui consideravelmente a probabilidade de o filete ficar agarrado ao fundo.

O tipo de frigideira também tem influência, sendo que as superfícies antiaderentes tendem a ser mais tolerantes com peixes delicados. Ainda assim, a técnica mantém-se importante. Quem seca o filete, pré-aquece a frigideira e aguarda pela formação da crosta precisa de pouco óleo e de aplicar muito menos força com a espátula. É precisamente quando o peixe está pronto para ser virado que tende a desprender-se quase por si só.

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Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

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